Lula reúne ministros para discutir impacto das bets e isenção de importações
Encontro reservado no Palácio da Alvorada tratou de duas pautas urgentes: a regulação das apostas online e o risco de retorno do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50.
Publicada em 19 de agosto de 2026, antes da MP 1.394, que proibiu as apostas de quota fixa em 25/09/2026. O cenário descrito pode ter mudado. Veja o que mudou
Imagem ilustrativa gerada por IA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência na tarde desta terça-feira (18) para discutir dois temas que pressionam o governo federal: o impacto social das apostas esportivas online e o futuro da isenção tributária sobre importações de baixo valor. O encontro ocorreu no Palácio da Alvorada, fora da agenda oficial, e reuniu o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Dario Durigan (Fazenda), José Guimarães (Relações Institucionais), Wellington César Lima e Silva (Justiça), Bruno Moretti (Planejamento), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Miriam Belchior (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social).
No campo tributário, o Executivo enfrenta um prazo apertado no Congresso Nacional. Caso os parlamentares não aprovem a Medida Provisória nº 1.357/2026, que zera a alíquota sobre compras internacionais de até US$ 50, o imposto de 20% — popularmente conhecido como "taxa das blusinhas" — volta a ser cobrado a partir de 9 de setembro. Na última rodada de votações no Legislativo, a MP foi a única prioridade que não avançou, em razão de divergências entre líderes partidários para a definição do presidente e do relator da comissão mista responsável pela análise da proposta.
Quanto ao mercado de bets, Lula tem adotado publicamente um discurso crítico ao setor, chegando a defender o encerramento das atividades e a sinalizar que o assunto integrará sua campanha de reeleição. O presidente, no entanto, reconheceu que não determinou a proibição total porque, em suas próprias palavras, não é o "dono do Brasil". Mesmo sem vedação, o cerco regulatório segue se apertando: em julho, o Ministério da Fazenda publicou uma portaria com regras mais rígidas para a publicidade das operadoras. Inspiradas nas advertências dos maços de cigarro, as propagandas passaram a ser obrigadas a exibir mensagens claras ao consumidor — alertando, por exemplo, que a atividade não é um investimento, que apostar implica perda de dinheiro e que o uso descontrolado pode gerar dependência.
Apesar da postura crítica, o governo colhe uma arrecadação expressiva do setor. No primeiro semestre de 2026, as bets foram um dos principais fatores por trás do ingresso adicional de R$ 18,1 bilhões nos cofres públicos. Com a nova tributação incidente sobre a Receita Bruta de Jogos (Gross Gaming Revenue — GGR), o recolhimento das operadoras saltou de R$ 3,8 bilhões nos seis primeiros meses de 2025 para R$ 7,3 bilhões no mesmo intervalo deste ano. Parte desses recursos financia políticas públicas diversas e, mais recentemente, passou a ser direcionada também ao Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal (Funapol).
O cenário coloca o governo diante de um dilema de difícil equacionamento: de um lado, a pressão social e política para restringir as apostas online; de outro, uma receita bilionária que já está incorporada ao financiamento de programas e órgãos federais. A reunião desta terça-feira indica que o Palácio do Planalto busca alinhar um discurso unificado e definir estratégias para navegar esse imbróglio tanto no campo legislativo quanto no regulatório.
O que isso muda na regulação
- O governo enfrenta pressão do Congresso para aprovar a isenção de importação antes de 9 de setembro, quando a taxa de 20% retorna automaticamente; o impasse legislativo atual ameaça fracassar a votação de novo.
- A reunião sinaliza tensão entre a postura pública crítica do presidente contra as bets e a dependência fiscal real do governo da arrecadação bilionária do setor — em 2026, o recolhimento praticamente dobrou em relação a 2025.
- Sem proibição formal, o governo aperta o cerco regulatório por portarias (publicidade restrita, advertências obrigatórias), mas mantém a tributação agressiva, criando um cenário de regulação severa e arrecadação crescente simultaneamente.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato normativo editado pelo Presidente da República que tem força de lei, mas precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional em prazo determinado para continuar válido.
- GGR (Gross Gaming Revenue)
- Receita bruta dos jogos, ou seja, o total arrecadado pelas operadoras de apostas antes de custos e despesas operacionais.
- Alíquota
- Percentual ou taxa aplicada sobre um valor para cálculo de um tributo ou imposto.
A apuração deste fato é de iGaming Brazil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



