Pesquisa Nexus: 59% apoiam proibição definitiva das bets, mas tema pesa pouco nas eleições
Levantamento encomendado pela ANJL ouviu 2 mil brasileiros e mostra que a maioria é favorável ao fim das apostas, mas 77% afirmam que a decisão do governo não mudará seu voto no segundo turno.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Uma pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, encomendada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), constatou que 59% dos brasileiros são favoráveis à proibição definitiva das apostas esportivas e dos cassinos online. O estudo ouviu 2 mil pessoas por telefone entre os dias 18 e 21 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Apesar do apoio majoritário à medida, 32% dos entrevistados defenderam a retomada das operações com regras mais rígidas e maior fiscalização, enquanto 6% preferiram o retorno ao modelo anterior à proibição e 3% não souberam responder.
O suporte à proibição definitiva foi mais expressivo entre pessoas com ensino superior (66%), mulheres (64%) e jovens de 16 a 24 anos (63%). Já entre os entrevistados que apostavam antes da entrada em vigor da Medida Provisória nº 1.394/2026 — editada em 25 de setembro de 2026 e que vedou as apostas de quota fixa no país —, o cenário foi diferente: 43% desse grupo defenderam a manutenção do veto, 45% apoiaram a volta com regras mais duras e 10% optaram pelo retorno às condições anteriores. Entre os não apostadores, o apoio à proibição definitiva chegou a 63%.
Apesar da ampla repercussão do tema — 90% dos entrevistados afirmaram ter visto, lido ou ouvido informações sobre apostas durante a campanha presidencial —, o assunto demonstrou peso limitado nas urnas. Para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 25 de outubro, 77% dos entrevistados declararam que a decisão do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não influenciará seu voto. Apenas 22% reconheceram alguma influência, sendo 14% muito e 8% um pouco. Entre os 426 entrevistados que admitiram algum impacto eleitoral, 80% afirmaram que a proibição apenas reforçou uma escolha já feita, e somente 2% disseram que pretendem mudar de candidato por causa da medida. Lula disputa o segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O padrão se repetiu ao analisar o primeiro turno, realizado em 4 de outubro: entre os que votaram e tinham conhecimento da proibição, 82% afirmaram que ela não afetou sua decisão. Dos que reconheceram alguma influência, 84% disseram que a medida apenas reforçou uma preferência anterior, e apenas 6% declararam ter trocado de candidato em função do tema. A influência declarada no segundo turno foi maior entre jovens de 16 a 24 anos (30%), pessoas com renda familiar de até um salário mínimo (29%) e moradores do Nordeste (26%).
No ranking de prioridades eleitorais, as apostas ficaram bem abaixo dos temas tradicionais: somente 14% classificaram o assunto como um dos mais importantes da eleição, e apenas 9% o mencionaram entre os três temas de maior peso em sua decisão de voto. Saúde e atendimento no SUS lideraram essa lista, citados por 43% dos entrevistados, seguidos por segurança pública (38%) e o fim da escala de trabalho 6×1 (27%). A pesquisa também revelou uma queda no número de pessoas que declaram apostar: antes da MP, 18% afirmavam usar sites ou aplicativos de apostas; após a proibição, esse percentual caiu para 4% — sendo que, desse grupo, 52% continuaram nos mesmos sites de antes e 43% migraram para plataformas diferentes.
| Posição | Total de entrevistados (%) | Apostadores antes da MP 1.394 (%) | Não apostadores (%) |
|---|---|---|---|
| Proibição definitiva | 59 | 43 | 63 |
| Retomada com regras mais rígidas | 32 | 45 | não informado |
| Retorno às condições anteriores | 6 | 10 | não informado |
| Não souberam responder | 3 | não informado | não informado |
Por que isso importa
- A pesquisa evidencia que a proibição das bets, embora aprovada por maioria significativa (59%), teve impacto limitado nas decisões eleitorais: 77% dos entrevistados afirmaram que a medida não influenciou seu voto no segundo turno presidencial.
- Entre apostadores anteriores à MP 1.394, a população divide-se: 43% apoiam a manutenção da proibição, enquanto 45% preferem o retorno com regras mais rígidas, mostrando que nem todos os afetados opõem-se à interdição.
- Apenas 4% dos entrevistados declararam ter apostado após a proibição, contra 18% que apostavam antes, sinalizando redução de 78% na declaração de uso de plataformas — embora 52% dos que continuaram apostando utilizaram os mesmos sites.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026
- Ato normativo que proibiu as apostas de quota fixa (apostas esportivas e cassino online) no Brasil a partir de 25 de setembro de 2026, com extinção de todas as autorizações da SPA em 25 de outubro de 2026.
- SPA
- Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, órgão responsável pela regulamentação e autorização das operações de apostas de quota fixa no Brasil.
A apuração deste fato é de SBC Notícias Brasil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



