Flamengo avalia estampar frase contra MP das Bets no uniforme para jogo contra o Santos
Clube estuda exibir a mensagem "Proibir não é proteger" na partida desta quinta-feira (8), em movimento que reflete o impacto da Medida Provisória nº 1.394 sobre o futebol brasileiro.
Foto: Sami TÜRK / Pexels
O Flamengo analisa a possibilidade de entrar em campo com uma mensagem de protesto contra a MP das Bets estampada no uniforme utilizado diante do Santos, nesta quinta-feira (8). Segundo o jornal Lance!, a frase em avaliação pelo clube é "Proibir não é proteger" — slogan que integra um manifesto elaborado pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), em conjunto com empresas que detinham autorização para operar no mercado brasileiro de apostas.
A frase já circulou por outros estádios do futebol nacional. Ela apareceu em painéis publicitários no Morumbis durante o clássico entre São Paulo e Santos, e voltou a ser exibida na partida entre Atlético-MG e Red Bull Bragantino. O manifesto das entidades defende que a retirada das plataformas legalizadas não encerra as apostas no país, mas pode redirecionar os usuários para sites clandestinos — que operam sem os mecanismos de fiscalização e proteção ao consumidor presentes no mercado regulado, como verificação de idade e CPF, sistema de autoexclusão e restrições a beneficiários de programas sociais.
A Medida Provisória nº 1.394, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro de 2026, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil, incluindo apostas esportivas e cassinos online. O impacto sobre o futebol é direto: na data de publicação da MP, 14 dos 20 clubes da Série A tinham empresas do setor como patrocinadoras master. Com a vigência imediata da medida, os contratos ativos impõem a retirada das marcas das camisas dentro dos prazos estabelecidos. A MP tem validade inicial de 60 dias, prorrogável por mais 60, e ainda depende de aprovação do Congresso Nacional.
O governo federal sustenta que a proibição integra uma estratégia de combate ao endividamento das famílias brasileiras e aos danos associados ao vício em jogos. O setor, por sua vez, contrapõe com propostas alternativas: fiscalização mais rigorosa, limites para depósitos e tempo de uso, regras mais restritivas para publicidade e ações direcionadas ao mercado ilegal. O manifesto da ANJL e do IBJR alerta, ainda, que a expansão das plataformas clandestinas pode ampliar a exposição dos usuários a fraudes e golpes, argumento central na resistência do setor à medida.
O que está em jogo
- O material reflete disputa estratégica em torno da MP 1.394: enquanto o setor e seus aliados (incluindo clubes) questionam a eficácia da proibição e apontam risco de migração para o ilegal, o governo baseia a medida em proteção ao endividamento familiar — ambas posições sem resolução até decisão do Congresso.
- Clubes como o Flamengo usam o uniforme como plataforma para contestação política da proibição, sinalizando que a pressão do setor de apostas sobre o futebol mantém-se ativa mesmo após a MP, na tentativa de influenciar a votação no Congresso.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato normativo com força de lei editado pelo presidente em caso de relevância e urgência, que vigorando imediatamente mas depende de aprovação do Congresso Nacional para se tornar permanente.
- Autoexclusão
- Recurso que permite ao apostador se bloquear voluntariamente do acesso à plataforma por período determinado como proteção ao endividamento.
- Apostas de quota fixa
- Modalidade de aposta na qual o jogador conhece previamente a razão de ganho ou perda — diferentemente das apostas de câmbio, onde o valor depende da quantidade de outros apostadores.
- Plataformas clandestinas
- Sites de apostas que operam sem autorização regulatória, não submetidos à fiscalização do Estado nem às obrigações de proteção ao usuário.
A apuração deste fato é de iGaming Brazil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



