Gauchão 2027 deve perder até 60% das receitas com proibição das bets
A Federação Gaúcha de Futebol prevê queda expressiva nos repasses aos clubes e nos serviços da competição após a saída das empresas de apostas do mercado nacional.
Foto: Valeriy Pelts / Pexels
O Campeonato Gaúcho de 2027 está garantido, mas deverá ser realizado com um orçamento bem mais enxuto. A Federação Gaúcha de Futebol (FGF) estima uma redução de aproximadamente 60% nas receitas da competição em razão da ausência dos recursos oriundos do setor de apostas. O presidente da entidade, Luciano Hocsman, reconhece que a mudança obrigará a uma revisão de compromissos, sobretudo os destinados às equipes do Interior. "Provavelmente teremos algum tipo de reflexo. O contrato mantido com a parceira era lastreado em empresas de bet, que agora buscam uma readequação", afirmou o dirigente.
O impacto financeiro não se limitará às cotas repassadas diretamente aos clubes. Segundo Hocsman, os serviços prestados pela FGF aos participantes do Gauchão também serão afetados. "O impacto vai diretamente no valor da cota repassada aos clubes. Ao impactar essa cota, reduz-se o quantitativo de contratos que a Federação consegue isentar e o suporte para o pagamento das arbitragens, pois tudo é proporcional ao lastro financeiro da entidade", explicou. A Série A2 do futebol gaúcho também deve sentir os efeitos, com possível redução nas isenções de taxas de contratos e no suporte financeiro às transmissões pela FFTV.
Para entender a dimensão da perda, basta observar a trajetória dos contratos comerciais do Gauchão nos últimos anos. Entre 2016 e 2024, a competição teve seus naming rights associados a uma rede de postos de combustíveis. Com a entrada das bets no mercado, o cenário mudou radicalmente: a comparação entre as duas últimas edições do Gauchão Ipiranga e o Gauchão Superbet, em 2026, revela um crescimento de 220% no valor desse contrato. Os acordos de transmissão acompanharam essa expansão: entre 2023 e 2026, o contrato televisivo registrou alta de 1.000%, após a FGF firmar parceria com a Brax, agência de marketing esportivo especializada em intermediar contratos de transmissão e patrocínio. A empresa adquiriu os direitos de transmissão ancorada em patrocínios de bets e, em seguida, fechou acordo com uma emissora de TV, incluindo valores financeiros, cotas comerciais, placas publicitárias e inserções nas transmissões.
A Brax, conforme informações disponíveis em seu próprio site, mantém parcerias com a FGF, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), além de 12 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, entre eles Grêmio, Internacional e Flamengo. O cenário do futebol gaúcho reflete um problema mais amplo enfrentado por competições em todo o país: a Medida Provisória nº 1.394, editada em 25 de setembro de 2026, proibiu as apostas de quota fixa no Brasil, extinguindo as autorizações da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e vedando novos depósitos. Com isso, os contratos de patrocínio e transmissão que haviam crescido exponencialmente lastreados no setor de iGaming perderam sua base financeira, e federações e clubes agora precisam encontrar novas fontes de receita para recompor seus orçamentos.
| Tipo de contrato | Período | Variação |
|---|---|---|
| Naming rights | 2016–2024 | não informado |
| Naming rights | Gauchão Ipiranga a Gauchão Superbet (2026) | aumento de 220% |
| Contrato de transmissão | 2023–2026 | aumento de 1.000% |
O que isso diz sobre o mercado
- O Campeonato Gaúcho de 2027 enfrentará queda estimada de até 60% em receitas após a proibição das bets, afetando diretamente o que a Federação Gaúcha de Futebol repassa aos clubes e os serviços oferecidos.
- Os clubes participantes, especialmente os do Interior e da Série A2, terão menos recursos para arbitragens, isenções de taxas de contrato e acesso às transmissões, reduzindo a qualidade operacional da competição.
- A redução revela como os investimentos em futebol foram alavancados pela entrada das bets no mercado regulado — aumento de até 1.000% em contratos de transmissão entre 2023 e 2026 —, tornando a indústria do futebol dependente dessa receita.
Entenda os termos
- Naming rights
- Direito de uma empresa estampar seu nome em uma competição esportiva, em troca de investimento financeiro.
- Contrato de transmissão
- Acordo pelo qual um terceiro (agência ou emissora) adquire direitos de exibir eventos esportivos em seus canais, frequentemente alavancado por patrocínios.
- Lastro financeiro
- Base de recursos financeiros que uma entidade possui para sustentar suas operações e compromissos.
A apuração deste fato é de iGaming Brazil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



