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Regulação

ES propõe obrigação de alertas de risco financeiro nas plataformas de apostas

Cinco órgãos capixabas enviaram ao Ministério da Fazenda um documento que exigiria das bets a exibição da probabilidade de perda antes de cada aposta realizada.

ES propõe obrigação de alertas de risco financeiro nas plataformas de apostas

Imagem ilustrativa gerada por IA

Uma frente de cinco instituições do Espírito Santo encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta para tornar obrigatória a divulgação do risco financeiro em plataformas de apostas esportivas. O documento, apresentado na semana de 4 de agosto de 2026, foi coordenado pelo Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo (CINDEC) e reúne assinaturas do Ministério Público do Estado (MPES), do Procon-ES, da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), da Defensoria Pública e da Procuradoria-Geral do Estado. A iniciativa busca corrigir o que os órgãos classificam como publicidade enganosa por omissão praticada pelas bets.

O fundamento jurídico da proposta foi explicado pela promotora de Justiça Sandra Lengruber da Silva, coordenadora do Núcleo de Atendimento ao Superendividado do MPES. Segundo ela, o Código de Defesa do Consumidor já impõe a obrigação de transparência a qualquer setor econômico, mas as plataformas de apostas não a cumprem na prática. "Tudo aquilo que é imprescindível para a escolha do consumidor tem que ser informado. Se ele omite um dado indispensável para a decisão, aquela publicidade é enganosa por omissão", afirmou. Sandra Lengruber defendeu ainda que uma norma específica para o setor reforçaria essa exigência: "A gente entende que isso já é obrigatório pelo próprio Código de Defesa do Consumidor, independentemente da atividade econômica. Só que, no caso das bets, as ofertas não trazem o risco da aposta. Acreditamos que uma normativa mais específica iria fortalecer essa obrigação."

O que a proposta exige das plataformas

O documento do CINDEC estabelece três obrigações concretas às bets. A primeira é a adoção de uma fórmula matemática padronizada, a ser regulamentada pelo governo federal, para calcular a probabilidade de perda a partir das próprias cotas (odds) de cada aposta. A segunda determina que essa chance de perda seja exibida com o mesmo destaque visual dado ao prêmio anunciado — com tamanho de letra, cor e visibilidade equivalentes. A terceira prevê a exibição de um alerta de confirmação sempre que a probabilidade de perda superar 80%, informando explicitamente o alto risco antes de o usuário concluir a aposta. Para ilustrar a distorção atual, o ofício cita o exemplo de uma aposta com odds de 17: embora a oferta prometa pagar 17 vezes o valor investido, a probabilidade de perda nesse caso chegaria a aproximadamente 94%. "O consumidor que aposta R$ 10 pensa: 'Eu vou receber R$ 1.700. Nossa, então é um super negócio'. Só que essa mesma oferta não traz o risco. E quando buscamos uma análise técnica, ele é, na verdade, altíssimo. Nesse caso que a gente analisou, ele teria 94% de chance de perder. Isso é muito", declarou Sandra Lengruber.

O ofício foi recebido pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda e responsável pela regulação do mercado de apostas de quota fixa no Brasil. Em nota, a SPA informou que a proposta será analisada "no âmbito das competências da Secretaria, juntamente com as demais manifestações eventualmente apresentadas sobre o tema", e acrescentou que mantém agenda regulatória voltada ao "aperfeiçoamento contínuo da regulamentação do setor" com base em critérios técnicos. Não existe prazo legal para que a pasta se manifeste sobre o documento, e o grupo capixaba aguarda que a proposta seja incorporada futuramente à regulamentação nacional por meio de ato normativo da própria SPA.

A movimentação ocorre em um contexto de regulação ainda em consolidação no país. O marco legal das apostas esportivas foi aprovado em 2023 e regulamentado ao longo de 2024 e 2025, com a SPA conduzindo o processo de licenciamento das operadoras e a edição de normas sobre publicidade, proteção ao consumidor e jogo responsável. A proposta capixaba se soma a um debate crescente sobre os limites da comunicação comercial das bets e o nível de transparência exigido das plataformas diante do avanço do superendividamento associado às apostas no Brasil.

Fonte original
Com informações de BNLData →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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