SBC Lisboa: setor debate estratégia jurídica e política contra a MP 1.394
Em encontro realizado em Lisboa dias após a publicação da medida que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil, representantes do mercado regulado discutiram ações no STF, no TCU e no Congresso para tentar reverter a MP 1.394/2026.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O SBC Summit Lisboa recebeu na terça-feira (29) um debate emergencial sobre a crise aberta no mercado brasileiro de apostas. O SBC Meetup – Regulamentação Brasil reuniu advogados, representantes de entidades do setor e executivos na Regulatory Gaming Meetup Lounge do evento, poucos dias após a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa — esportivas e de cassino online — no país. A mediação ficou a cargo de Leonardo Baptista, CEO e cofundador da PayForFun, instituição de pagamento autorizada pelo Banco Central.
Baptista abriu o encontro relatando o impacto imediato sentido pelo mercado: desde a publicação da MP, ele afirmou ter sido procurado por três empresas estrangeiras interessadas em adquirir uma instituição de pagamento regulada, com Pix próprio, para operar exclusivamente no mercado ilegal. Além disso, pelo menos cinco operadores já sinalizavam cortes de quase metade de seus quadros de funcionários. Bárbara Teles, diretora da AMIG, confirmou o movimento: segundo ela, mais de dez empresas já haviam iniciado demissões e reduções de equipe. Teles fez ainda uma autocrítica ao setor, afirmando que ele "não foi competente" para demonstrar à sociedade o que o diferencia do mercado ilegal, citando a Copa do Mundo como uma oportunidade perdida para campanhas de jogo responsável.
Na frente jurídica, o advogado Bernardo Freire, do escritório BetLaw e consultor da ANJL, informou que já foram apresentadas duas ações no Supremo Tribunal Federal. Ele classificou a MP como "política, não técnica" e afirmou que o próprio governo teria reconhecido não ter realizado estudo de impacto nem análise prévia no Ministério da Fazenda. Freire contestou cifras divulgadas no anúncio da medida — como o custo de R$ 100 bilhões para a saúde e os R$ 65 bilhões que teriam saído da economia — contrapondo-as aos dados oficiais da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). O advogado relatou ainda a identificação de cerca de 6 mil sites ilegais em apenas quatro dias, parte deles clonando marcas de operadoras autorizadas, e avaliou que uma decisão liminar do STF pode ocorrer na semana seguinte ao primeiro turno das eleições. No pior cenário, segundo ele, a análise caberia ao Congresso, com prazo estimado até o início de março. Ana Bárbara Teixeira, diretora da ABRAJOGO, acrescentou que o setor pretende explorar vícios também no Tribunal de Contas da União, incluindo a ausência de estimativa de impacto fiscal e a previsão de que valores não sacados pelos apostadores passem à União — o que ela classificou como "confisco".
Magnho José, presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal (IJL) e editor do BNLData, traçou um paralelo histórico: em 2004, o mesmo presidente Lula proibiu os bingos por medida provisória, aprovada na Câmara e derrubada no Senado, após o que o mercado voltou a funcionar. Para ele, porém, há uma diferença estrutural desta vez: "Esse mercado é digital, e ele é apátrida." Diferentemente dos bingos, que tinham CNPJ e endereço físico para serem lacrados, as apostas online não têm "porta para fechar". Magnho se disse otimista quanto à reversão da medida antes mesmo de ela ser votada pelo Congresso, mas advertiu que o Brasil regulado "não vai ser mais o mesmo", dado o grau de desorganização provocado pela MP. Gilberto Porto, também advogado participante do debate, defendeu maior autonomia da SPA em relação ao Ministério da Fazenda, para que o regulador não fique sujeito "a uma canetada", e encerrou sua fala cobrando "segurança jurídica e previsibilidade regulatória". Ao fechar o encontro, Leonardo Baptista prestou defesa à equipe da SPA, cujo trabalho de três anos considerou desrespeitado pela medida, e dirigiu um recado ao público estrangeiro presente: "Não desistam do nosso país."
O que está em jogo
- Operadores e gestores do setor regulado apostam em vitória judicial no Supremo, com expectativa de liminar após o primeiro turno eleitoral, combinada com ações políticas no Congresso e pressão sobre candidaturas presidenciais.
- O mercado digital das apostas, diferentemente do bingo de 2004, não tem sede física para lacrar; analistas alertam que proibição sem reversão judicial deixará a indústria desorganizada e aceleará a migração para plataformas ilegais.
- Participantes reconhecem déficit de reputação do setor entre o público, fruto de 85 anos de proibição histórica e apenas 22 meses de mercado regulado, e apontam falta de competência para diferenciar a operação legal da ilegal perante a sociedade.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato normativo de vigência imediata editado pelo Presidente da República em caso de relevância e urgência; vale por 60 dias, prorrogáveis por 60, e precisa de aprovação do Congresso para se converter em lei.
- Lei 14.790/2023
- Lei que legalizou e regulamentou as apostas esportivas e cassino online no Brasil, entrando em vigor em 2025.
- Liminar
- Decisão provisória de um juiz ou tribunal que suspende uma lei ou ato normativo enquanto o processo principal ainda está sendo julgado.
- Mercado ilegal
- Operações de apostas e jogos realizadas sem autorização da autoridade reguladora (SPA), frequentemente por sites estrangeiros e clonados.
A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



