Flávio Bolsonaro ataca MP contra bets e acusa governo de arrecadar R$ 20 bi antes de proibir setor
O senador e candidato à Presidência classificou a Medida Provisória editada pelo governo Lula como "estelionato" e questionou o timing da medida, a nove dias das eleições.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, usou suas redes sociais na última sexta-feira (25/9) para atacar a decisão do governo federal de editar uma Medida Provisória proibindo as bets no Brasil. Ele chamou a iniciativa de "estelionato" e levantou dúvidas sobre a permanência da medida após o pleito eleitoral. No mesmo dia, de acordo com O Globo, o presidente Lula e integrantes de sua equipe econômica anunciaram o pacote em São Paulo. Além da MP, o governo encaminhou ao Congresso um projeto de lei que prevê pena de prisão de até seis anos para quem operar ou explorar apostas ilegalmente.
Em vídeo divulgado nas redes, o senador questionou o momento escolhido pelo governo para agir. "Agora, a nove dias da eleição, ele anuncia que vai acabar com as bets? E outra, faz por Medida Provisória, que tem duração só de quatro meses. Depois das eleições, se a MP caducar, as bets podem voltar com força total, mas aí já vai ser tarde, porque as eleições já vão ter passado e ele já enganou milhões de eleitores", declarou Flávio. O senador também responsabilizou diretamente o presidente pela expansão do setor. "Desde que Lula regulamentou as bets, o governo já arrecadou mais de R$ 20 bilhões. Ou seja, o Lula quando autorizou as bets a funcionarem tomou a decisão de ferrar com a vida das pessoas para arrecadar R$ 20 bilhões das pessoas mais humildes. Foi tudo friamente calculado para cobrir o rombo e a gastança do governo", afirmou.
Como funciona uma Medida Provisória
Uma MP entra em vigor imediatamente após ser editada pelo Executivo, mas tem validade limitada a até quatro meses. Para se tornar lei permanente, precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional — passando por uma comissão mista e pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Caso não seja votada dentro do prazo, a MP caduca e perde seus efeitos. É justamente essa característica que Flávio Bolsonaro explorou em sua crítica, sugerindo que a medida poderia não ter continuidade após o período eleitoral.
Histórico do setor e a posição do senador
As apostas esportivas foram legalizadas no Brasil em 2018, nos últimos dias do governo Michel Temer. Durante a gestão de Jair Bolsonaro, o setor permaneceu sem regulamentação específica. Em 2023, o Congresso aprovou, por iniciativa da equipe econômica do governo Lula, as regras de funcionamento das bets, que passaram a operar mediante licença concedida pelo governo federal — processo tocado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. O próprio Flávio Bolsonaro já teve ligações com o grupo parlamentar favorável à legalização das apostas e, em 2020, viajou a Las Vegas e Miami, nos Estados Unidos, para se reunir com empresas do setor de cassinos. Com o tempo, mudou de posição. Na quinta-feira (24/9), um dia antes das críticas à MP, o senador afirmou que, se eleito, proibirá os cassinos on-line, incluindo o jogo do tigrinho, sinalizando, porém, que deve manter as apostas esportivas de quota fixa, por considerar que esse segmento oferece mais mecanismos de controle.
O que está em jogo
- A disputa sobre a proibição das bets via MP expõe divergências sobre o momento político (véspera eleitoral) e a efetividade da medida: enquanto o governo sinaliza proibição permanente por Lei, Flávio Bolsonaro acusa o uso da MP como tática eleitoral, apontando que a medida pode caducar após as eleições.
- A acusação de que o governo arrecadou R$ 20 bilhões legalizando o setor para depois proibi-lo marca a polarização entre discursos sobre proteção social e acusações de manipulação eleitoral e arrecadação sobre população vulnerável.
- O posicionamento futuro do setor de apostas dependerá do resultado das eleições: o atual governo busca proibição total (via MP + PL com penas criminais), enquanto o candidato oposicionista sinaliza manutenção de apostas esportivas de quota fixa se eleito.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato normativo do Presidente com força de lei imediata, válido por até quatro meses; precisa ser aprovada pelo Congresso para se tornar permanente.
- Arrecadação com apostas
- Receita que o governo federal obtém através de impostos, taxas e outorga cobrados das operadoras de apostas esportivas reguladas.
A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



