Lula reúne ministros para discutir impacto das bets e isenção de importações
Encontro reservado no Palácio da Alvorada tratou de duas pautas urgentes: a regulação das apostas online e o risco de retorno do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência na tarde desta terça-feira (18) para discutir dois temas que pressionam o governo federal: o impacto social das apostas esportivas online e o futuro da isenção tributária sobre importações de baixo valor. O encontro ocorreu no Palácio da Alvorada, fora da agenda oficial, e reuniu o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Dario Durigan (Fazenda), José Guimarães (Relações Institucionais), Wellington César Lima e Silva (Justiça), Bruno Moretti (Planejamento), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Miriam Belchior (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social).
No campo tributário, o Executivo enfrenta um prazo apertado no Congresso Nacional. Caso os parlamentares não aprovem a Medida Provisória nº 1.357/2026, que zera a alíquota sobre compras internacionais de até US$ 50, o imposto de 20% — popularmente conhecido como "taxa das blusinhas" — volta a ser cobrado a partir de 9 de setembro. Na última rodada de votações no Legislativo, a MP foi a única prioridade que não avançou, em razão de divergências entre líderes partidários para a definição do presidente e do relator da comissão mista responsável pela análise da proposta.
Quanto ao mercado de bets, Lula tem adotado publicamente um discurso crítico ao setor, chegando a defender o encerramento das atividades e a sinalizar que o assunto integrará sua campanha de reeleição. O presidente, no entanto, reconheceu que não determinou a proibição total porque, em suas próprias palavras, não é o "dono do Brasil". Mesmo sem vedação, o cerco regulatório segue se apertando: em julho, o Ministério da Fazenda publicou uma portaria com regras mais rígidas para a publicidade das operadoras. Inspiradas nas advertências dos maços de cigarro, as propagandas passaram a ser obrigadas a exibir mensagens claras ao consumidor — alertando, por exemplo, que a atividade não é um investimento, que apostar implica perda de dinheiro e que o uso descontrolado pode gerar dependência.
Apesar da postura crítica, o governo colhe uma arrecadação expressiva do setor. No primeiro semestre de 2026, as bets foram um dos principais fatores por trás do ingresso adicional de R$ 18,1 bilhões nos cofres públicos. Com a nova tributação incidente sobre a Receita Bruta de Jogos (Gross Gaming Revenue — GGR), o recolhimento das operadoras saltou de R$ 3,8 bilhões nos seis primeiros meses de 2025 para R$ 7,3 bilhões no mesmo intervalo deste ano. Parte desses recursos financia políticas públicas diversas e, mais recentemente, passou a ser direcionada também ao Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal (Funapol).
O cenário coloca o governo diante de um dilema de difícil equacionamento: de um lado, a pressão social e política para restringir as apostas online; de outro, uma receita bilionária que já está incorporada ao financiamento de programas e órgãos federais. A reunião desta terça-feira indica que o Palácio do Planalto busca alinhar um discurso unificado e definir estratégias para navegar esse imbróglio tanto no campo legislativo quanto no regulatório.
| Período | Arrecadação (R$ bilhões) |
|---|---|
| 1º semestre 2025 | 3,8 |
| 1º semestre 2026 | 7,3 |
O que muda para o apostador
- A discussão sobre regulação mais rigorosa das bets (restrições publicitárias, mensagens de alerta) não afeta de imediato o apostador cadastrado, mas sinaliza pressão do governo para reduzir o alcance de propagandas do setor e desestimular novas adesões.
- Os recursos arrecadados das operadoras de apostas (R$ 7,3 bilhões no 1º semestre de 2026) financiam políticas públicas e órgãos como a Polícia Federal, o que significa que o modelo tributário atual depende da continuidade das operadoras — qualquer proibição teria impacto fiscal significativo.
Entenda os termos
- GGR (Gross Gaming Revenue)
- Receita bruta de jogos (apostas): diferença entre o total apostado e o total pago em prêmios aos apostadores, sobre a qual incidem os impostos federais.
- Medida Provisória (MP)
- Ato normativo editado pelo Executivo com força de lei, que entra em vigor imediatamente e deve ser apreciada pelo Congresso Nacional em até 60 dias.
- Taxa de importação / alíquota
- Percentual de imposto cobrado sobre o valor de produtos importados do exterior; neste caso, 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.
A apuração inicial deste fato é de iGaming Brazil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



