Operação Slots bloqueia até R$ 951 mi e mira lavagem via apostas ilegais
A Polícia Federal deflagrou ação contra grupo suspeito de usar plataformas não autorizadas de apostas para lavar dinheiro do tráfico. Bloqueio de bens pode chegar a R$ 951,1 milhões.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Polícia Federal (PF) deflagrou na quarta-feira, 15, a Operação Slots, voltada a investigar uma organização suspeita de se valer de plataformas ilegais de apostas como instrumento de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas. A operação teve suporte técnico da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) e resultou em determinação judicial de bloqueio de bens e valores que podem somar até R$ 951,1 milhões. Um imóvel de alto padrão e veículos de luxo também foram apreendidos. Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária, todos expedidos pela 2ª Vara Criminal de Vitória (ES). As diligências se espalharam por São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Paraíba e Sergipe.
Influenciadores e falsa aparência de legalidade
As investigações apontam que o grupo recrutava influenciadores digitais para promover sites de apostas sem qualquer autorização para operar no Brasil. Para dar aparência de legitimidade às plataformas, algumas delas exibiam referências ao Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP) — ferramenta administrada pelo próprio Ministério da Fazenda — e ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), induzindo apostadores a acreditar que os serviços estavam em conformidade com a regulação brasileira. Os recursos depositados pelos usuários eram então direcionados a empresas sem autorização para explorar apostas online, passando por uma série de pessoas jurídicas criadas para dificultar o rastreamento do dinheiro. A PF também identificou indícios de patrimônio incompatível com a renda declarada pelos investigados. Os suspeitos poderão responder por exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico. O Ministério da Fazenda informou ainda que os investigados estão proibidos de promover plataformas não autorizadas e que as empresas ligadas ao esquema tiveram suas atividades suspensas.
Terceira ação em julho com apoio da SPA
A Operação Slots é a terceira iniciativa do mês de julho conduzida com suporte técnico da SPA contra o mercado ilegal de apostas. Em 6 de julho, a Operação Véu de Maia passou a investigar 87 empresas suspeitas de atuar como intermediárias na movimentação de recursos de plataformas não autorizadas, com apuração também de possível remessa irregular de valores ao exterior por meio de criptoativos. Dois dias depois, uma operação deflagrada na Paraíba mirou outro grupo suspeito de explorar apostas ilegais, com medidas patrimoniais autorizadas pela Justiça estimadas em R$ 102 milhões, incluindo bloqueio de ativos financeiros e criptoativos, além da identificação de empresas de fachada e sedes fictícias.
O conjunto das três ações evidencia uma mudança de abordagem no combate ao mercado ilegal: além do bloqueio de domínios, as autoridades passaram a priorizar a interrupção dos fluxos financeiros, a apreensão de patrimônio e a responsabilização de empresas e pessoas envolvidas na divulgação e operação das plataformas clandestinas. Esse movimento ocorre em paralelo ao avanço do marco regulatório do setor, estruturado sob a Lei 14.790/2023 e gerido pela SPA, que desde janeiro de 2025 passou a autorizar e fiscalizar as operadoras de apostas de quota fixa no país. O governo também publicou a Portaria MF nº 1.766/2026 e o Decreto nº 13.033/2026, medidas voltadas a fortalecer o ambiente regulado e coibir a atuação de agentes não licenciados.
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