ANJL e IBJR preparam ação judicial contra plataformas digitais por anúncios de bets ilegais
Entidades do setor querem responsabilizar grandes plataformas pela veiculação e monetização de publicidade de operadores de apostas sem autorização no Brasil.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) estão articulando uma ação conjunta contra plataformas digitais de grande porte pela exibição de anúncios de casas de apostas que operam sem autorização no país. O objetivo é responsabilizar essas plataformas não apenas por hospedar, mas também por monetizar esse tipo de publicidade, e exigir mecanismos mais ágeis e eficazes para identificar e remover os conteúdos relacionados a operadores ilegais.
Entre os pontos centrais da iniciativa está a preocupação com o alcance desses anúncios a públicos vulneráveis, em especial crianças e adolescentes. As entidades também alertam que a publicidade veiculada nesses ambientes pode direcionar usuários para sites e aplicativos que funcionam à margem do mercado regulado brasileiro. Segundo a ANJL e o IBJR, operadores clandestinos utilizam uma série de estratégias para atrair apostadores, como anúncios patrocinados, perfis falsos, links maliciosos e promessas de ganhos garantidos — práticas que ainda podem ser empregadas para captura indevida de dados pessoais, indução a pagamentos ou instalação de aplicativos suspeitos.
Com a ação, as duas entidades pretendem obter medidas que interrompam a circulação desses anúncios, acelerem a retirada dos conteúdos irregulares e estabeleçam a responsabilidade das plataformas que permitem sua veiculação e geram receita com ela. A ANJL e o IBJR argumentam ainda que a permanência da publicidade ilegal no ambiente digital aprofunda a assimetria competitiva entre os dois segmentos do mercado: enquanto operadores autorizados devem cumprir um conjunto rigoroso de exigências regulatórias, os clandestinos conseguem acessar consumidores sem se submeter às mesmas regras de fiscalização e proteção ao apostador.
O contexto da iniciativa é o do mercado regulado de apostas esportivas no Brasil, cuja estrutura foi consolidada a partir de 2025 sob a supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. As empresas que obtiveram licença para operar no país precisam atender a requisitos como pagamento de outorga, adoção de políticas de jogo responsável e restrições estritas quanto à publicidade — incluindo a proibição de anúncios direcionados a menores. A ação conjunta da ANJL e do IBJR se soma a outras frentes de combate às bets ilegais, como o apoio das entidades ao decreto federal voltado ao enfrentamento de operadores não autorizados e a ação que a ANJL prometeu protocolar no Supremo Tribunal Federal contra a proibição de publicidade de apostas no estado de Minas Gerais.
O que está em jogo
- Operadoras autorizadas recebem suporte institucional contra concorrência desleal de plataformas que anunciam bets ilegais, reduzindo a desvantagem competitiva no ambiente digital.
- Plataformas digitais (redes sociais, mecanismos de busca) podem enfrentar responsabilização judicial por monetizar anúncios de operadores não autorizados, pressionando para controles mais rígidos.
- A ação busca interromper um vetor de atração de apostadores para sites clandestinos, que operam sem proteção ao consumidor e colhem dados pessoais de forma maliciosa.
Entenda os termos
- Operador não autorizado
- Empresa de apostas que não possui licença da SPA (Superintendência de Avaliação, Conformidade e Administração de Tributos) para operar no Brasil e, portanto, não segue a regulamentação do setor.
- Mercado regulado
- Segmento de apostas que funciona sob supervisão estatal, onde as operadoras precisam cumprir exigências de proteção ao apostador, fiscalização e responsabilidade.
A apuração inicial deste fato é de Focus Gaming News Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



