Atualizado 3× ao dia · Apostas proibidas pela MP 1.394: veja os prazos
Regulação

Pesquisas mostram amplo apoio à proibição das bets, mas especialista pede debate sobre efetividade

Levantamentos indicam entre 52% e 78% de aprovação à MP 1.394, mas diretor do IBJR alerta que aprovação popular não substitui análise de impacto regulatório.

Pesquisas mostram amplo apoio à proibição das bets, mas especialista pede debate sobre efetividade

Imagem ilustrativa gerada por IA

Duas pesquisas realizadas logo após a edição da Medida Provisória 1.394, que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil em 25 de setembro de 2026, revelam amplo respaldo popular à decisão. Levantamento do PokerData/Aya registrou 52% de aprovação à medida adotada pelo presidente Lula, enquanto pesquisa do Datafolha, divulgada em 1º de outubro, apontou que 78% dos brasileiros são favoráveis ao fim das bets e dos cassinos online. Um terceiro estudo, da Indexa/Broadcast, encontrou 70% de apoio à proibição e 21% de preferência pela continuidade das apostas sob regras mais rígidas.

Para André Gelfi, diretor, conselheiro e cofundador do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e sócio da Betsson, os números expressam uma percepção social legítima, mas não devem ser confundidos com análise técnica. Em artigo publicado no Poder360, Gelfi recorre a uma analogia: perguntar se as pessoas querem acabar com um incêndio produzirá concordância quase unânime; questionar se, para isso, o prédio inteiro deve ser derrubado abrirá um debate completamente diferente. O próprio Datafolha fornece um dado que ajuda a contextualizar o apoio à proibição: 81% dos entrevistados afirmaram não apostar nem conviver com alguém que apostasse antes da edição da MP, enquanto apenas 9% disseram apostar pessoalmente.

O especialista reconhece que preocupações com publicidade excessiva, endividamento, acesso de menores e proteção das famílias são legítimas, mas defende que o debate deve se concentrar em identificar quais instrumentos são capazes de enfrentar esses problemas de forma efetiva. Entre as alternativas citadas estão limites financeiros para depósitos, restrições à publicidade, mecanismos de autoexclusão, monitoramento de comportamentos de risco e combate a operadores ilegais. A experiência internacional é apontada como referência: no Reino Unido, a Gambling Commission monitora consequências negativas para os jogadores; na Holanda, o regulador acompanha a chamada taxa de canalização — a parcela da atividade que permanece no mercado legal —, que em 2026 indicou que 91% dos jogadores usavam operadores licenciados, mas apenas 53% do dinheiro perdido circulava nesse ambiente; a Suécia adota métrica semelhante.

O ponto central levantado por Gelfi é a incerteza sobre o comportamento dos apostadores diante da proibição: quantos efetivamente deixarão de apostar e quantos poderão migrar para plataformas clandestinas, onde não existem os mesmos mecanismos de proteção e fiscalização presentes no mercado regulado. Responder a essa questão, segundo ele, exige dados sobre consumo, vulnerabilidade e endividamento, além do acompanhamento dos resultados das políticas adotadas. A MP 1.394, que tem validade de 60 dias prorrogáveis por mais 60 e depende de aprovação do Congresso Nacional, prevê o encerramento progressivo das operações: novos depósitos foram vedados desde 25 de setembro, os sites das operadoras saem do ar em 5 de outubro, a devolução de saldos aos apostadores ocorre até cerca de 14 de outubro e todas as autorizações concedidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda serão extintas em 25 de outubro, sem ressarcimento das outorgas pagas.

Análise BetNotícias

O que está em jogo

  • Pesquisas indicam ampla aprovação pública (52% a 78%) da proibição das bets, mas o debate técnico central é se essa medida alcançará seus objetivos de proteção ou causará migração massiva para mercados ilegais, onde não há fiscalização.
  • A experiência de reguladores internacionais (Reino Unido, Holanda, Suécia) mostra que monitorar canalização e comportamento de risco é essencial para avaliar se proibições ou regulações estritas realmente protegem os consumidores ou apenas transferem a atividade para fora do controle estatal.

Entenda os termos

Medida Provisória 1.394
Ato normativo de urgência editado pelo Presidente que proibiu apostas de quota fixa (apostas esportivas e cassino online) no Brasil a partir de setembro de 2026, com vigência de 60 dias prorrogáveis por mais 60, dependendo de aprovação do Congresso.
Canalização
Indicador que mede qual parcela do dinheiro perdido em apostas permanece no mercado legal versus o que migra para operadores ilegais ou não regulados.
Autoexclusão
Mecanismo de proteção ao consumidor que permite ao apostador se bloquear voluntariamente de acessar plataformas de apostas por determinado período.
Fonte original
Com informações de BNLData →

A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.

18+ Conteúdo informativo. Desde 25/09/2026, as apostas de quota fixa estão proibidas no Brasil (MP 1.394). O BetNotícias não opera nem indica apostas. Se o jogo trouxe prejuízo, procure o CAPS mais próximo ou ligue 188 (CVV).