Advogado protocola pedidos no CNMP e CNJ por apuração de processos que levaram à prisão de Deolane
Marcos Roberto Cebola e Silva aponta supostas falhas e irregularidades em cinco processos vinculados à Operação Vérnix, que prendeu a influenciadora e advogada em maio de 2025.
Publicada em 17 de agosto de 2026, antes da MP 1.394, que proibiu as apostas de quota fixa em 25/09/2026. O cenário descrito pode ter mudado. Veja o que mudou
Imagem ilustrativa gerada por IA
O advogado Marcos Roberto Cebola e Silva formalizou notícias de fato junto ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e às corregedorias do Ministério Público e da Justiça. O objetivo é obter uma apuração independente dos processos que culminaram na prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, detida no dia 21 de maio durante a Operação Vérnix.
Os pedidos foram apresentados após Cebola e Silva publicar, em seu perfil no Instagram, uma série de 17 vídeos chamada "InPrudente", na qual detalha suposto conjunto de irregularidades em cinco processos conduzidos ao longo de dez anos pelas mesmas figuras — um mesmo promotor, os mesmos juízes e o mesmo coordenador de presídios, todos ligados pela mesma região e por amizades públicas, segundo o advogado. Entre os casos descritos, ele relata uma denúncia formalizada em novembro de 2021 com base em um celular que só teria sido apreendido 21 dias depois e periciado em março de 2022; e uma apreensão de entorpecentes registrada inicialmente como 6,48 gramas que, ao longo do processo, passou a constar como 6 quilos nos documentos. "Quando a Justiça precisou justificar a prisão, a mesma apreensão registrou mais de seis quilos, 1.000 vezes mais, e esse número inflado circulou em mais de um documento, sem que ninguém parasse para conferir o auto original", afirmou Cebola e Silva. A mulher envolvida nesse caso teria sido condenada a nove anos de prisão.
Quanto à participação de Deolane, o advogado ressalta que o nome dela não aparece em nenhum dos cinco processos da série. Segundo ele, a primeira menção ocorreu em uma audiência de janeiro de 2023, quando o promotor perguntou a uma ré sobre depósitos feitos para uma advogada chamada Deolane Bezerra. Após negativa e recusa de proposta de delação premiada feita na mesma audiência, o nome da influenciadora surgiu nas alegações finais de junho de 2023, com a inserção da frase "Pagamento em nome de Deolane Bezerra Santos (advogada)". Cebola e Silva afirma que o trecho entre parênteses não tinha respaldo em nenhuma prova dos autos. "Esse 'advogada' entre parênteses não estava em prova nenhuma, virou do texto. Do texto foi copiado para a sentença e da sentença para a operação que prendeu Deolane, três anos depois", declarou. Em quatro anos de investigação, Deolane nunca teria sido intimada a prestar esclarecimentos; a denúncia só foi oferecida em junho de 2026, após 33 pedidos de prorrogação de prazo com texto padrão, todos acatados pelo MP. Os fatos imputados remontam a agosto e outubro de 2020, e o pedido de prisão só veio quase seis anos depois — ausência de fato novo que, para o advogado, torna a medida juridicamente questionável, já que a legislação exige contemporaneidade entre a prisão preventiva e o fundamento que a justifica.
Sobre os valores bloqueados, Cebola e Silva contesta o montante de R$ 27 milhões apontado no processo. Segundo ele, o número corresponde à soma das entradas e saídas da conta de Deolane — o mesmo dinheiro contado duas vezes. "Os créditos reais são R$ 13 milhões, e aplicado ao filtro que o próprio laboratório sabe usar, sobra R$ 7,6 milhões. Já a prova concreta contra ela, de depósitos que dá para contar nos dedos, são seis depósitos de R$ 24,5 mil e o bloqueio pedido foi de R$ 27 milhões", disse o advogado. Ele também chama atenção para um pedido de leilão antecipado dos veículos apreendidos, formalizado em agosto de 2026, nas folhas 7.001 dos autos — sem condenação, o comitê de ativos do estado teria solicitado o leilão dos carros, a transferência do dinheiro bloqueado e a autorização para que a Polícia Civil utilize uma Amarok e um Jeep em atividades investigativas. O MP também teria pedido a extensão das investigações ao filho, à mãe e às irmãs de Deolane, com base nos mesmos relatórios financeiros contestados na série.
Ao explicar o propósito dos pedidos protocolados, Cebola e Silva afastou a intenção de responsabilizar agentes específicos, defendendo apenas a verificação dos procedimentos. "Se está tudo certo, a apuração confirma e está tudo bem. Se não está, quantas pessoas foram presas por provas que ninguém examinou?", questionou. A conexão do caso com o mercado de apostas decorre do fato de a Operação Vérnix investigar supostas irregularidades em empresas do setor de iGaming, segmento que desde 2025 opera sob regulação federal coordenada pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
O que está em jogo
- Advogado apontou supostas falhas processuais (apreensões com datas inconsistentes, provas que desapareceram e reapareceram, depósitos contados duas vezes) em investigação que resultou na prisão de Deolane Bezerra, solicitando apuração independente ao CNMP, CNJ, OAB e corregedorias.
- A acusação contra Deolane teria começado como investigação de terceiros e incorporou seu nome apenas em 2023, sem que ela fosse intimada em quatro anos, com denúncia oferecida em 2026 sobre fatos de 2020 e bloqueio de R$ 27 milhões contestado quanto ao cálculo.
- Se confirmadas as irregularidades apontadas, colocam em questão a validade jurídica da prisão preventiva, do bloqueio de bens e das acusações contra a investigada.
Entenda os termos
- Notícia de fato
- Comunicação formal feita ao Ministério Público ou órgãos de controle (como CNMP e CNJ) denunciando possível crime, abuso ou irregularidade para que investiguem independentemente.
- Prisão preventiva
- Detenção de uma pessoa durante a investigação ou processo, antes da condenação final, quando o juiz entende haver risco à ordem pública ou gravidade da acusação.
- Delação premiada
- Acordo em que o acusado confessa crimes e fornece informações sobre outros envolvidos, em troca de redução de pena.
- CNMP
- Conselho Nacional do Ministério Público, órgão responsável por zelar pela atuação dos promotores e procuradores de forma ética e legal.
A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



