Fazenda: arrecadação das bets não é necessidade fiscal, mas questão de isonomia
Ministro Dario Durigan defende regulação rigorosa do setor de apostas esportivas, descarta proibição e reforça que a tributação do segmento é uma questão de equidade, não de dependência orçamentária.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal não depende da receita gerada pelas casas de apostas esportivas para fechar suas contas. Em entrevista à Coluna Guilherme Amado, no AmadoMundo, publicada na segunda-feira (14/7), ele defendeu uma regulação tão rigorosa quanto a aplicada ao setor de cigarros, mas deixou explícito que não está propondo o banimento das bets no Brasil. O ministro reconheceu que o debate sobre uma eventual proibição deve permanecer em aberto nos próximos anos, sem, contudo, se declarar favorável a essa saída.
Ao justificar a cobrança de tributos sobre o setor, Durigan foi direto: "Não é que eu quero arrecadar porque preciso do dinheiro. Quero arrecadar por isonomia; se uma empresa vende carro, paga tributo; se vende bebida, paga tributo. Se está autorizado a operar, tem que pagar." A declaração resume a postura do Ministério da Fazenda: a taxação das operadoras não é um salva-vidas fiscal, mas uma exigência de tratamento igualitário entre setores econômicos. Segundo o ministro, desde 2023 o governo conduz um processo de revisão da legislação voltada às apostas esportivas, motivado por preocupações regulatórias e de equidade tributária.
O posicionamento ocorre em meio a um processo mais amplo de estruturação do mercado regulado de apostas no Brasil. A regulamentação do setor, ancorada na Lei nº 14.790/2023 — conhecida como Lei das Bets —, atribuiu à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda a responsabilidade de licenciar e fiscalizar as operadoras. Desde então, o governo tem adotado medidas progressivas para coibir abusos e proteger grupos vulneráveis, em resposta a críticas de especialistas em saúde pública e ao crescente endividamento de famílias associado às apostas online.
Entre as restrições já implementadas, Durigan destacou a vedação de apostas para beneficiários do Bolsa Família e do BPC (Benefício de Prestação Continuada), além de participantes do Desenrola, programa federal de renegociação de dívidas. O ministro também mencionou que o mecanismo de autoexclusão das plataformas já foi utilizado por mais de um milhão de pessoas — dado que ilustra tanto a escala do problema quanto a adoção das ferramentas de proteção disponíveis. A posição oficial do governo, portanto, aposta na regulação com isonomia como caminho, sem sinalizar ruptura com o modelo de mercado autorizado.
O que isso muda na regulação
- O governo descarta proibição e aposta em regulação rigorosa acompanhada de arrecadação igualitária entre setores, posicionando bets como atividade autorizada que deve cumprir obrigações tributárias como qualquer outra empresa.
- Existem já restrições específicas: apostadores vinculados a Bolsa Família, BPC e Desenrola estão bloqueados, e mais de 1 milhão acionaram autoexclusão voluntária — indicando que controle direto sobre o apostador já avança em paralelo à regulação fiscal.
Entenda os termos
- Isonomia tributária
- Princípio de igualdade na tributação: empresas que atuam em setores similares devem pagar impostos equivalentes sobre suas receitas, evitando disparidades ou vantagens injustas entre concorrentes.
- Autoexclusão
- Mecanismo que permite ao apostador solicitar voluntariamente o bloqueio de sua conta em uma plataforma de apostas por período determinado, impedindo novos acessos e transações.
- Bolsa Família e BPC
- Programas federais de transferência de renda: Bolsa Família destina recursos a famílias de baixa renda, e BPC (Benefício de Prestação Continuada) assegura renda mínima a idosos e pessoas com deficiência carente.
A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



