Pesquisa mostra que proibição das bets mudou só 1% dos votos e empurrou apostadores à ilegalidade
Levantamento da Nexus encomendado pela ANJL aponta que a MP 1.394/2026 não converteu eleitores indecisos, afastou um em cada cinco apostadores para o mercado ilegal e deixou 38% dos brasileiros sem representação política no 2º turno.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Uma pesquisa da Nexus encomendada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) revela que a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil, produziu efeito eleitoral marginal e aprofundou o problema que prometia resolver. Entre os eleitores que sabiam da proibição e votaram no 1º turno das eleições, apenas 6% afirmaram ter mudado de candidato em razão da medida — o equivalente a cerca de 1% do eleitorado total. Para o 2º turno, 77% dos entrevistados disseram que o tema não terá nenhuma influência sobre sua escolha de voto.
O levantamento também revela que, entre os eleitores que admitem algum efeito eleitoral da proibição, 80% afirmam que ela apenas reforça uma decisão já tomada — ou seja, a medida falou, sobretudo, a quem já estava convencido. O grupo mais receptivo à proibição coincide com o que registra maior aprovação da medida (74%) e perfil alinhado à agenda governista. Com um 2º turno empatado em 50% dos votos válidos, segundo levantamento do Datafolha de 22 de outubro, o cenário aponta para uma aposta eleitoral de baixo retorno.
Apostadores migraram para o mercado ilegal
O dado considerado mais preocupante pelo estudo é comportamental, não eleitoral. Antes da edição da MP, 18% dos entrevistados apostavam em sites ou aplicativos de bets. Após a proibição, 4% da amostra declararam continuar apostando em plataformas que ainda permanecem acessíveis — e mais da metade desse grupo (52%) utiliza o mesmo site que usava antes. Os pesquisadores advertem que o número provavelmente está subestimado, já que poucos entrevistados admitem, por telefone, uma prática que passou a ser ilegal. A migração para o mercado clandestino significa que esses apostadores deixaram de contar com salvaguardas previstas na regulação de 2025, como limites de depósito, mecanismos de autoexclusão, verificação de identidade e canais de reclamação, enquanto o Estado perdeu a arrecadação e a capacidade de fiscalização sobre esse público.
38% dos brasileiros querem regulação, não proibição
A pesquisa registra que 59% dos brasileiros são favoráveis à manutenção da proibição — mas o número caiu em relação aos 75% de apoio identificados em setembro pela Atlas/Bloomberg, antes da entrada em vigor da MP. Quando apresentados à possibilidade de retorno das bets com regras mais rígidas e maior fiscalização, 32% dos entrevistados preferem essa opção. Somados aos 6% que defendem o retorno nas condições anteriores, chega-se a 38% dos brasileiros — e 55% dos apostadores — favoráveis à retomada da atividade de alguma forma. Entre os evangélicos, público que o governo esperava angariar com a medida, o apoio à proibição (55%) ficou abaixo da média nacional, e 43% querem as bets de volta.
Impactos além das urnas
A Nexus estima que cerca de 5% do eleitorado permanece sensível ao tema: eleitores que podem mudar de voto, que ainda não decidiram ou que ficaram em dúvida. Os grupos mais afetados são os jovens de 16 a 24 anos — 30% deles dizem que a proibição pesará na decisão —, além de apostadores e torcedores de futebol. A pesquisa também aponta efeitos indiretos sobre temas com maior peso eleitoral: a arrecadação perdida comprometia fundos como o da Polícia Federal, área citada por 38% dos eleitores como prioridade; e o fortalecimento do mercado ilegal amplia o espaço de atuação do crime organizado. Clubes, emissoras e trabalhadores do setor também acumulam perdas de receita e empregos desde a vigência da MP, que entrou em vigor em 25 de setembro de 2026 e aguarda aprovação do Congresso Nacional para ser convertida em lei.
| Indicador | Percentual | Detalhamento |
|---|---|---|
| Eleitores que mudaram de candidato por causa da proibição das bets (1º turno) | 6% | Representa cerca de 1% do eleitorado total |
| Eleitores que dizem que o tema não terá influência no 2º turno | 77% | Entre os que votaram no 1º turno e sabiam da proibição |
| Influenciados que reforçam escolha já feita | 80% | Entre aqueles que admitem algum efeito da proibição |
| Apostadores antes da MP | 18% | Da amostra entrevistada |
| Apostadores continuando em sites após a MP | 4% | Da amostra, equivalente a 1 em cada 5 ex-apostadores |
| Ex-apostadores usando mesmo site de antes | 52% | Entre os que continuam apostando ilegalmente |
| Apoio à manutenção da proibição | 59% | Queda de 75% em setembro (Atlas/Bloomberg) |
| Preferência por retorno com regras mais rígidas e fiscalização | 32% | Dos brasileiros |
| Apoio ao retorno nas regras anteriores | 6% | Dos brasileiros |
| Favor do retorno das apostas em alguma forma | 38% | Dos brasileiros; 55% entre apostadores |
| Apoio à proibição entre evangélicos | 55% | Abaixo da média geral; 43% querem bets de volta |
| Evangélicos influenciados ainda em dúvida no 2º turno | 11% | Maior índice entre grupos religiosos |
| Eleitores com voto aberto ao tema | 5% | Podem mudar de candidato, decidir ou estão em dúvida |
| Jovens de 16 a 24 anos dizendo que proibição pesará no voto | 30% | Grupo mais sensível ao tema |
| Eleitores citando segurança pública como prioridade | 38% | Tema afetado pela perda de recursos da arrecadação das bets |
O que isso diz sobre o mercado
- A proibição das bets (MP nº 1.394) não conquistou votos — apenas 1% do eleitorado mudou de candidato por causa dela — mas deslocou 20% dos apostadores para a ilegalidade, onde perderam toda proteção regulatória (limite de depósito, autoexclusão, verificação de identidade) e o Estado deixou de arrecadar e fiscalizar.
- Em eleição empatada, 38% dos eleitores (55% entre apostadores) favorecem o retorno das bets com regras mais rígidas, mas nenhuma campanha os representa, deixando aberto um flanco de aproximadamente 5% do eleitorado com voto em aberto, particularmente jovens (30%), apostadores e torcedores de futebol.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato normativo com força de lei editado pelo Poder Executivo em caso de relevância e urgência, que entra em vigor imediatamente mas precisa ser convertida em lei pelo Congresso Nacional em até 60 dias, prorrogáveis por mais 60.
- Autoexclusão
- Ferramenta de proteção ao apostador que permite o bloqueio voluntário e temporário ou permanente da conta para evitar acesso ao site ou app de apostas.
- Jogo responsável
- Conjunto de medidas e compromissos das operadoras de apostas voltados para prevenir e mitigar problemas relacionados ao vício em jogo, como limite de depósito, verificação de identidade e canal de reclamação.
- Mercado ilegal
- Operação de apostas sem autorização ou controle regulatório, onde as operadoras não pagam impostos, não estão sujeitas à fiscalização do Estado e não seguem regras de proteção ao apostador.
A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



