Advogado protocola pedidos no CNMP e CNJ por apuração de processos que levaram à prisão de Deolane
Marcos Roberto Cebola e Silva aponta supostas falhas e irregularidades em cinco processos vinculados à Operação Vérnix, que prendeu a influenciadora e advogada em maio de 2025.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O advogado Marcos Roberto Cebola e Silva formalizou notícias de fato junto ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e às corregedorias do Ministério Público e da Justiça. O objetivo é obter uma apuração independente dos processos que culminaram na prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, detida no dia 21 de maio durante a Operação Vérnix.
Os pedidos foram apresentados após Cebola e Silva publicar, em seu perfil no Instagram, uma série de 17 vídeos chamada "InPrudente", na qual detalha suposto conjunto de irregularidades em cinco processos conduzidos ao longo de dez anos pelas mesmas figuras — um mesmo promotor, os mesmos juízes e o mesmo coordenador de presídios, todos ligados pela mesma região e por amizades públicas, segundo o advogado. Entre os casos descritos, ele relata uma denúncia formalizada em novembro de 2021 com base em um celular que só teria sido apreendido 21 dias depois e periciado em março de 2022; e uma apreensão de entorpecentes registrada inicialmente como 6,48 gramas que, ao longo do processo, passou a constar como 6 quilos nos documentos. "Quando a Justiça precisou justificar a prisão, a mesma apreensão registrou mais de seis quilos, 1.000 vezes mais, e esse número inflado circulou em mais de um documento, sem que ninguém parasse para conferir o auto original", afirmou Cebola e Silva. A mulher envolvida nesse caso teria sido condenada a nove anos de prisão.
Quanto à participação de Deolane, o advogado ressalta que o nome dela não aparece em nenhum dos cinco processos da série. Segundo ele, a primeira menção ocorreu em uma audiência de janeiro de 2023, quando o promotor perguntou a uma ré sobre depósitos feitos para uma advogada chamada Deolane Bezerra. Após negativa e recusa de proposta de delação premiada feita na mesma audiência, o nome da influenciadora surgiu nas alegações finais de junho de 2023, com a inserção da frase "Pagamento em nome de Deolane Bezerra Santos (advogada)". Cebola e Silva afirma que o trecho entre parênteses não tinha respaldo em nenhuma prova dos autos. "Esse 'advogada' entre parênteses não estava em prova nenhuma, virou do texto. Do texto foi copiado para a sentença e da sentença para a operação que prendeu Deolane, três anos depois", declarou. Em quatro anos de investigação, Deolane nunca teria sido intimada a prestar esclarecimentos; a denúncia só foi oferecida em junho de 2026, após 33 pedidos de prorrogação de prazo com texto padrão, todos acatados pelo MP. Os fatos imputados remontam a agosto e outubro de 2020, e o pedido de prisão só veio quase seis anos depois — ausência de fato novo que, para o advogado, torna a medida juridicamente questionável, já que a legislação exige contemporaneidade entre a prisão preventiva e o fundamento que a justifica.
Sobre os valores bloqueados, Cebola e Silva contesta o montante de R$ 27 milhões apontado no processo. Segundo ele, o número corresponde à soma das entradas e saídas da conta de Deolane — o mesmo dinheiro contado duas vezes. "Os créditos reais são R$ 13 milhões, e aplicado ao filtro que o próprio laboratório sabe usar, sobra R$ 7,6 milhões. Já a prova concreta contra ela, de depósitos que dá para contar nos dedos, são seis depósitos de R$ 24,5 mil e o bloqueio pedido foi de R$ 27 milhões", disse o advogado. Ele também chama atenção para um pedido de leilão antecipado dos veículos apreendidos, formalizado em agosto de 2026, nas folhas 7.001 dos autos — sem condenação, o comitê de ativos do estado teria solicitado o leilão dos carros, a transferência do dinheiro bloqueado e a autorização para que a Polícia Civil utilize uma Amarok e um Jeep em atividades investigativas. O MP também teria pedido a extensão das investigações ao filho, à mãe e às irmãs de Deolane, com base nos mesmos relatórios financeiros contestados na série.
Ao explicar o propósito dos pedidos protocolados, Cebola e Silva afastou a intenção de responsabilizar agentes específicos, defendendo apenas a verificação dos procedimentos. "Se está tudo certo, a apuração confirma e está tudo bem. Se não está, quantas pessoas foram presas por provas que ninguém examinou?", questionou. A conexão do caso com o mercado de apostas decorre do fato de a Operação Vérnix investigar supostas irregularidades em empresas do setor de iGaming, segmento que desde 2025 opera sob regulação federal coordenada pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
| Fato/Irregularidade | Data | Detalhes |
|---|---|---|
| Apreensão de celular vs. denúncia | Denúncia: 17/11/2021 | Apreensão: 08/12/2021 | Celular apreendido 21 dias APÓS denúncia; perícia oficial só em março de 2022 |
| Discrepância em quantidade de entorpecentes | Setembro 2021 | Registrado como 6,48g; circulou como 6kg nos documentos (aprox. 1.000x maior) |
| Condenação correlata | não informado | Mulher condenada a 9 anos de prisão no caso do entorpecente |
| Primeira menção de Deolane nos autos | Janeiro 2023 | Mencionada em audiência de interrogatório, em negativa sobre depósitos |
| Inclusão de Deolane em alegações finais | Junho 2023 | Frase 'Pagamento em nome de Deolane Bezerra Santos (advogada)' inserida; palavra 'advogada' não constava em provas |
| Fatos imputados a Deolane | Agosto e outubro 2020 | Ocorrência original dos fatos investigados |
| Prisão de Deolane | 21/05 (ano não especificado) | Operação Vérnix |
| Denúncia contra Deolane | Junho 2026 | Oferecida após 33 prorrogações de prazo |
| Pedido de leilão antecipado de veículos | 11/08/2026 | Solicitado sem condenação prévia (folha 7.001 dos autos) |
| Bloqueio de valores | não informado | R$ 27 milhões bloqueados (contestados como contagem dupla) |
O que muda para o apostador
- A apuração requerida não altera a situação atual de Deolane (presa ou em liberdade): compete ao CNMP, CNJ, OAB e corregedorias avaliar se há base para investigar condutas de agentes públicos, mas isso não suspende automaticamente processos ou prisões em andamento.
- Se irregularidades forem confirmadas (inversão de cronologia, inflação de quantidades, desaparecimento de folhas, provas inseridas sem fundamento), pode haver revisão processual, cassação de condenações e nulidade de medidas cautelares — porém o resultado depende de decisão judicial posterior, não da notícia de fato em si.
- Para apostadores com interesse em empresas ou influenciadores ligados a Deolane: esta é uma questão penal/judicial, não regulatória do mercado de apostas; repercussões no setor dependem de como reguladores (SPA/ANJ) avaliem eventual ligação com operadoras ilegais, fato não abordado nesta notícia.
Entenda os termos
- Prisão preventiva
- Medida cautelar que autoriza a prisão anterior à condenação, quando há risco à investigação, à ordem pública ou risco de fuga, exigindo fundamentação contemporânea aos fatos.
- Notícia de fato
- Comunicação formal dirigida a órgãos como CNMP e CNJ reportando suspeitas de irregularidades ou ilegalidades no exercício de funções por magistrados, promotores ou outros profissionais.
- Delação premiada
- Acordo legal em que investigado confessa crimes em troca de redução de pena, exigindo que a confissão seja voluntária e baseada em provas.
- Operação Vérnix
- Operação policial que resultou na prisão de Deolane Bezerra em maio de 2026, investigando supostos crimes relacionados a lavagem de dinheiro.
A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



