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Regulação

Senado aprova em comissão PL que proíbe publicidade e patrocínio de bets no Brasil

O PL nº 2.470/2026, apelidado de "Brasil contra as bets", avança no Senado com restrições abrangentes a anúncios, bônus e patrocínios esportivos, além de criar novos tipos penais.

Senado aprova em comissão PL que proíbe publicidade e patrocínio de bets no Brasil

Imagem ilustrativa gerada por IA

A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática do Senado Federal (CCT) aprovou, na última quarta-feira (2), o Projeto de Lei nº 2.470/2026, que amplia significativamente as restrições à publicidade e ao patrocínio de apostas de quota fixa e jogos online regulados no país. A proposta, de autoria da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e outros seis parlamentares, recebeu parecer favorável do relator Alessandro Vieira (MDB-SE) na forma de um substitutivo. A CCT também aprovou um requerimento de urgência para que o texto seja levado diretamente ao Plenário do Senado.

Publicidade proibida em praticamente todos os canais

Batizado de PL "Brasil contra as bets" e originado na Frente Parlamentar Mista para a Promoção da Saúde Mental, o projeto foi protocolado em maio simultaneamente no Senado (PL nº 2.470/2026) e na Câmara dos Deputados (PL nº 2.478/2026), em versões quase idênticas, com apoio de parlamentares de diferentes espectros políticos. Entre as vedações previstas está a proibição de publicidade de apostas em rádio, televisão, jornais, revistas, mídia exterior, serviços de streaming, podcasts, redes sociais, plataformas de vídeo, sites, aplicativos e buscadores. O texto também alcança publicidade direcionada, e-mails, SMS, notificações push, conteúdos de afiliados e tipsters, além de divulgação em jogos eletrônicos e esportes eletrônicos. Bônus, créditos promocionais, apostas gratuitas, cashback, rodadas grátis e programas de fidelidade voltados a estimular apostas também seriam proibidos.

Patrocínios esportivos teriam 24 meses para encerrar

O impacto sobre o futebol brasileiro seria direto e profundo. O projeto veda que operadores de apostas patrocinem clubes, federações, ligas, competições e transmissões esportivas, além de eventos culturais, shows, projetos sociais e educacionais, influenciadores digitais, atletas, artistas e celebridades. Naming rights, licenciamento de marca e uso de embaixadores também seriam proibidos. A proposta prevê uma janela de transição de 24 meses para adequação ou encerramento dos contratos vigentes — período durante o qual novos acordos, renovações ou prorrogações só poderão ocorrer se a vigência se encerrar dentro desse prazo. Hoje, a maioria dos clubes da elite do Campeonato Brasileiro e os principais torneios nacionais, como o Brasileirão Série A e a Copa do Brasil, têm operadores de apostas como patrocinadores.

Novos crimes e quarentena para o setor

O texto aprovado na CCT também classifica produtos de acordo com seu potencial de dano. Modalidades consideradas de risco excessivo — como roletas, caça-níqueis, crash games e esportes virtuais simulados — não poderiam ser ofertadas. Além disso, o projeto cria o crime de divulgação de operador de apostas não autorizado, com pena de um a cinco anos de reclusão, podendo ser agravada de um sexto a dois terços quando a divulgação for feita por influenciadores, atletas ou pessoas notoriamente conhecidas. O relator Alessandro Vieira ainda acrescentou ao texto uma quarentena de 24 meses que impede profissionais do setor regulado de assumirem cargos em órgãos de autorização, classificação, normatização e fiscalização de apostas — regra que vale também para o sentido inverso.

A votação na CCT aconteceu um dia após audiência pública sobre o projeto, que reuniu representantes do governo e do setor privado em posições divergentes. A senadora Damares Alves aproveitou o debate para criticar o discurso de jogo responsável adotado pelos operadores. "Eles colocam de uma forma tão romântica: 'Jogo responsável'. Não é jogo responsável; é jogo de azar, é perda responsável", afirmou. O projeto ainda precisará ser analisado pelo Plenário do Senado antes de seguir para a Câmara dos Deputados — onde tramita a versão paralela — e, eventualmente, para sanção presidencial.

Análise BetNotícias

O que isso muda na regulação

  • Se aprovado, o PL proibirá publicidade de bets em TV, rádio, redes sociais, podcasts e outros canais, além de bônus e programas de fidelidade, reduzindo drasticamente a capacidade de operadores chegarem a potenciais apostadores.
  • Patrocinadores do futebol brasileiro terão até 24 meses para encerrar contratos com operadores; a maioria dos clubes da elite brasileira e torneios principais como Brasileirão e Copa do Brasil serão afetados pela perda de receita de patrocínio.
  • O texto cria novos crimes — divulgar operador não autorizado resultará em 1 a 5 anos de reclusão, com pena agravada para influenciadores e celebridades — e veda produtos de alto risco (cassino, caça-níqueis, crash games e esportes virtuais).

Entenda os termos

Projeto de Lei (PL)
Proposição legislativa apresentada ao Senado ou Câmara dos Deputados que, se aprovada em todas as instâncias, se transforma em lei.
Apostas de quota fixa
Modelo de apostas em que o retorno é pré-determinado no momento da aposta, sem sofrer alterações durante o evento.
Crash games (jogos de colisão)
Jogos de risco onde um multiplicador sobe continuamente e o apostador deve 'sacar' antes de um colapso aleatório; quanto mais tarde saca, mais ganha, mas perde tudo se não sair a tempo.
Naming rights
Direito de uma marca emprestar seu nome a um estádio, arena ou outro espaço público como forma de patrocínio e visibilidade.
Fonte original
Com informações de SBC Notícias Brasil →

A apuração inicial deste fato é de SBC Notícias Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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