MP 1.394 frustra R$ 6,8 bi em impostos e impulsiona sites ilegais
Medida que proibiu apostas no Brasil gerou impacto bilionário nas contas públicas, reduziu receitas de empresas internacionais e fez surgir quase 1,7 mil endereços clandestinos em menos de 24 horas.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil, carrega consequências financeiras expressivas tanto para o setor privado quanto para as contas do governo. Em artigo publicado pela Folha de S.Paulo, Paulo Ganime, diretor-executivo da Associação do Livre Mercado, detalhou que o governo federal deve deixar de arrecadar R$ 6,8 bilhões até 2027 referentes ao tributo específico do setor e à taxa de fiscalização — valores que estavam projetados com base no funcionamento do mercado regulado ao longo do período.
O ponto central da crítica de Ganime diz respeito à segurança jurídica. As 85 empresas autorizadas a operar no Brasil pagaram R$ 30 milhões cada ao governo como condição para explorar apostas por cinco anos, totalizando R$ 2,55 bilhões em outorgas. A MP determinou a extinção dessas autorizações em 30 dias — antes do prazo contratual — sem previsão de devolução dos valores pagos nem qualquer forma de indenização. As operadoras tiveram ainda dez dias para remover sites, aplicativos, publicidade e materiais de patrocínio. O mercado havia começado a funcionar sob as regras federais em janeiro de 2025, e os prazos e preços das autorizações haviam orientado decisões de investimento, contratações e compromissos com fornecedores.
Os efeitos já se refletiram nas comunicações de empresas internacionais a órgãos reguladores. A Flutter, listada na Bolsa de Nova York, informou à SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) que a paralisação no Brasil até o fim de 2026 deve reduzir sua receita em aproximadamente US$ 70 milhões (cerca de R$ 351,6 milhões) e seu Ebitda ajustado em US$ 20 milhões (cerca de R$ 100,2 milhões). Já a Entain, controladora da Sportingbet e listada em Londres, manteve sua faixa de projeção de resultados, mas passou a trabalhar com expectativa de desempenho próximo ao piso da estimativa. Para o Brasil, o risco adicional é a retração de investimentos, contratações e compras de serviços por grupos internacionais que podem realocar recursos para outros países.
Clandestinidade e papel do Congresso
Na prática, a proibição não eliminou imediatamente a oferta de apostas. Levantamento da ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) identificou 1.689 novos endereços ilegais em funcionamento no dia seguinte à edição da MP, em 26 de setembro de 2026, sinalizando que uma estrutura clandestina já estava preparada para absorver a demanda. Se os apostadores migrarem para plataformas ilegais, o país pode perder receitas e mecanismos de proteção ao consumidor sem necessariamente neutralizar os problemas que motivaram a proibição.
No artigo, Ganime defendeu que uma resposta mais consistente ao cenário anterior passaria por combater a publicidade abusiva, restringir operações bancárias de plataformas ilegais e ampliar iniciativas de prevenção e tratamento da dependência, com evidências sobre a eficácia dessas ações. O texto atribui ao Congresso — que precisará votar a MP nos próximos 60 dias, prorrogáveis por mais 60 — a responsabilidade de avaliar se a ruptura é necessária e proporcional, se o tratamento dado às outorgas respeita os compromissos assumidos pelo Estado e se os prazos estabelecidos permitem uma transição adequada.
| Item | Valor | Período/Observação |
|---|---|---|
| Frustração de impostos e taxa de fiscalização | R$ 6,8 bilhões | até 2027 |
| Outorgas arrecadadas (85 empresas) | R$ 2,55 bilhões | período 2025-2026 |
| Valor médio por outorga | R$ 30 milhões | condição para explorar por 5 anos |
| Impacto na receita da Flutter | US$ 70 milhões (R$ 351,6 mi) | paralisação até fim de 2026 |
| Impacto no Ebitda ajustado da Flutter | US$ 20 milhões (R$ 100,2 mi) | paralisação até fim de 2026 |
| Novos sites clandestinos identificados | 1.689 | 24h após edição da MP (26/9) |
| Autorizações extintas | 85 empresas | sem indenização ou devolução |
O que isso muda na regulação
- O governo deixará de arrecadar R$ 6,8 bilhões em tributos até 2027, além de enfrentar migração de apostadores para cerca de 1.690 sites ilegais surgidos em 24h — indicativo de que a proibição não elimina a demanda, apenas desloca-a para fora da regulação.
- As 85 operadoras autorizadas perdem suas outorgas sem compensação (r$ 2,55 bi já arrecadados pelo Estado) e têm 30 dias para cessar operações, gerando despesa com desmontagem de infraestrutura e impactos em cadeias de fornecedores.
- Empresas multinacionais como Flutter e Entain já comunicam à bolsa redução de receitas e resultados, sinalizando que o Brasil deixará de atrair investimentos internacionais no setor durante a vigência da MP.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato normativo do governo federal que vale imediatamente mas precisa ser aprovado pelo Congresso em até 120 dias (prorrogáveis por mais 60) para se tornar permanente.
- Outorga
- Autorização concedida pelo Estado a uma empresa para explorar atividade específica durante prazo determinado, mediante pagamento de taxa ou concessão.
- Ebitda
- Lucro da empresa antes de juros, impostos, depreciação e amortização — métrica usada para comparar rentabilidade operacional.
- Clandestinidade
- Operação ilegal de serviço que deveria estar autorizado e regulado, fora do controle e fiscalização do Estado.
A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



