Cuiabá mantém camisa sem patrocinador máster e rejeita propostas de bets
Presidente Cristiano Dresch afirma que o clube não fechará contrato com casas de apostas por discordar do setor. Espaço frontal do uniforme está vago desde o fim de 2024.
Foto: Franco Monsalvo / Pexels
O Cuiabá Esporte Clube segue sem patrocinador fixo no espaço máster de sua camisa e não pretende mudar essa situação por meio de acordos com empresas de apostas esportivas. Em entrevista ao portal ge, publicada em 28 de agosto de 2026, o presidente do clube, Cristiano Dresch, foi categórico ao explicar os motivos da posição. "Eu nunca concordei com esse segmento, eu acho esse segmento criminoso. As bets exploram as pessoas, causam suicídios e destroem famílias. Nossos patrocinadores lá atrás já nos exigiram que a gente não firmasse contrato com as bets. Tomamos uma decisão acertada", declarou o dirigente.
Espaço vago desde o fim do contrato com a Drebor
A principal propriedade comercial do uniforme ficou desocupada após o encerramento do vínculo com a Drebor, empresa ligada à família Dresch que estampava a camisa do clube desde 2003. O contrato não foi renovado ao término de 2024, e desde então o espaço segue sem uma marca fixa. Em maio de 2025, Dresch já havia revelado ao ge que o clube recebera diversas propostas de casas de apostas, mas que nenhuma apresentava valores considerados satisfatórios. Em fevereiro de 2026, quando o Cuiabá completou um ano sem patrocinador máster, o presidente reforçou que a recusa ao setor era uma escolha estratégica dos proprietários do clube.
Campanha do etanol ocupa o espaço enquanto parceria não é definida
Na ausência de um parceiro comercial permanente, o clube tem utilizado o espaço frontal da camisa para iniciativas pontuais. No duelo contra o Goiás pela Série B do Campeonato Brasileiro, o uniforme trouxe a mensagem "Movido a Etanol", em referência à cadeia produtiva de biocombustíveis em Mato Grosso. "Estamos desenvolvendo uma campanha de divulgação de um dos maiores produtos que a gente faz aqui no Mato Grosso, que é o etanol. A gente está buscando uma aproximação com o segmento do agro", explicou Dresch. A estratégia sinaliza o interesse do clube em construir pontes comerciais com o agronegócio, setor de peso na economia estadual.
Finanças apoiadas em venda de jogadores e controle de gastos
Apesar de abrir mão de receitas potenciais com o mercado de apostas, o Cuiabá aposta em outras fontes para equilibrar seu orçamento. Dresch afirmou que o clube projeta encerrar 2026 com R$ 30 milhões em caixa provenientes de negociações de atletas, além de contar com direitos de transmissão e demais cotas de patrocínio. No campo das despesas, o presidente destacou que o clube iniciou o Campeonato Mato-Grossense de 2026 com uma folha salarial de cerca de R$ 500 mil. Dresch também mencionou que contratos firmados durante o período em que o clube disputava a Série A, do qual foi rebaixado ao fim de 2024, ainda geram compromissos financeiros — situação que o dirigente chamou de "heranças da Série A". A postura do Cuiabá contrasta com a do restante do futebol brasileiro: em 2025, a maior parte dos clubes da primeira divisão mantinha algum tipo de vínculo comercial com empresas do setor de apostas.
O que isso diz sobre o mercado
- O Cuiabá permanece sem um patrocinador máster fixo desde fim de 2024, rejeitando propostas de empresas de apostas — uma decisão estratégica que contrasta com a presença dominante das bets no futebol brasileiro.
- A posição do clube abre espaço para parcerias com outros setores (como agronegócio/etanol), mas mantém o clube distante de uma das principais fontes de receita comercial disponíveis.
- O modelo financeir do Cuiabá busca compensar a ausência desse patrocínio com venda de jogadores, direitos de transmissão e redução de despesas — estratégia viável para um clube em Série B, mas que limita suas possibilidades de receita.
Entenda os termos
- Patrocínio máster
- Espaço frontal principal da camisa de um clube de futebol, a propriedade comercial de maior visibilidade e valor de mercado do uniforme.
- Série A e Série B
- Série A é a primeira divisão do Campeonato Brasileiro; Série B é a segunda divisão. O rebaixamento implica mudança de nível competitivo e readequação financeira.
- Direitos de transmissão
- Receita gerada pela venda do direito de exibição dos jogos do clube a emissoras de televisão e plataformas de streaming.
A apuração inicial deste fato é de ConexãoBet. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



