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Regulação

STF suspende julgamento sobre jogos de azar após pedido de vista de Flávio Dino

Ministro acompanhou o voto do relator Luiz Fux pela manutenção da criminalização, mas quer incluir o debate sobre bets no processo. Retomada só deve ocorrer no início de 2027.

STF suspende julgamento sobre jogos de azar após pedido de vista de Flávio Dino

Imagem ilustrativa gerada por IA

O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa a constitucionalidade da criminalização dos jogos de azar foi suspenso na última quinta-feira (6) após pedido de vista do ministro Flávio Dino. Antes de fazer o pedido, Dino havia acompanhado o voto do relator do caso, o ministro Luiz Fux, que se posicionou pela manutenção da proibição. Com a suspensão, a discussão sobre o tema deverá ser retomada apenas no início de 2027.

Por que Dino pediu vista?

Embora tenha votado no mesmo sentido que Fux, Dino defendeu que a decisão final do tribunal deixe explícito que loterias, apostas de quota fixa (bets) e outras modalidades autorizadas por lei configuram exceções à regra proibitiva. O ministro também propôs que o tema das bets fosse formalmente incorporado ao Recurso Extraordinário 966177 — o processo em análise —, argumentando que o próprio relatório de Fux já tratava amplamente das apostas esportivas. Para Dino, o ideal seria que todos os processos em tramitação no STF relacionados ao setor fossem analisados em conjunto, a fim de evitar decisões contraditórias. Como a inclusão do tema não seria viável durante a sessão, optou pelo pedido de vista. "Se jogo de azar é contravenção, bet também é? Temos de explicar isso. Estamos tratando de jogos de azar, menos bets? Por quê?", questionou. "Isso é importante para a compreensão", concluiu.

O voto de Luiz Fux

Ao apresentar seu relatório, Fux mesclou dados sobre jogos de azar presenciais com informações sobre o comportamento de usuários de plataformas de apostas online, defendendo que a contravenção penal prevista no artigo 50 da Lei das Contravenções Penais foi recepcionada pela Constituição de 1988. A tese fixada por ele foi: "A contravenção de exploração de jogos de azar prevista no art. 50 da Lei das Contravenções Penais na forma dos decretos foi recepcionada pela Constituição de 1988". O ministro descartou o argumento de que a proibição estaria fundada em valores morais ou religiosos, sustentando que a norma protege bens jurídicos constitucionais como a autonomia individual, a saúde, o patrimônio e o bem-estar social. Fux também citou estudos e afirmou que "os jogos de azar extraem o lucro a partir da incapacidade cognitiva do sujeito de fazer uma avaliação dos riscos envolvidos em sua decisão. Há uma estrutura de sedução para que mesmo perdendo o apostador continue compulsivamente até virar o jogo". O relator ainda associou a atividade a organizações criminosas na exploração clandestina e fez menções — contestadas por não apresentarem sustentação — ao aumento de casos de violência doméstica, suicídios e privação de alimentos decorrentes do vício em apostas, além de alertar para o acesso por menores de idade.

Toffoli alerta para o risco da proibição total

O ministro Dias Toffoli adotou uma posição distinta ao destacar o crescimento dos sites clandestinos de apostas e os riscos de uma proibição irrestrita. "Se você proíbe tudo, vai para a ilegalidade. E a ilegalidade é pior, porque o Estado não tem controle", afirmou. Toffoli mencionou ainda um estudo recebido de uma instituição financeira segundo o qual, entre os 20 maiores recebedores de Pix da entidade, 15 são de bets ilegais — dado que ilustra a dimensão do mercado não regulado. O debate no STF ocorre em paralelo ao processo de regulamentação das apostas esportivas no Brasil, conduzido pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, que desde 2025 passou a licenciar operadoras e estabelecer regras para o funcionamento legal do setor. A definição de balizas claras pelo tribunal, portanto, tem implicações diretas tanto para o mercado regulado quanto para o combate à operação clandestina.

Fonte original
Com informações de iGaming Business Brasil →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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