Flamengo pede que PEC da Segurança preserve repasse das bets ao esporte
Em nota oficial, o clube carioca manifestou preocupação com mudança na PEC 18 que, segundo a entidade, retira do esporte parte dos recursos arrecadados com impostos das casas de apostas licenciadas.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O Flamengo divulgou, na última segunda-feira (31), um comunicado oficial se posicionando contra uma alteração incorporada à PEC 18 — a chamada PEC da Segurança — durante sua passagem pela Câmara dos Deputados. O clube afirma que a modificação, inserida na etapa final da tramitação antes do recesso parlamentar de julho, compromete a fatia dos recursos oriundos da tributação das bets que, até então, era direcionada ao esporte brasileiro.
Desde a regulamentação do mercado de apostas esportivas no Brasil, parte da arrecadação fiscal gerada pelas casas de apostas licenciadas foi legalmente destinada ao fomento do esporte. O Flamengo defende que essa lógica é legítima justamente porque o setor de bets depende, em sua essência, de competições, clubes e atletas para existir. Na nota, o clube argumenta que "o mercado de apostas esportivas depende de competições, clubes e jogos e, por isso, desde a regulamentação das bets no Brasil, parte dos recursos gerados pela atividade foi destinada ao esporte".
A entidade deixou claro que não se opõe ao reforço da segurança pública, mas contesta o caminho escolhido para financiá-lo. "Defender a segurança pública e defender o esporte não são posições incompatíveis", diz o comunicado, acrescentando que "o caminho deve ser buscar os recursos necessários para financiar os avanços na segurança sem enfraquecer uma atividade que também exerce papel fundamental para o desenvolvimento do país". O clube ainda destacou o impacto social do esporte, apontando sua contribuição para "a formação de cidadãos, educação, saúde, disciplina e convivência" de crianças e jovens em todo o Brasil.
A PEC da Segurança seguirá agora para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e, em seguida, para votação no plenário da Casa. O relator da matéria é o senador Rogério Carvalho (PT-SE), que já tomou conhecimento da preocupação manifestada pela comunidade esportiva. O Flamengo sinalizou aguardar que o parlamentar seja "receptivo às propostas apresentadas para evitar o corte de verba do esporte" ao longo do processo legislativo.
A regulamentação das apostas esportivas no Brasil entrou em vigor em 2025, sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. O arcabouço regulatório prevê, entre outras obrigações, o pagamento de tributos pelas operadoras licenciadas, parte dos quais foi originalmente vinculada ao financiamento do esporte nacional. É exatamente essa vinculação que o Flamengo — e, segundo o clube, a comunidade esportiva de forma mais ampla — busca preservar diante da tramitação da PEC 18.
O que está em jogo
- Há proposta de redução na distribuição de recursos provenientes dos impostos das bets ao esporte, o que afetaria o financiamento de clubes e competições que já dependem dessa fonte.
- O Flamengo e a comunidade esportiva buscam preservar repasses que desde a regulamentação das bets no Brasil foram incorporados ao orçamento do setor, argumentando compatibilidade entre aumentar segurança pública e manter investimento no esporte.
Entenda os termos
- PEC 18 (PEC da Segurança)
- Proposta de Emenda à Constituição em tramitação que altera a distribuição de recursos federais; neste caso, afeta os repasses dos impostos pagos por casas de apostas licenciadas.
- Casas de apostas licenciadas (bets)
- Plataformas de apostas esportivas autorizadas e regularizadas pelo Estado brasileiro, que pagam impostos cujos recursos são parcialmente destinados ao esporte.
- Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
- Órgão do Senado Federal responsável por analisar a constitucionalidade e adequação técnica de propostas antes de votação no plenário.
A apuração inicial deste fato é de iGaming Brazil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



