Fazenda avalia reduzir ou extinguir a SPA caso apostas sejam proibidas no Brasil
O Ministério da Fazenda analisa diferentes cenários para o futuro da Secretaria de Prêmios e Apostas, incluindo sua extinção, em meio à possibilidade de uma medida provisória presidencial restringir ou banir o setor.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O Ministério da Fazenda estuda o que fazer com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) diante da iminência de mudanças regulatórias drásticas no mercado de apostas online. Segundo o Bastidores CNN, uma das hipóteses em análise é a extinção completa do órgão, caso a atividade seja proibida no país. No cenário mais extremo, apenas algumas atribuições seriam preservadas — sobretudo as ligadas ao combate a irregularidades e à supervisão das loterias.
A SPA foi criada no início de 2024, ao fim de um longo debate sobre qual pasta deveria assumir a regulação do setor. Vinculada ao Ministério da Fazenda, a secretaria é responsável por regulamentar, licenciar, monitorar e fiscalizar o mercado brasileiro de apostas online. A previsão inicial era de 38 servidores, mas a CNN Brasil apurou que o quadro atual já supera esse número, com funcionários cedidos pelos ministérios da Justiça e do Esporte e pela Casa Civil. Paralelamente, o Ministério do Esporte mantém a Secretaria Nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte, chefiada por Giovanni Rocco Neto, com foco em integridade esportiva e desenvolvimento econômico ligado ao setor.
O questionamento central dentro da Fazenda, segundo a CNN, é se haveria justificativa para manter uma estrutura de 38 a 50 servidores caso as apostas esportivas e os cassinos online deixem de operar legalmente. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar nesta sexta-feira (25) uma medida provisória (MP) que pode impor novas restrições ao setor — desde limitações parciais até a proibição total da atividade. A eventual edição do texto também pode enfrentar questionamentos jurídicos: o governo já buscou orientações junto à Advocacia-Geral da União (AGU) e ao Ministério da Justiça sobre como estruturar juridicamente a medida e quais seriam os efeitos de alterações posteriores pelo Congresso Nacional. No campo financeiro, uma proibição total colocaria em risco uma arrecadação anual estimada em aproximadamente R$ 2,5 bilhões, com recursos previstos para áreas como saúde, esporte e segurança pública.
O mercado regulado foi estruturado a partir da Lei nº 14.790/2023, que estabeleceu as bases legais para a operação de apostas de quota fixa no Brasil. Com base nessa legislação, empresas pagaram outorgas, investiram em tecnologia e compliance e passaram a recolher tributos sob supervisão estatal — processo que se intensificou ao longo de 2024 e 2025 com a emissão das licenças definitivas pela SPA. Uma reversão abrupta desse quadro levanta dúvidas não apenas sobre o destino dos servidores do órgão, mas também sobre os passivos jurídicos que o governo poderia enfrentar frente às operadoras já autorizadas.
Na véspera do anúncio presidencial, na quinta-feira (24), nove entidades representativas do setor licenciado divulgaram um manifesto conjunto em defesa do mercado regulado. Assinado por associações como IBJR, IBJL, ABRAJOGO, SINDIBETS e outras, o documento argumenta que a proibição não elimina a demanda por apostas, mas a empurra para sites ilegais — sem controle de CPF, sem bloqueio de beneficiários de programas sociais e sem mecanismos de proteção ao apostador. "Proibir não vai proteger a Sociedade. A demanda legalizada migra para sites ilegais", afirma o manifesto. As entidades pedem ao Executivo e ao Congresso "serenidade, diálogo e responsabilidade institucional", propondo como alternativa o fortalecimento da fiscalização e o combate ao mercado ilegal em vez da extinção do mercado autorizado.
| Atributo | Informação |
|---|---|
| Órgão | Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) |
| Criação | Início de 2024 |
| Vinculação | Ministério da Fazenda |
| Servidores previstos | 38 |
| Servidores atuais | Superior a 38 (até 50) |
| Origem dos servidores | Ministério da Fazenda, Justiça, Esporte e Casa Civil |
| Arrecadação anual prevista | R$ 2,5 bilhões |
| Atribuições | Regulamentação, monitoramento, fiscalização, autorização de apostas online e loterias |
O que isso muda na regulação
- A possível extinção da SPA sinalizaria um cenário de proibição total das apostas online no Brasil, eliminando a arrecadação prevista de R$ 2,5 bilhões anuais e colocando em xeque investimentos já feitos pelas operadoras licenciadas.
- Caso as apostas sejam proibidas, a estrutura da secretaria (38 a 50 servidores) seria reduzida ou extinta, mantendo apenas funções de fiscalização de irregularidades e administração de loterias.
- O cenário reflete uma disputa política sobre o modelo regulatório: o governo avalia restrições ou proibição, enquanto entidades do setor defendem aprimoramento da regulação e combate ao mercado ilegal como alternativa.
Entenda os termos
- Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA)
- Órgão federal criado em 2024, vinculado ao Ministério da Fazenda, responsável por regulamentar, monitorar, fiscalizar e autorizar a operação do mercado de apostas online no Brasil.
- Medida Provisória (MP)
- Instrumento jurídico editado pelo Presidente da República que tem força de lei imediata, mas depende de aprovação do Congresso Nacional para se tornar definitiva.
- Advocacia-Geral da União (AGU)
- Órgão responsável pela representação e defesa jurídica da União Federal, que analisa a viabilidade legal de atos do governo.
- Mercado ilegal de apostas
- Operação de sites e plataformas de apostas sem autorização do Estado, funcionando sem controle, fiscalização ou proteção ao apostador.
A apuração inicial deste fato é de iGaming Brazil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



