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Regulação

AGU defende inconstitucionalidade da Lei das Apostas em ações no STF

A Advocacia-Geral da União mudou seu posicionamento e passou a defender que a Lei nº 14.790/2023 não oferece proteção suficiente à saúde física e financeira das famílias brasileiras.

AGU defende inconstitucionalidade da Lei das Apostas em ações no STF

Imagem ilustrativa gerada por IA

O Supremo Tribunal Federal analisa em conjunto três Ações Diretas de Inconstitucionalidade — ADIs 7.721, 7.723 e 7.749 — que colocam em xeque a validade da Lei nº 14.790/2023, responsável por regulamentar as apostas de quota fixa no Brasil. O relator das ações, ministro Luiz Fux, pediu que a Advocacia-Geral da União (AGU) se manifestasse sobre a legislação. Em resposta, a AGU, por meio de documento assinado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, declarou-se favorável à inconstitucionalidade da lei e de trechos da Lei nº 13.756/2018, que trata da destinação de recursos das loterias e apostas de quota fixa.

A posição representa uma virada em relação a manifestações anteriores da AGU, que, embora apontasse críticas pontuais à regulamentação, ainda a considerava constitucional. Agora, a entidade elenca quatro falhas centrais na legislação: ferramentas de proteção, como a autoexclusão, dependem da iniciativa do próprio apostador compulsivo — o que reduz sua eficácia; não há limites objetivos de perdas financeiras nem de tempo nas plataformas; modalidades como os crash games são apontadas como de alto potencial de dependência, por combinarem velocidade, aleatoriedade e estímulos intensos; e o mercado regulado competiria em desvantagem frente às plataformas clandestinas, que proliferam sem cumprir qualquer regra.

As ADIs 7.721 e 7.723 foram ajuizadas, respectivamente, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pelo partido Solidariedade, ambas com base no argumento de que as apostas online aprofundaram o endividamento das famílias brasileiras. Já a ADI 7.749, proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR), questiona o modelo de concessão das licenças: para a PGR, a atividade deveria ser classificada como serviço público e, portanto, estar sujeita a licitações, e não liberada mediante simples pagamento de outorga. A Procuradoria também contesta o processo legislativo, que utilizou emenda parlamentar, e defende que, caso a lei seja derrubada, as apostas retornem ao status de contravenção penal até que nova norma seja editada.

A Lei nº 14.790/2023 foi o marco que abriu caminho para a regulamentação do mercado de bets no Brasil, concluída ao longo de 2025 sob coordenação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. O setor, no entanto, voltou ao centro do debate político e jurídico em setembro de 2026, quando a Medida Provisória nº 1.394 proibiu as apostas de quota fixa — esportivas e de cassino online — no país, com vedação a novos depósitos a partir de 25 de setembro e extinção de todas as autorizações da SPA prevista para 25 de outubro. A MP, válida por 60 dias prorrogáveis, ainda depende de aprovação do Congresso Nacional.

Com a relevância das matérias reconhecida pelo relator, Fux determinou o julgamento conjunto das três ADIs e sinalizou que uma decisão definitiva será proferida ao término do processo. O desfecho das ações pode influenciar diretamente os rumos do debate legislativo sobre o futuro das apostas no Brasil.

Análise BetNotícias

O que isso muda na regulação

  • A AGU inverte sua posição anterior e agora argumenta no STF pela inconstitucionalidade da Lei das Apostas, abrindo caminho para que o tribunal possa anular toda a regulamentação que o mercado foi regulamentado em 2025 e proibido pela MP 1.394 em setembro de 2026.
  • O julgamento das três ADIs em conjunto — que contestam proteção insuficiente ao apostador, concessão de licenças sem licitação e aumento de endividamento — pode encerrar de forma definitiva a questão legal da existência das apostas de quota fixa no Brasil, ou abrir caminho para uma nova regulamentação.

Entenda os termos

ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade)
Recurso jurídico apresentado ao STF para questionar se uma lei ou ato normativo viola a Constituição Federal, podendo resultar na anulação da norma.
AGU (Advocacia-Geral da União)
Órgão do governo federal responsável por representar a União em processos judiciais e emitir pareceres sobre questões legais.
Lei nº 14.790/2023
Norma que regulamentou o mercado de apostas de quota fixa (bets) no Brasil, estabelecendo regras para operação e proteção ao apostador.
Crash games
Modalidade de jogo de azar rápido e aleatório que premia conforme o valor de um gráfico em tempo real sobe ou cai, com alto potencial de vício.
Fonte original
Com informações de Focus Gaming News Brasil →

A apuração deste fato é de Focus Gaming News Brasil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.

18+ Conteúdo informativo. Desde 25/09/2026, as apostas de quota fixa estão proibidas no Brasil (MP 1.394). O BetNotícias não opera nem indica apostas. Se o jogo trouxe prejuízo, procure o CAPS mais próximo ou ligue 188 (CVV).