Jogos online na América Latina devem atingir US$ 12 bi em GGR até 2028
Relatório da Vixio Regulatory Intelligence aponta crescimento expressivo do setor na região, com Brasil, México, Colômbia e Peru liderando a expansão dos mercados regulados.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O mercado de jogos de azar online na América Latina está em trajetória de forte expansão. Segundo o relatório Perspectiva sobre Jogos de Azar Online da América Latina, publicado pela Vixio Regulatory Intelligence em novembro de 2024, os mercados regulados da região devem gerar US$ 12 bilhões em receita bruta de jogos (GGR) em 2028 — um salto considerável em relação à estimativa de US$ 2,5 bilhões prevista para 2024. Brasil, México, Colômbia e Peru figuram como os principais motores desse crescimento.
Brasil concentra mais da metade do potencial regional
O Brasil ocupa posição central nesse cenário. Especialistas projetam que o país se torne um dos três maiores mercados de jogos de azar do mundo até 2025, impulsionado pela transição de um ambiente não regulado para um sistema de licenciamento federal. Das 114 empresas que solicitaram autorização para operar no mercado regulado de apostas online brasileiro, 71 receberam aprovação e pagaram a taxa de concessão de R$ 30 milhões (equivalente a cerca de US$ 6 milhões) para atuar legalmente. A combinação de uma população de aproximadamente 200 milhões de habitantes com uma forte cultura esportiva — liderada pelo futebol, mas com crescente presença do basquete e do vôlei — cria condições favoráveis para operadores nacionais e internacionais. A projeção de GGR do Brasil para 2028 supera a soma de seus vizinhos: México deve ultrapassar US$ 2 bilhões, Colômbia deve atingir US$ 1 bilhão e Peru, US$ 850 milhões — o que coloca o Brasil como responsável por mais da metade do total regional.
Densidade de operadores varia entre os países
A distribuição de licenças revela realidades bem distintas. O Peru concedeu 63 licenças em menos de um ano, resultando em uma das maiores densidades da região: um operador para cada 545 mil habitantes. Essa competitividade acirrada pressiona o setor a inovar, mas também representa desafio de sustentabilidade em um mercado relativamente pequeno. A Colômbia, pioneira na regulamentação do jogo online na região, adotou ritmo mais equilibrado: são 15 operadores licenciados, com média de um para cada 2,8 milhões de habitantes, favorecendo a consolidação de marcas e o crescimento sustentável. Já o Brasil optou por uma abordagem seletiva — aprovando 71 das 114 solicitações —, o que deve resultar em um mercado menos fragmentado, porém altamente competitivo. Chile e Argentina também acompanham de perto essa dinâmica: o Chile se prepara para lançar seu próprio regime de licenciamento em 2025, enquanto a Argentina debate restrições publicitárias inspiradas, em parte, pelas medidas adotadas pelo Brasil.
Grandes eventos esportivos ampliam receitas e desafiam a tecnologia
A Copa América de 2024, disputada nos Estados Unidos, ilustrou o impacto que torneios de grande porte têm sobre o setor. Segundo o relatório, operadores relataram quase uma duplicação de receitas na América Latina durante o evento, de acordo com dados da Rush Street Interactive, enquanto a Betsson registrou crescimento de 34% nos ganhos regionais. Eventos como o Mundial de Clubes da FIFA e a Copa do Mundo de 2026 devem repetir esse efeito multiplicador. Esse cenário reforça a demanda por soluções tecnológicas escaláveis, especialmente em apostas em tempo real e microapostas — modalidade que permite aos usuários apostar em eventos específicos dentro de uma partida, como escanteios ou desempenho individual de jogadores. No campo tecnológico, o sistema de pagamentos Pix, amplamente utilizado no Brasil, é apontado como diferencial relevante para reduzir o atrito nas transações dos apostadores. Plataformas mobile-first, inteligência artificial aplicada à personalização e à detecção de fraudes, e chatbots com processamento de linguagem natural são outras tendências que ganham espaço no mercado latino-americano, em resposta tanto às exigências regulatórias quanto às preferências dos usuários locais.
Desafios regulatórios e oportunidades para o setor
Apesar do otimismo, o relatório aponta obstáculos relevantes. Altos impostos, custos de licenciamento e exigências de conformidade podem limitar a entrada de novos agentes e favorecer a permanência de operadores ilegais — especialmente no Brasil, onde a taxa de concessão de R$ 30 milhões cria uma barreira financeira significativa. Em paralelo, o país deu passos concretos em direção ao jogo responsável, com a criação do Grupo de Trabalho Interministerial sobre Saúde Mental, Prevenção e Redução de Danos do Jogo Problemático — uma tendência que, segundo analistas, tende a ser adotada por outros países da região. Para operadores e investidores, o caminho para capturar parte dos US$ 12 bilhões projetados passa pela capacidade de adaptar produtos e estratégias às especificidades culturais, regulatórias e tecnológicas de cada mercado.
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