MPDFT processa Spribe por R$ 110 mi e Justiça impõe bloqueios ao Aviator
Ação civil pública mira a desenvolvedora estoniana do popular "jogo do aviãozinho" por disponibilização em plataformas irregulares no Brasil; empresa tem dez dias para cumprir obrigações sob pena de multa de R$ 100 mil por dia.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ingressou com ação civil pública contra a Spribe OÜ, empresa sediada na Estônia que desenvolveu o Aviator — conhecido popularmente como o "jogo do aviãozinho". O processo foi ajuizado na última quinta-feira (10/7) e requer R$ 110 milhões em danos morais coletivos, sob o argumento de que o jogo seguiu sendo disponibilizado em operadoras sem autorização para funcionar no Brasil mesmo depois de medidas corretivas anunciadas pela própria Spribe.
A dimensão do Aviator no mercado brasileiro dá a medida da relevância do caso. Segundo dados divulgados pela própria desenvolvedora, o jogo contava com cerca de 60 milhões de jogadores ativos mensais em 2025, registrava 400 mil apostas por minuto e movimentava aproximadamente US$ 17,4 bilhões por mês. Com base em uma estimativa de faturamento anual da empresa de US$ 200 milhões e na cotação de R$ 5,50 por dólar, o MPDFT chegou a uma base de R$ 1,1 bilhão e fixou em 10% desse valor o pedido de indenização por danos morais coletivos.
O que a decisão judicial determina
A 7ª Vara Cível de Brasília deferiu parcialmente a tutela de urgência requerida pelo MPDFT. A magistrada responsável pelo caso recusou a suspensão imediata do Aviator em todas as plataformas — incluindo as devidamente licenciadas —, avaliando que tal medida seria "excessivamente gravosa e desproporcional" antes de a Spribe ter a oportunidade de se defender. Em contrapartida, impôs à empresa um conjunto de obrigações a ser cumprido em até dez dias: apresentar relatório técnico com a identificação de todos os operadores, agregadores, distribuidores e parceiros vinculados ao jogo; informar domínios, integrações, credenciais e APIs relacionados à sua distribuição; suspender imediatamente as integrações com operadores não autorizados; implementar mecanismos de monitoramento contínuo, georrestrição e bloqueio; e preservar contratos, logs e demais evidências ligadas à cadeia de distribuição. O descumprimento de qualquer dessas obrigações sujeita a Spribe a multa diária de R$ 100 mil, com teto inicial de R$ 10 milhões.
Para a juíza, os documentos que acompanham a ação indicam que a Spribe não apenas desenvolveu o Aviator, mas atua como licenciadora e titular da tecnologia, dispondo de ferramentas de auditoria e monitoramento "aptas à identificação da utilização do produto por operadores não autorizados". Mesmo assim, relatórios técnicos produzidos durante a investigação apontaram a presença reiterada do jogo em múltiplas plataformas irregulares. A decisão também determinou sigilo parcial sobre documentos sensíveis, como registros de inteligência, credenciais e trilhas de auditoria que possam expor a metodologia investigativa ou a arquitetura tecnológica da empresa.
Próximos passos
O pedido de suspensão total do Aviator no Brasil — originalmente solicitado pelo MPDFT para ser cumprido em cinco dias após a intimação — foi indeferido neste momento, mas a decisão deixou expressamente em aberto a possibilidade de reavaliação após o exercício do contraditório pela Spribe e eventual produção de prova técnica. O caso insere-se no contexto da regulamentação do mercado de apostas esportivas e jogos online no Brasil, cujo marco legal exige autorização prévia da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda para que operadoras atuem legalmente no país. Plataformas que operam sem essa licença estão sujeitas a bloqueio e, como o caso demonstra, podem arrastar para o campo judicial também os fornecedores de tecnologia que as atendem.
| Obrigação | Prazo | Sanção por descumprimento |
|---|---|---|
| Apresentar relatório técnico identificando operadores, agregadores, distribuidores e parceiros autorizados | 10 dias | Multa diária de R$ 100 mil (limite inicial: R$ 10 milhões) |
| Informar domínios, integrações, credenciais e APIs do Aviator | 10 dias | Multa diária de R$ 100 mil (limite inicial: R$ 10 milhões) |
| Suspender imediatamente integrações com operadores não autorizados no Brasil | imediato | Multa diária de R$ 100 mil (limite inicial: R$ 10 milhões) |
| Implementar mecanismos de monitoramento contínuo, rastreabilidade, georrestrição e bloqueio | 10 dias | Multa diária de R$ 100 mil (limite inicial: R$ 10 milhões) |
| Preservar contratos, registros, logs e evidências de distribuição do produto | 10 dias | Multa diária de R$ 100 mil (limite inicial: R$ 10 milhões) |
O que muda para as operadoras
- A Spribe tem dez dias para apresentar plano técnico de desvinculação do Aviator de plataformas ilegais e implementar bloqueios por geolocalização, sob pena de R$ 100 mil diários de multa.
- O jogo continua disponível nas operadoras autorizadas, mas a decisão deixa aberta a porta para suspensão total após a defesa da empresa, se ficarem comprovadas novas integrações ilegais.
- A indenização de R$ 110 milhões é pedido inicial do MPDFT e depende de julgamento final; o valor real será definido pela Justiça conforme gravidade da conduta e capacidade financeira da Spribe.
Entenda os termos
- Tutela de urgência
- Decisão judicial provisória que antecipa efeitos da sentença final para evitar dano irreparável, antes da defesa completa da parte ré.
- Contraditório
- Direito fundamental da parte ré apresentar sua defesa e contestação antes de uma sentença definitiva.
- API
- Interface de programação que permite comunicação e integração entre sistemas ou plataformas de software diferentes.
- Georrestrição
- Tecnologia que bloqueia ou restringe o acesso a serviços baseado na localização geográfica do usuário.
A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



