📅 Atualizado 3× ao dia · Mercado regulado pela SPA/MF
Leaderboard 728×90
Regulação

Facções criminosas movimentaram R$ 7 bi em bets ilegais em cinco estados, aponta levantamento

PCC e Comando Vermelho teriam usado plataformas clandestinas de apostas para lavar dinheiro desde 2021, recrutando 31 influenciadores digitais como "rostos" das operações.

Facções criminosas movimentaram R$ 7 bi em bets ilegais em cinco estados, aponta levantamento

Imagem ilustrativa gerada por IA

Um levantamento realizado pela Polícia Civil e pelos Ministérios Públicos de cinco estados brasileiros, a pedido da revista Veja, indica que organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) movimentaram cerca de R$ 7 bilhões (aproximadamente US$ 1,4 bilhão) por meio de plataformas clandestinas de apostas online desde 2021. As investigações abrangem operações nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

Segundo as autoridades, as facções recrutaram 31 influenciadores digitais de nichos variados — como funk, moda e fitness — para promover casas de apostas controladas por empresas de fachada. O papel dessas celebridades era atrair apostadores ao exibir um estilo de vida luxuoso e prometer ganhos fáceis nas plataformas ilegais. Na prática, os valores perdidos pelos jogadores eram divididos com os influencers, e o dinheiro restante retornava às organizações criminosas por meio de fintechs, laranjas, empresas de fachada e criptomoedas, conforme relataram os investigadores.

Os delegados e promotores envolvidos nas apurações destacaram dois obstáculos centrais para o combate ao esquema. O primeiro é a velocidade com que uma plataforma ilegal encerra suas atividades e outra é aberta em seu lugar. O segundo é a dependência de quebra de sigilo bancário para rastrear os recursos, um processo que consome tempo suficiente para que evidências sejam destruídas. "As quadrilhas mantêm com os influenciadores um elo 100% mercadológico, algo complexo de destrinchar", afirmou Renan Mello, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Na mesma linha, o promotor Flávio Duarte, do Ministério Público do Rio Grande do Sul, alertou: "Não adianta apenas tirar o influenciador do circuito, porque certamente vão encontrar outro que faça a mesma coisa. É preciso alcançar o andar de cima."

O cenário exposto pelas investigações ocorre em meio ao processo de regulamentação do mercado de apostas esportivas no Brasil, que passou a exigir licenças operacionais a partir de 2025, sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. A regulação criou um marco legal mais rígido, mas também evidenciou a persistência de operadores clandestinos que buscam escapar do controle estatal. De acordo com o Ministério da Fazenda, somente em 2026 já foram derrubados 243 aplicativos de apostas ilegais, e cerca de 1.000 perfis de influenciadores que promoviam sites não licenciados foram retirados do ar.

A atuação coordenada entre Polícia Civil e Ministérios Públicos em múltiplos estados sinaliza um esforço crescente para alcançar não apenas os elos visíveis do esquema — como os influenciadores —, mas as cúpulas das organizações criminosas que comandam as plataformas ilegais. O caso do influenciador Buzeira, que recebeu liberdade provisória da Justiça Federal após ser suspeito de envolvimento com jogos ilegais, ilustra a complexidade jurídica dessas persecuções.

Análise BetNotícias

O que isso muda na regulação

  • Organizações criminosas lavaram R$ 7 bilhões através de plataformas ilegais de apostas desde 2021, usando influenciadores digitais como intermediários para atrair apostadores e disfarçar a origem do dinheiro.
  • O circuito opera com plasticidade: casas fecham e abrem rapidamente, o dinheiro passa por estruturas complexas (fintechs, contas laranjas, criptomoedas), e remover influenciadores não desestrutura a rede — autoridades apontam necessidade de atingir a liderança das facções.
  • Em 2026, o Ministério da Fazenda removeu 243 aplicativos ilegais e 1.000 perfis de influenciadores, mas investigadores indicam que esse modelo de combate por 'sintomas' é insuficiente contra a replicação rápida de plataformas.

Entenda os termos

Bets ilegais
Plataformas de apostas online que operam sem licença da SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas), em violação à legislação brasileira de jogos.
Empresas de fachada
Empresas criadas apenas para simular operação lícita e servir como aparência legal para atividades criminosas subjacentes.
Quebra de sigilos bancários
Decisão judicial que autoriza investigadores a acessar informações confidenciais de contas e movimentações financeiras para fins de investigação criminal.
Fintechs e laranjas
Fintechs são empresas de tecnologia financeira; laranjas são pessoas físicas que emprestam seu nome e contas para movimentar dinheiro ilícito de terceiros.
Fonte original
Com informações de Focus Gaming News Brasil →

A apuração inicial deste fato é de Focus Gaming News Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

18+ Conteúdo informativo. Apostas são destinadas a maiores de 18 anos e envolvem risco financeiro. Jogue com responsabilidade. O BetNotícias não opera apostas nem faz indicação de casas.