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Regulação

Bets ilegais perdem espaço, mas setor alerta para necessidade de fiscalização contínua

Pesquisa do Instituto Locomotiva e da LCA Consultores mostra recuo da participação clandestina no mercado brasileiro, mas executivos do setor pedem mais ação contra operadores sem licença.

Publicada em 19 de agosto de 2026, antes da MP 1.394, que proibiu as apostas de quota fixa em 25/09/2026. O cenário descrito pode ter mudado. Veja o que mudou

Bets ilegais perdem espaço, mas setor alerta para necessidade de fiscalização contínua

Imagem ilustrativa gerada por IA

A fatia das bets ilegais no mercado brasileiro encolheu em relação ao ano anterior, segundo levantamento divulgado em 11 de agosto pelo Instituto Locomotiva em parceria com a LCA Consultores. A estimativa atual aponta que os operadores clandestinos respondem por entre 38% e 44% do setor — uma redução em relação ao intervalo de 41% a 51% registrado no primeiro semestre de 2025. O estudo foi encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).

A pesquisa ouviu 2.291 apostadores em maio deste ano, por meio de questionário digital de autopreenchimento, com abrangência nacional e margem de erro de 2,1 pontos percentuais. Os dados brutos foram então submetidos à LCA Consultores, que desenvolveu metodologia própria para estimar a dimensão do mercado ilegal — optando por não se basear apenas na proporção de entrevistados que relataram práticas irregulares. O levantamento identificou que 77% dos apostadores admitiram ao menos uma prática vedada pela legislação federal, como apostar em sites sem reconhecimento facial (53%), em plataformas com domínio diferente do ".bet.br" (48%), realizar depósitos via cartão de crédito (37%) ou por criptoativos (23%). Para fins do cálculo do mercado ilegal, a LCA considerou como apostadores clandestinos aqueles que relataram duas ou mais dessas práticas — percentual que chegou a 50% da amostra.

Governo amplia frentes de combate

Além do bloqueio de mais de 60 mil sites de apostas ilegais, o governo federal tem direcionado esforços para cortar os meios de pagamento que alimentam os operadores sem licença. Uma portaria da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, publicada em 2025, obriga instituições financeiras a comunicar em até 24 horas movimentações suspeitas ligadas a bets não autorizadas, sendo vedado manter contas ou processar recursos para essas plataformas. Em junho de 2026, o presidente Lula assinou decreto que permite o congelamento de recursos financeiros vinculados a apostas clandestinas, com os valores bloqueados destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP). Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e sócio do Betlaw, avalia que a medida é essencial: "A ação mais contundente do governo é fundamental para viabilizar o combate aos ilegais, que não são apenas as casas que exploram as apostas sem licença, mas todos que prestam serviços a tais empresas — entre os quais os meios de pagamento e instituições financeiras. Com uma atuação rígida por parte do governo, há uma grande expectativa para a diminuição do mercado ilegal."

Setor vê avanço, mas pede mais conscientização do apostador

Nickolas Tadeu Ribeiro de Campos, fundador e presidente do conselho da Ana Gaming — holding que opera a 7K Bet —, classifica os resultados como um progresso relevante, sobretudo para a proteção do consumidor e para as empresas que operam dentro da lei. Ele defende ampliar o bloqueio de sites e meios de pagamento e facilitar a identificação de operadores regulados: "Quanto mais simples for identificar e acessar operadores regularizados, maior será a capacidade de reduzir a atuação fora do ambiente regulado." Hans Schleier, COO da Casa de Apostas, reforça que o recuo das bets ilegais é um sinal positivo, mas que o caminho passa pela atuação conjunta de empresas, consumidores e órgãos reguladores: "Para avançar ainda mais, é importante que o setor siga fortalecendo a conscientização dos consumidores, a promoção do jogo responsável e a diferenciação entre operadores autorizados e plataformas irregulares." Diego Bittencourt, COO da Start Bet, concorda com o diagnóstico e aponta a combinação de ferramentas necessárias para seguir avançando: "A combinação entre fiscalização, tecnologia, responsabilização dos envolvidos e conscientização do consumidor será determinante para reduzir ainda mais esse mercado."

No Brasil, a regulamentação das apostas de quota fixa é conduzida pela SPA, vinculada ao Ministério da Fazenda. As plataformas licenciadas em nível federal operam com o domínio ".bet.br" e constam de lista oficial disponibilizada pelo órgão. Há também operadores autorizados por loterias estaduais — como as do Paraná, Rio de Janeiro e Paraíba —, que devem restringir sua atuação aos respectivos territórios e não utilizam o domínio federal. Operadores e reguladores reforçam que bets clandestinas não oferecem as proteções exigidas por lei, como reconhecimento facial para barrar menores de idade, ferramentas de autoexclusão e garantia de pagamento de prêmios, além de poderem ser utilizadas pelo crime organizado para fraudes e lavagem de dinheiro.

Análise BetNotícias
Participação estimada de bets ilegais no mercado brasileiro
PeríodoIntervalo de participação (%)
Primeiro semestre de 202541% a 51%
2026 (maio - coleta de dados)38% a 44%

O que isso diz sobre o mercado

  • A queda da participação de bets ilegais de 41-51% (H1 2025) para 38-44% (maio 2026) indica que a regulamentação e o bloqueio de sites estão produzindo efeito, mas ainda deixam espaço significativo para operação clandestina.
  • Operadoras legitimadas ganham segurança regulatória com a redução do mercado ilegal, mas enfrentam desafio contínuo: o setor alerta que sem fiscalização permanente e controle de meios de pagamento, a migração pode reverter ou estagnar.
  • Consumidores ainda correm risco: 77% dos apostadores entrevistados usaram práticas irregulares (sites sem reconhecimento facial, depósitos via cartão de crédito ou cripto), indicando que educação e identificação de plataformas autorizada permanecem frágeis.

Entenda os termos

Reconhecimento facial
Tecnologia de identificação biométrica que valida a identidade e a idade do usuário para impedir acesso de menores de idade a plataformas de apostas.
Domínio .bet.br
Sufixo de endereço eletrônico obrigatório para operadoras de apostas licenciadas nacionalmente pela SPA, que facilita a identificação de sites autorizados.
Autoexclusão
Ferramenta de proteção ao consumidor que permite ao apostador se bloquear voluntariamente do acesso a plataformas para coibir o vício em apostas.
Criptoativos
Moedas digitais (Bitcoin, Ethereum, etc.) usadas como meio de pagamento e depósito em plataformas de apostas, frequentemente associadas a operações sem regulação.
Fonte original
Com informações de Yogonet Brasil →

A apuração deste fato é de Yogonet Brasil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.

18+ Conteúdo informativo. Desde 25/09/2026, as apostas de quota fixa estão proibidas no Brasil (MP 1.394). O BetNotícias não opera nem indica apostas. Se o jogo trouxe prejuízo, procure o CAPS mais próximo ou ligue 188 (CVV).