Atualizado 3× ao dia · Apostas proibidas pela MP 1.394: veja os prazos
Regulação

40 influenciadores cearenses seguem anunciando bets mesmo após proibição federal

Perfis com milhões de seguidores continuam promovendo cassinos virtuais e plataformas de apostas no Instagram, ignorando a MP 1.394, que vedou a atividade no país.

40 influenciadores cearenses seguem anunciando bets mesmo após proibição federal

Imagem ilustrativa gerada por IA

Ao menos 40 influenciadores digitais do Ceará persistem na divulgação de plataformas de apostas e cassinos virtuais mesmo depois da entrada em vigor da Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro de 2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. O levantamento foi feito pelo G1, que acessou dezenas de contas entre os dias 10 e 13 de outubro — portanto, já após o dia 6 de outubro, prazo a partir do qual as bets deixaram de funcionar legalmente no país. As publicações aparecem nos stories do Instagram, em perfis abertos com milhares de seguidores e sem qualquer menção à proibição vigente. Entre os nomes identificados estão Nayara Souza, Italo Wendel (o Belo Belo) e Jéssica Santos (a Jessica Macaxeira), todos com mais de 1 milhão de seguidores. Os conteúdos vinculam a imagem dos criadores a "tigrinhos", "coelhinhos", "tourinhos" e outros mascotes típicos de jogos de azar, acompanhados de links diretos para as plataformas.

Sanções administrativas e projeto de criminalização

A promoção dessas plataformas não configura crime sob a MP 1.394, mas pode ser enquadrada como publicidade abusiva pelo Código de Defesa do Consumidor. A advogada Raquel Andrade detalhou o espectro de punições possíveis: "A sanção administrativa é o ponto de partida. Essas sanções administrativas, fiscais, possível aplicação de multa, possível retirada do perfil, possível retirada da publicidade, a possível solicitação de perdas e danos de direitos sobre os danos morais e materiais causados, a possível cobrança retroativa de impostos, multas administrativas, tudo isso pode ser aplicado." Para ela, o modelo adotado pelo governo criou uma "sensação de falsa impunidade" entre os influenciadores. Andrade foi direta ao avaliar aqueles que mantêm as publicações mesmo diante de relatos de danos sociais: "Um influencer que não se sensibiliza com notícias de suicídio de jovens, de trabalhadores, o fato de que bilhões de reais estão saindo do orçamento para comida, para lazer, para escola, para moradia, e que, no fim das contas, só está interessado em lucrar, porque é o lucro da desgraça, lucrar em cima da tragédia alheia, eu acho que isso fala mais do influencer do que da própria lei, do que da própria norma." O governo federal encaminhou ao Congresso um projeto de lei para criminalizar tanto a operação quanto a publicidade de apostas. As penas previstas vão de 2 a 4 anos de reclusão para quem divulgar bets ou captar apostadores, usar dados pessoais para captação, facilitar financeiramente a exploração ou fornecer aplicações de internet para apostas — chegando a 4 a 6 anos para quem explorar ou operar as plataformas, todas as penas acompanhadas de multa e com agravantes em situações específicas.

Fiscalização dividida entre ministérios

Em nota, o Ministério da Fazenda informou que a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF) monitora continuamente os sites de apostas com base na MP 1.394: ao confirmar uma oferta ilegal, o órgão encaminha a URL à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que aciona os provedores de internet para efetuar o bloqueio; paralelamente, a SPA identifica os meios de pagamento envolvidos e determina o bloqueio das contas financeiras vinculadas. A pasta esclareceu, porém, que a fiscalização de redes sociais e de lojas de aplicativos é atribuição do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O G1 consultou o Ministério da Justiça e a Polícia Federal: a PF informou que não comentará sua atuação no combate às bets, e o Ministério da Justiça não respondeu até o fechamento da reportagem.

Risco à saúde mental e resposta de influenciadora

O psicólogo Magnum Freire alertou que a promoção de plataformas ilegais por influenciadores pode causar danos à saúde mental até maiores do que os gerados por bets regulamentadas. Segundo ele, nos ambientes ilegais não há direcionamento automático para canais de apoio à ludopatia, o que isola progressivamente o usuário. Freire destacou ainda que o estigma da ilegalidade agrava o quadro: o jogador "desenvolve uma vergonha extrema escondendo o problema da família, das pessoas que ele gosta, até atingir a ruína total", retardando de forma severa a busca por ajuda terapêutica. Sobre o papel dos criadores de conteúdo, o psicólogo foi enfático: "Quando um influenciador divulga uma bet ilegal, ele não está apenas mostrando um site, ou um joguinho, ou um aplicativo. Ele está manipulando o cérebro daquela possível pessoa para uma modelagem comportamental. A mente humana tende a imitar e confiar em figuras de autoridade ou afeto." Das três influenciadoras identificadas pelo G1, apenas Jéssica Santos respondeu. Ela confirmou estar ciente da MP, mas justificou a manutenção das publicações por obrigações contratuais: "Estou ciente da MP, sim! Mas eu tinha contratos em andamento que precisava cumprir, e sempre prezei pela responsabilidade e pelo compromisso com aquilo que assumo. Por isso, optei por cumprir minhas obrigações contratuais até o fim, mas não darei continuidade após esses contratos." A influenciadora reconheceu os danos causados pelo setor e defendeu políticas de apoio: "Reconheço o quanto os jogos de apostas têm feito mal à vida de tantas pessoas e famílias. […] Não basta proibir, é preciso cuidar, acolher e oferecer caminhos para a recuperação." Nayara Souza e Italo Wendel não se manifestaram até o fechamento da reportagem.

Análise BetNotícias

O que isso muda na regulação

  • Influenciadores ignoram a proibição das bets mantendo publicidade ativa após a MP 1.394, criando demanda por plataformas ilegais que carecem de proteções ao apostador e canais de ajuda à ludopatia.
  • A divulgação por figuras públicas de larga audiência amplifica o risco de isolamento psicológico e estigma entre os dependentes de jogos em ambientes ilegais, retardando drasticamente a busca por tratamento.
  • Enquanto a comercialização em si não é criminalizada sob a MP, a publicidade é punível como abusiva, mas influenciadores continuam operando como se houvesse 'falsa impunidade', sinalizando lacunas na execução da fiscalização de redes sociais.

Entenda os termos

Medida Provisória (MP) nº 1.394
Ato do governo federal que entrou em vigor em 25 de setembro de 2026 e vedou a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil.
Publicidade abusiva
Divulgação que viola direitos do consumidor, enquadrada no Código de Defesa do Consumidor e sujeita a sanções administrativas, multas e outras penalidades.
SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas)
Órgão do Ministério da Fazenda responsável por monitorar e fiscalizar plataformas de apostas e coordenar bloqueios de sites irregulares junto à Anatel.
Ludopatia
Transtorno mental caracterizado por dependência patológica de jogos de azar, com consequências sociais e psicológicas graves.
Fonte original
Com informações de BNLData →

A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.

18+ Conteúdo informativo. Desde 25/09/2026, as apostas de quota fixa estão proibidas no Brasil (MP 1.394). O BetNotícias não opera nem indica apostas. Se o jogo trouxe prejuízo, procure o CAPS mais próximo ou ligue 188 (CVV).