No Maracanã, torcedores do Flamengo protestam contra proibição das bets e xingam Lula
Após vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense, torcedores exibiram faixas contra a MP 1.394 e jogadores dos dois clubes entraram em campo com a frase "Proibir não é proteger" nas camisas.
Foto: Andre Dantas / Pexels
O clássico entre Flamengo e Fluminense, disputado no Maracanã neste domingo (11/10) pela Série A do Campeonato Brasileiro, foi palco de uma série de manifestações políticas contra a proibição das apostas esportivas no Brasil. Após a vitória rubro-negra por 1 a 0, torcedores do Flamengo foram registrados em vídeo nas rampas de saída do estádio entoando xingamentos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): "Ei, Lula, vai tomar no c*", gritava o grupo, em imagens que rapidamente se espalharam pelas redes sociais.
Antes mesmo da partida começar, o Setor Norte do estádio recebeu uma faixa exibida por torcedores rubro-negros durante a entrada das equipes em campo. "O futebol brasileiro não pode ser vítima desse gol contra. Lula, Congresso e STF", dizia o texto, direcionando críticas simultaneamente ao Executivo, ao Legislativo e ao Judiciário. Uma segunda faixa, com duplo sentido, também circulou ao longo do jogo: "6 X 1? Só neles! Pelo fim da escala 6 X 1" — referência tanto à pauta trabalhista quanto à goleada sofrida pelo Vasco por 6 a 1 diante do próprio Flamengo, em junho de 2024.
O protesto é uma reação direta à Medida Provisória 1.394, assinada por Lula em 25 de setembro de 2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no território nacional. A MP previu o encerramento das atividades das plataformas a partir de 6 de outubro, após um período de transição. Clubes e empresas do setor têm criticado a decisão, apontando impactos financeiros relevantes: as bets mantinham contratos de patrocínio com diversas equipes do futebol brasileiro, entre elas o próprio Flamengo — patrocinado pela Betano — e o Fluminense, que tem a Superbet como parceira principal. O governo federal, por sua vez, justifica a medida com argumentos de saúde pública, citando endividamento das famílias, risco de dependência e associação das apostas a transtornos como ansiedade e depressão.
O protesto extrapolou as arquibancadas e chegou aos gramados. Jogadores de Flamengo e Fluminense entraram em campo com a frase "Proibir não é proteger" estampada nos espaços normalmente ocupados pelas marcas das patrocinadoras principais nos uniformes. Os atletas rubro-negros já haviam usado a mesma mensagem na quinta-feira (8/10), no confronto contra o Santos. No âmbito jurídico, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux aceitou o Flamengo como amicus curiae — condição que permite ao clube apresentar informações e argumentos — em ações que tramitam na Corte sobre a proibição das bets. O Fluminense e outros 15 clubes também solicitaram participação no processo.
O que está em jogo
- A proibição das bets criou fissura visível entre torcedores de futebol e poder público: o protesto no Maracanã reflete polarização em torno da MP 1.394, que cortou fonte de receita dos clubes via patrocínio.
- O status de amicus curiae concedido ao Flamengo no STF transforma o conflito em disputa constitucional — clubes agora argumentam formalmente que a proibição causa dano financeiro desproporcional ao futebol, alterando o eixo da discussão de saúde pública para impacto econômico.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato normativo assinado pelo Presidente da República que entra em vigor imediatamente, mas precisa de aprovação do Congresso Nacional para se tornar lei permanente.
- Amicus curiae
- Estatuto processual que permite a uma instituição ou pessoa apresentar argumentos e informações em ação judicial, mesmo não sendo parte direta do processo.
- Apostas de quota fixa
- Modalidade de aposta em que o apostador conhece antecipadamente o valor que receberá em caso de ganho, como acontece em plataformas de apostas esportivas online e cassinos.
A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



