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Regulação

Mercado ilegal de apostas recua no 1º semestre de 2026, mas ainda responde por até 44% do setor

Levantamento encomendado pelo IBJR aponta queda na participação de plataformas clandestinas em relação a 2025, porém metade dos apostadores ainda transita fora do mercado regulado.

Mercado ilegal de apostas recua no 1º semestre de 2026, mas ainda responde por até 44% do setor

Imagem ilustrativa gerada por IA

Um novo estudo indica que o mercado ilegal de apostas no Brasil perdeu espaço no primeiro semestre de 2026, embora ainda represente uma fatia expressiva do setor. A pesquisa "Dimensionamento e combate do mercado ilegal de apostas no Brasil", produzida pela LCA Consultores com base em dados do Instituto Locomotiva — levantados a pedido do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) —, estima que entre 38% e 44% das apostas online realizadas no país ocorrem em plataformas não autorizadas. No levantamento anterior, divulgado em junho de 2025, esse intervalo era de 41% a 51%.

A pesquisa de campo do Instituto Locomotiva foi feita em maio de 2026, com 2.291 apostadores de todo o Brasil. Os dados revelam comportamentos associados às plataformas clandestinas: nos três meses anteriores à coleta, 53% dos entrevistados apostaram em sites que não exigiram reconhecimento facial; 48% utilizaram plataformas com domínio diferente de ".bet.br"; 37% fizeram depósitos via cartão de crédito; e 23% usaram criptoativos — todos métodos vedados no mercado regulamentado. O perfil dos apostadores que frequentam o mercado ilegal concentra-se na faixa de 18 a 29 anos (54%), com renda de até dois salários-mínimos (51%), sendo 51% mulheres e 49% homens.

Carlos Lima, presidente executivo do IBJR, avaliou os resultados de forma positiva, mas com ressalvas. "Os números mostram que a regulamentação e as medidas adotadas pelo Governo Federal no combate às plataformas ilegais começam a produzir resultados concretos. A redução observada é um sinal positivo da consolidação do mercado regulado brasileiro. O desafio agora é dar continuidade a esse avanço, fortalecendo o combate aos operadores clandestinos e garantindo que a evolução regulatória ocorra com segurança jurídica e previsibilidade, evitando que novas medidas aplicáveis exclusivamente aos operadores autorizados criem assimetrias que tornem o mercado ilegal mais atrativo para os consumidores", afirmou. Já Eric Brasil, diretor de Regulação e Políticas Públicas da LCA Consultores, destacou que a queda na participação ilegal vem acompanhada de "menor incerteza sobre a magnitude desse mercado", o que ele interpretou como sinal de amadurecimento do processo regulatório.

O mercado regulado de apostas esportivas de quota fixa está em vigor no Brasil desde 1º de janeiro de 2025, quando passaram a valer as regras definidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. Apenas operadores licenciados podem atuar legalmente, com obrigações tributárias, normas operacionais e mecanismos de proteção ao apostador. Segundo o Ministério da Fazenda, no primeiro ano de mercado regulado as casas de apostas contribuíram com R$ 9,95 bilhões em tributos e destinações legais — voltados a áreas como esporte, turismo, segurança pública e educação —, além de cada plataforma ter recolhido R$ 30 milhões a título de outorga. O estudo "Panorama do mercado de apostas de quota fixa" aponta ainda que as operadoras regulamentadas investiram cerca de R$ 7,5 bilhões em capital social, gerando aproximadamente 15,5 mil empregos diretos e indiretos.

Apesar do recuo, Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, alertou que os patamares ainda são elevados. "O estudo revela uma ligeira redução da participação das apostas ilegais, mas ainda em patamares elevados, com metade dos apostadores brasileiros transitando no mercado não licenciado. O dado positivo é que há quase um consenso de que esse problema precisa ser encarado: mesmo quem joga nos sites clandestinos acha que é um dever do País combatê-los com mais força", disse. A pesquisa também mostra que 77% dos apostadores concordam total ou parcialmente que as bets ilegais são mais perigosas por não cumprirem regras de jogo responsável — número que reforça a percepção pública sobre os riscos das plataformas clandestinas, mesmo entre quem as utiliza.

Fonte original
Com informações de BNLData →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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