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Regulação

Bets ilegais perdem espaço, mas setor alerta para necessidade de fiscalização contínua

Pesquisa do Instituto Locomotiva e da LCA Consultores mostra recuo da participação clandestina no mercado brasileiro, mas executivos do setor pedem mais ação contra operadores sem licença.

Bets ilegais perdem espaço, mas setor alerta para necessidade de fiscalização contínua

Imagem ilustrativa gerada por IA

A fatia das bets ilegais no mercado brasileiro encolheu em relação ao ano anterior, segundo levantamento divulgado em 11 de agosto pelo Instituto Locomotiva em parceria com a LCA Consultores. A estimativa atual aponta que os operadores clandestinos respondem por entre 38% e 44% do setor — uma redução em relação ao intervalo de 41% a 51% registrado no primeiro semestre de 2025. O estudo foi encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).

A pesquisa ouviu 2.291 apostadores em maio deste ano, por meio de questionário digital de autopreenchimento, com abrangência nacional e margem de erro de 2,1 pontos percentuais. Os dados brutos foram então submetidos à LCA Consultores, que desenvolveu metodologia própria para estimar a dimensão do mercado ilegal — optando por não se basear apenas na proporção de entrevistados que relataram práticas irregulares. O levantamento identificou que 77% dos apostadores admitiram ao menos uma prática vedada pela legislação federal, como apostar em sites sem reconhecimento facial (53%), em plataformas com domínio diferente do ".bet.br" (48%), realizar depósitos via cartão de crédito (37%) ou por criptoativos (23%). Para fins do cálculo do mercado ilegal, a LCA considerou como apostadores clandestinos aqueles que relataram duas ou mais dessas práticas — percentual que chegou a 50% da amostra.

Governo amplia frentes de combate

Além do bloqueio de mais de 60 mil sites de apostas ilegais, o governo federal tem direcionado esforços para cortar os meios de pagamento que alimentam os operadores sem licença. Uma portaria da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, publicada em 2025, obriga instituições financeiras a comunicar em até 24 horas movimentações suspeitas ligadas a bets não autorizadas, sendo vedado manter contas ou processar recursos para essas plataformas. Em junho de 2026, o presidente Lula assinou decreto que permite o congelamento de recursos financeiros vinculados a apostas clandestinas, com os valores bloqueados destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP). Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e sócio do Betlaw, avalia que a medida é essencial: "A ação mais contundente do governo é fundamental para viabilizar o combate aos ilegais, que não são apenas as casas que exploram as apostas sem licença, mas todos que prestam serviços a tais empresas — entre os quais os meios de pagamento e instituições financeiras. Com uma atuação rígida por parte do governo, há uma grande expectativa para a diminuição do mercado ilegal."

Setor vê avanço, mas pede mais conscientização do apostador

Nickolas Tadeu Ribeiro de Campos, fundador e presidente do conselho da Ana Gaming — holding que opera a 7K Bet —, classifica os resultados como um progresso relevante, sobretudo para a proteção do consumidor e para as empresas que operam dentro da lei. Ele defende ampliar o bloqueio de sites e meios de pagamento e facilitar a identificação de operadores regulados: "Quanto mais simples for identificar e acessar operadores regularizados, maior será a capacidade de reduzir a atuação fora do ambiente regulado." Hans Schleier, COO da Casa de Apostas, reforça que o recuo das bets ilegais é um sinal positivo, mas que o caminho passa pela atuação conjunta de empresas, consumidores e órgãos reguladores: "Para avançar ainda mais, é importante que o setor siga fortalecendo a conscientização dos consumidores, a promoção do jogo responsável e a diferenciação entre operadores autorizados e plataformas irregulares." Diego Bittencourt, COO da Start Bet, concorda com o diagnóstico e aponta a combinação de ferramentas necessárias para seguir avançando: "A combinação entre fiscalização, tecnologia, responsabilização dos envolvidos e conscientização do consumidor será determinante para reduzir ainda mais esse mercado."

No Brasil, a regulamentação das apostas de quota fixa é conduzida pela SPA, vinculada ao Ministério da Fazenda. As plataformas licenciadas em nível federal operam com o domínio ".bet.br" e constam de lista oficial disponibilizada pelo órgão. Há também operadores autorizados por loterias estaduais — como as do Paraná, Rio de Janeiro e Paraíba —, que devem restringir sua atuação aos respectivos territórios e não utilizam o domínio federal. Operadores e reguladores reforçam que bets clandestinas não oferecem as proteções exigidas por lei, como reconhecimento facial para barrar menores de idade, ferramentas de autoexclusão e garantia de pagamento de prêmios, além de poderem ser utilizadas pelo crime organizado para fraudes e lavagem de dinheiro.

Análise BetNotícias
Comparação da participação de bets ilegais no mercado brasileiro (2025 vs 2026)
PeríodoParticipação (intervalo estimado)
Primeiro semestre de 202541% a 51%
2026 (maio)38% a 44%

O que muda para o apostador

  • A queda na participação de bets ilegais (de 41-51% para 38-44%) indica que a regulamentação está reduzindo o mercado clandestino, beneficiando apostadores em plataformas autorizadas que oferecem proteções obrigatórias (reconhecimento facial, ferramentas de autoexclusão, garantia de pagamento de prêmios).
  • Apostadores devem verificar se o site termina em '.bet.br' (nacional) ou está listado nas loterias estaduais para garantir segurança jurídica e proteção legal; bets ilegais não oferecem garantia de saque e podem ser usadas para lavagem de dinheiro.
  • O bloqueio de recursos financeiros de operadores clandestinos, autorizado por decreto em 2026, e a obrigação de instituições financeiras comunicarem transações suspeitas (portaria 2025) aumentam os riscos de perda de fundos e bloqueio de conta para apostadores em plataformas não licenciadas.

Entenda os termos

Reconhecimento facial
Tecnologia de verificação biométrica obrigatória em operadoras regularizadas para comprovar a idade e identidade do apostador, impedindo acesso de menores de idade.
Domínio .bet.br
Extensão de endereço de internet exclusiva para casas de apostas licenciadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) em nível nacional; qualquer bet com outro domínio pode ser ilegal ou estar fora de jurisdição.
GGR (Gross Gaming Revenue)
Receita bruta de apostas, ou seja, o total de valores apostados menos os prêmios pagos aos ganhadores; principal indicador de rentabilidade do setor de bets.
Bloqueio de recursos financeiros
Ação governamental de congelamento de valores em contas bancárias ligadas a operadoras ilegais, com destino posterior a fundos públicos como o FNSP.
Fonte original
Com informações de Yogonet Brasil →

A apuração inicial deste fato é de Yogonet Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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