Atualizado 3× ao dia · Apostas proibidas pela MP 1.394: veja os prazos
Regulação

Fux avalia adiar decisão sobre MP das apostas para após o segundo turno

Ministro do STF quer evitar acusações de interferência política. Clubes e entidades do setor pressionam pela derrubada da medida, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro monitora o desgaste de Lula.

Fux avalia adiar decisão sobre MP das apostas para após o segundo turno

Imagem ilustrativa gerada por IA

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), estuda postergar a decisão sobre a validade da Medida Provisória nº 1.394 — que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil — para depois do segundo turno das eleições presidenciais. Segundo apuração do colunista Cézar Feitosa, do UOL, a avaliação de Fux é que julgar o tema antes do pleito poderia render acusações de que o ministro estaria agindo em favor de algum dos candidatos à Presidência da República.

A postura do ministro, no entanto, é alvo de pressão intensa. Clubes de futebol e associações ligadas a emissoras de televisão defendem a derrubada da MP ainda nesta semana, argumentando que a medida rompeu contratos publicitários e gerou insegurança jurídica nos setores de comunicação e esporte. A rodada do Campeonato Brasileiro iniciada na quarta-feira (7/10) deve servir de palco para manifestações: segundo informação que chegou a integrantes do governo e foi discutida no comitê de crise instalado na Casa Civil, jogadores de times com grande torcida devem entrar em campo com camisas estampando o slogan "proibir não é proteger", frase que também deverá aparecer nas placas de publicidade ao redor dos gramados. Um ponto específico de atenção do governo é o São Paulo Futebol Clube, que avalia exibir nos uniformes a marca da Superscore — plataforma de dados esportivos pertencente ao mesmo grupo controlador da Superbet, patrocinadora do clube.

O prolongamento da disputa judicial também interessa à campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisas qualitativas internas encomendadas pelo candidato apontaram que a MP assinada pelo presidente Lula (PT) tem potencial de reduzir o apoio ao petista. A avaliação da campanha é que o intervalo de 21 dias entre os dois turnos, marcado por protestos de times de futebol, influenciadores e canais de televisão, pode aprofundar esse desgaste. Um aliado de Flávio relatou ao UOL que os próprios clubes comunicaram à campanha a intenção de protestar durante os jogos desta semana.

No campo jurídico, os dois lados apresentaram seus argumentos a Fux. A Advocacia-Geral da União (AGU), chefiada pelo ministro Jorge Messias, protocolou petição pedindo que o ministro rejeite os recursos das associações do setor e mantenha a proibição em vigor. Messias invocou dados sobre dependência de apostas registrados no Sistema Único de Saúde (SUS) e um estudo — já contestado pelo FactCheck BNLData — segundo o qual as bets teriam retirado R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025, classificando o problema como um "dragão indomável" e argumentando que a legislação anterior era incompatível com a defesa da dignidade humana, da saúde pública e da segurança financeira das famílias.

Do lado contrário, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) apresentaram petição conjunta sustentando que o banimento por medida provisória é inconstitucional. As entidades argumentam que "a mudança abrupta implementada pela Medida Provisória deveria ser acompanhada de demonstração concreta das razões que justificariam abandonar, total ou parcialmente, política que o mesmo Poder Executivo vinha aprofundando até poucas semanas antes". A MP 1.394, assinada em 25 de setembro de 2026, vedou novos depósitos imediatamente, com previsão de encerramento dos sites em 5 de outubro e extinção de todas as autorizações da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) em 25 de outubro. A medida vale por 60 dias, prorrogáveis por mais 60, e ainda depende de aprovação do Congresso Nacional para se converter em lei.

Análise BetNotícias

O que está em jogo

  • A decisão do STF sobre a validade da MP 1.394 está suspensa até após o segundo turno das eleições (29 de outubro), mantendo a proibição das apostas em vigor enquanto o tribunal evita acusações de politização.
  • Clubes de futebol já organizam protestos durante o Campeonato Brasileiro com camisas e placas exibindo 'proibir não é proteger', na tentativa de pressionar judicialmente a reconsideração da medida ainda nesta semana.
  • A campanha de Flávio Bolsonaro se beneficia do adiamento, pois pesquisas internas indicam que a MP prejudica votos de Lula, e a demora permite que manifestações de times ampliem este desgaste antes do segundo turno.

Entenda os termos

Medida Provisória (MP)
Ato do Poder Executivo que tem força de lei imediatamente, mas depende de aprovação do Congresso em até 60 dias (prorrogáveis por mais 60) para permanecer válida.
Segundo turno das eleições presidenciais
Fase final da eleição presidencial que ocorre quando nenhum candidato obtém 50% dos votos válidos no primeiro turno; em 2026, previsto para 29 de outubro.
Recurso judicial
Pedido formal apresentado a um tribunal para que revise ou derrube uma decisão anterior ou ato da administração.
Inconstitucionalidade
Argumento de que uma lei ou ato normativo viola princípios ou direitos previstos na Constituição.
Fonte original
Com informações de BNLData →

A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.

18+ Conteúdo informativo. Desde 25/09/2026, as apostas de quota fixa estão proibidas no Brasil (MP 1.394). O BetNotícias não opera nem indica apostas. Se o jogo trouxe prejuízo, procure o CAPS mais próximo ou ligue 188 (CVV).