Receita Federal vai cobrar IR e PIS/Cofins de influencers que promovem bets ilegais
Uma portaria publicada em 18 de junho transfere a responsabilidade tributária das operadoras clandestinas para quem as divulga nas redes sociais. Fintechs e instituições financeiras que movimentem recursos para essas plataformas também estão no escopo da medida.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Influenciadores digitais que façam publicidade de casas de apostas sem autorização para operar no Brasil passarão a responder pelo pagamento de Imposto de Renda, PIS e Cofins incidentes sobre essas atividades. A medida foi anunciada pelo secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, na sexta-feira (19/6), um dia após a publicação da portaria que formaliza a transferência das obrigações tributárias das plataformas ilegais para quem as promove. A iniciativa integra um pacote mais amplo do governo federal voltado ao combate ao mercado irregular de apostas de quota fixa.
A lógica da responsabilização, segundo Barreirinhas, é que influenciadores e intermediários financeiros funcionam como peças centrais para que operadoras sediadas no exterior consigam captar recursos no Brasil. "A bet ilegal não existiria se não houvesse essa movimentação financeira. A bet está lá no exterior, mas esse recurso precisa de algum caminho para chegar na mão desses criminosos", afirmou o secretário. Ele foi direto ao tratar da cobrança: "Se o influencer está ganhando dinheiro da bet ilegal, ele que pague, então, o Imposto de Renda dessa bet ilegal que está no exterior." Fintechs e demais instituições financeiras que continuem processando transações para operadores irregulares mesmo após notificação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) também ficam sujeitas à mesma responsabilização tributária.
Bloqueio de recursos e derrubada de sites
Além das sanções tributárias, o governo anunciou um decreto para congelar os recursos financeiros das empresas ilegais. Os valores bloqueados poderão ser usados para ressarcir apostadores prejudicados e quitar tributos e multas pendentes; o saldo remanescente, após decisão judicial movida pela Advocacia-Geral da União (AGU), será destinado ao Fundo Nacional de Segurança Pública. O fluxo previsto começa na identificação do operador irregular pela SPA, que notifica a instituição financeira — com prazo de até 24 horas para o bloqueio das contas —, enquanto o Banco Central acompanha o cumprimento da medida. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ficará encarregada de derrubar os sites que ofereçam jogos de quota fixa sem autorização. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, avaliou que os argumentos apresentados pelas empresas em sua defesa costumam ser "pobres" e que, na maioria dos casos, o bloqueio deverá ser confirmado. O Conselho Monetário Nacional (CMN) publicará uma resolução detalhando os procedimentos administrativos contra instituições financeiras que descumprirem as determinações.
Conar e identificação dos infratores
A secretária de Prêmios e Apostas, Daniele Cardoso, revelou que o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) já auxilia o governo na identificação de influenciadores que veiculam publicidade de bets sem licença. "Com essa portaria do ministro, em conjunto com a Receita, a gente vai estreitar os laços e pensar em outros mecanismos mais efetivos", disse. A SPA é o órgão da Secretaria do Ministério da Fazenda responsável pela regulação do mercado de apostas esportivas de quota fixa no Brasil, mercado esse que passou a operar sob marco regulatório formal a partir de 2025, com a concessão das primeiras licenças às operadoras autorizadas. A pressão sobre o segmento ilegal se intensifica justamente neste momento em que o ambiente regulado ganha estrutura, e as autoridades buscam isolar financeiramente e publicitariamente as plataformas que operam à margem da lei.
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