Diretor do Paraná Pesquisas chama proibição das bets de "tiro no pé" de Lula
Murilo Hidalgo afirmou, em entrevista à TV 247, que o governo partiu de um diagnóstico errado ao atribuir o endividamento das famílias às apostas esportivas, e que a MP prejudicou Lula no primeiro turno.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A proibição das apostas esportivas e dos jogos online foi "um tiro no pé" do presidente Lula. A avaliação é de Murilo Hidalgo, diretor do Paraná Pesquisas, em entrevista concedida ao jornalista Leonardo Attuch, fundador do portal Brasil 247 e da TV 247, na terça-feira (6/10) — dois dias após o primeiro turno das eleições, em que Flávio Bolsonaro (PL) terminou cerca de dois pontos percentuais à frente de Lula nos votos válidos.
Para Hidalgo, o erro começou no diagnóstico que chegou ao presidente. "Colocaram para ele que a dívida do brasileiro é por causa das bets. Não é por causa das bets. As bets são um dos motivos", afirmou o pesquisador. Ele citou levantamentos do próprio Paraná Pesquisas segundo os quais entre 75% e 80% das pessoas que apostam o fazem por diversão, e não por vício. Para ilustrar o que considera desproporcional na medida, recorreu a comparações: "É a mesma coisa de dizer: vamos acabar com as loterias da Caixa, porque tem 10%, 20% que são viciados nisso. É acabar com a cerveja, por exemplo". Hidalgo apontou ainda que o governo não antecipou o impacto da medida sobre clubes de futebol e torcidas organizadas, o que, na sua avaliação, amplificou o efeito negativo. "Foi uma atitude precipitada do presidente Lula e, principalmente, eles não esperavam que fosse mexer com as torcidas organizadas de futebol", disse.
Questionado sobre o real motivo do endividamento das famílias, Hidalgo foi direto: o problema está no orçamento apertado e nos juros elevados. "O dinheiro não dá até o final do mês. Todo mês a pessoa vai se endividando R$ 50, R$ 60, R$ 80. Chega no final do mês, não está fechando as contas. Esse é o grande problema", explicou. E completou: "Quem deve hoje reclama do quê? Não consegue pagar por causa das taxas de juros, que são muito altas". Em sua análise, os três fatores que levaram Flávio Bolsonaro a terminar na frente foram a economia (endividamento e preço dos alimentos), a segurança pública e a crise envolvendo o STF — as bets não figuram como causa do endividamento, mas como um erro de estratégia do governo.
A Medida Provisória nº 1.394, anunciada em 25 de setembro de 2026 — a nove dias do primeiro turno —, proibiu as apostas de quota fixa no Brasil, vedando novos depósitos imediatamente e determinando o encerramento das operações das casas autorizadas até 25 de outubro. A avaliação de Hidalgo contrasta com a lógica que sustentou a edição da MP: na véspera do anúncio, pesquisa Atlas/Bloomberg apontava 75% de apoio popular à proibição. Após o primeiro turno, reportagens do Estadão, da Folha de S.Paulo, da CNN Brasil e de O Globo registraram que integrantes da própria campanha passaram a ver a medida como um dos erros da reta final. O peso da declaração de Hidalgo está, segundo o material de origem, no veículo onde foi feita: em um dos principais canais da imprensa alinhada ao governo, um dos institutos que mais se aproximou do resultado eleitoral de 2022 afirmou, com base em dados próprios, que a premissa que motivou a proibição não se sustenta nas pesquisas.
O que está em jogo
- A proibição das bets pela MP 1.394 é caracterizada por pesquisador alinhado ao governo como um erro estratégico da campanha de Lula no primeiro turno eleitoral, baseado num diagnóstico incorreto de que as apostas eram a causa principal do endividamento das famílias.
- Segundo pesquisas do Paraná Pesquisas citadas, o endividamento decorre de juros altos e insuficiência de renda mensal, não de apostas — trazendo dúvida sobre a justificativa da medida e seu impacto eleitoral negativo junto a torcidas organizadas de futebol.
Entenda os termos
- Medida Provisória nº 1.394/2026
- Ato do Poder Executivo que proibiu as apostas de quota fixa (apostas esportivas e cassino online) no Brasil a partir de 25 de setembro de 2026, válido por 60 dias e sujeito a aprovação do Congresso.
- Torcidas organizadas
- Grupos de torcedores estruturados que acompanham clubes de futebol; no contexto, mencionadas como afetadas pela proibição das bets que patrocinavam ou vinculavam-se ao futebol.
A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



