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Regulação

Relator da PEC da Segurança retira cláusula que destinava 30% das bets a fundos policiais

Senador Rogério Carvalho suprimiu do parecer trecho aprovado pela Câmara que constitucionalizava fatia da arrecadação das apostas de quota fixa para o FNSP e o Funpen, após pressão intensa do setor esportivo.

Relator da PEC da Segurança retira cláusula que destinava 30% das bets a fundos policiais

Imagem ilustrativa gerada por IA

O relator da PEC nº 18/2025, conhecida como "PEC da Segurança Pública", senador Rogério Carvalho (PT-SE), apresentou nesta terça-feira (1º/9) uma versão revisada do parecer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A principal alteração foi a retirada do artigo que obrigava o repasse de 30% da arrecadação das apostas de quota fixa ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e ao Fundo Penitenciário Nacional (Funpen). O trecho havia sido inserido no Plenário da Câmara dos Deputados, sob relatoria do deputado Mendonça Filho (PL-PE), e não constava nem da redação original da PEC nem do substitutivo elaborado pela comissão especial da Casa.

O que previa o dispositivo suprimido

O artigo em questão, que seria acrescido ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) como art. 139, estabelecia que 30% do produto da arrecadação das bets — após a dedução de prêmios, Imposto de Renda e das despesas de custeio e manutenção das próprias operadoras, "até o limite fixado em lei" — fossem direcionados aos dois fundos federais de segurança, com escalonamento progressivo até 2028. No parecer, Rogério Carvalho criticou a lógica do mecanismo, argumentando que, ao abater o custeio das empresas antes do cálculo do lucro bruto (GGR), a base de distribuição para outras áreas — como educação, esporte, seguridade social, turismo e saúde, conforme o art. 30, § 1º-A, da Lei nº 13.756/2018 — ficaria proporcionalmente reduzida. O relator apontou ainda que a inserção ocorreu em Plenário, sem emenda prévia, e sem debate específico sobre seus efeitos.

Pressão do COB e do setor esportivo

A supressão respondeu a emendas apresentadas pelas senadoras Damares Alves, Mara Gabrilli, e pelos senadores Humberto Costa e Alan Rick, além de itens de emendas de Rogério Marinho e Alessandro Vieira — todas de caráter supressivo em relação ao artigo contestado. A mobilização foi liderada pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), que enviou comitiva a Brasília durante a semana de esforço concentrado do Congresso. O presidente da entidade, Marco La Porta, alertou que a redação aprovada na Câmara poderia subtrair entre R$ 500 milhões e R$ 530 milhões do financiamento do sistema esportivo nacional — recursos distribuídos pelo Conselho Nacional dos Comitês Esportivos (CNCE), do qual participam o COB, o Comitê Paralímpico Brasileiro e outras entidades. A articulação incluiu reunião com o próprio relator e com representantes do Ministério da Fazenda na véspera da apresentação do novo texto. O Flamengo, patrocinado por uma casa de apostas, também se manifestou publicamente contra a redução de verbas ao setor.

Impacto processual e próximos passos

Do ponto de vista legislativo, a escolha pela supressão — em vez da inclusão de matéria nova — tem implicação prática relevante: o Senado pode aprovar a PEC e enviá-la diretamente à promulgação, sem necessidade de devolução à Câmara para nova análise. Governo e relator planejavam votar o texto na CCJ e no Plenário do Senado ainda nesta quarta-feira (2/9), dentro do esforço concentrado articulado pelo presidente Lula e pelos presidentes das duas Casas, Davi Alcolumbre e Hugo Motta. Com a retirada da cláusula constitucional, o eventual repasse de recursos das bets ao FNSP e ao Funpen terá de ser equacionado, no futuro, por lei ordinária — instrumento de alteração legislativa mais simples, mas também mais sujeito a mudanças. O episódio expõe uma dinâmica recorrente no mercado regulado de apostas no Brasil: a disputa não se deu entre governo e operadoras, mas entre dois beneficiários da mesma fonte de receita — segurança pública e esporte —, evidenciando que o desenho fiscal das bets ainda segue sendo moldado de forma fragmentada, por vezes com inserções de última hora e sem debate prévio amplo.

Análise BetNotícias

O que isso muda na regulação

  • O recuo elimina uma fonte de custeio constitucional para os fundos de segurança pública, deslocando a decisão para lei ordinária — mais fácil de modificar, mas também menos garantida.
  • Evita redução estimada de R$ 500 a R$ 530 milhões anuais no financiamento do esporte, preservando a distribuição atual da arrecadação das bets entre educação, esporte, seguridade social e saúde.
  • Expõe a lógica fragmentada de definição fiscal das bets no Congresso: inserções de última hora por deputados, sem prévio debate técnico, criando tensões entre beneficiários da mesma receita.

Entenda os termos

GGR (Gross Gaming Revenue)
Receita bruta de apostas, calculada após dedução de prêmios pagos aos apostadores, mas antes de descontos operacionais e impostos.
Apostas de quota fixa (fixed odds)
Modalidade de aposta em que o apostador sabe antecipadamente a cotação e o prêmio potencial no momento da aposta, em contraste com apostas de pool.
PEC (Proposta de Emenda à Constituição)
Proposta de alteração da Constituição Federal que segue rito legislativo especial, exigindo votação em dois turnos e maioria qualificada.
ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias)
Conjunto de normas constitucionais temporárias que disciplinam a transição entre a Constituição anterior e a atual.
Fonte original
Com informações de BNLData →

A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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