Kambi vê riscos à integridade esportiva com proibição das bets no Brasil
Executivo da fornecedora de tecnologia alerta que a saída do mercado regulado pode enfraquecer mecanismos de combate à manipulação de resultados e ao mercado ilegal.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil a partir de 25 de setembro, interrompeu projetos em andamento da Kambi no país e gerou incertezas sobre o futuro da empresa no mercado brasileiro. Em entrevista ao iGaming Business, publicada em 16 de outubro, Mateo Lenoble, responsável pela atuação comercial da Kambi na América Latina, disse que a medida causou "um transtorno nos projetos que vínhamos desenvolvendo no país" e afirmou que a companhia, por operar exclusivamente em mercados regulados, foi diretamente afetada pela suspensão das atividades.
Lenoble destacou que o impacto sobre os parceiros brasileiros da Kambi varia conforme o perfil de cada operador. Empresas com atuação restrita ao Brasil enfrentam uma exposição maior à paralisação, enquanto aquelas presentes em outras jurisdições ainda mantêm operações ativas. Ainda assim, o executivo afirmou que a companhia segue apoiando seus clientes locais enquanto aguarda uma definição sobre o cenário regulatório. Para ele, o mercado brasileiro permanece entre os maiores do mundo e seria atraente para uma eventual retomada — desde que sob um novo marco regulatório. "A Kambi estaria aberta a retornar, sob um novo marco regulatório, e a apoiar parceiros que decidam entrar ou retornar ao Brasil", declarou, mencionando que o tema foi debatido durante o SBC Summit, em Lisboa.
O executivo, porém, ponderou que uma reabertura futura não eliminaria automaticamente as preocupações com a previsibilidade das regras. "Acredito que a incerteza em torno do país ainda persistirá por algum tempo. Se uma violação das normas de um mercado regulado pôde ocorrer uma vez, ela pode, potencialmente, voltar a acontecer", afirmou. Além dos efeitos econômicos sobre operadores e fornecedores, Lenoble levantou uma preocupação mais ampla: a relação entre a proibição e os riscos para a integridade esportiva. Segundo ele, a ausência de um mercado autorizado pode reduzir a capacidade das autoridades de monitorar atividades suspeitas e coibir operadores clandestinos. "O mercado regulamentado ajuda a combater a manipulação dos jogos e a garantir integridade esportiva. Somente no mercado regulado e com regras claras essas práticas podem ser combatidas", disse.
A Kambi fornece tecnologia de plataforma para apostas esportivas e integra, junto a outros parceiros do setor, a International Betting Integrity Association (IBIA), associação internacional dedicada ao monitoramento e à prevenção de manipulação de resultados. A empresa também mantém um departamento interno voltado à integridade. Vale ressaltar que o alerta de Lenoble representa a avaliação da empresa sobre os riscos potenciais, e não uma comprovação de que a proibição tenha, por si só, elevado os casos de manipulação — efeito que dependeria de evidências sobre o comportamento do mercado e a eficácia da fiscalização pelas autoridades competentes.
A MP nº 1.394 vedou a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de loterias de apostas de quota fixa em território nacional, abrangendo apostas esportivas e jogos de cassino online, inclusive quando ofertados por operadores sediados no exterior. O Brasil havia regulamentado o setor em 2025, sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, mas a medida extingue todas as autorizações emitidas até 25 de outubro de 2026. A MP tem validade de 60 dias, prorrogáveis por mais 60, e ainda depende de aprovação do Congresso Nacional para se converter em lei. Loterias tradicionais, como as da Caixa Econômica Federal, não foram afetadas pela restrição.
O que isso muda na regulação
- A proibição das bets no Brasil afeta fornecedores de tecnologia como a Kambi, que perdeu clientes e projetos em expansão e depende de um novo marco regulatório para retomar investimentos no país.
- A saída de operadoras reguladas reduz mecanismos de monitoramento e cooperação que facilitam o combate ao mercado ilegal e à manipulação de partidas, segundo a avaliação da empresa.
- A empresa sinaliza que mesmo com eventual reabertura do mercado, persiste o risco de incerteza jurídica, podendo desencorajar novos investimentos se as regras forem novamente alteradas de forma abrupta.
Entenda os termos
- Medida Provisória nº 1.394/2026
- Ato executivo que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa (incluindo apostas esportivas e cassino online) no Brasil a partir de 25 de setembro de 2026.
- Mercado regulado
- Ambiente de apostas operado sob regras estabelecidas por autoridades competentes, com requisitos de conformidade, monitoramento e supervisão de atividades.
- Integridade esportiva
- Conjunto de salvaguardas e procedimentos para prevenir a manipulação de resultados, fraude em competições e outras práticas ilícitas associadas às apostas em eventos esportivos.
- IBIA (International Betting Integrity Association)
- Associação internacional dedicada à proteção da integridade das apostas, que reúne operadores, órgãos reguladores e especialistas para combater manipulação de resultados.
A apuração deste fato é de ConexãoBet. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



