ANJL encomenda parecer para rebater estudos que ligam bets ao endividamento
A associação que representa o setor de apostas online no Brasil quer contestar pesquisa da CNC e levar o documento ao governo federal.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) encomendou um parecer técnico com o objetivo de contestar estudos que relacionam as plataformas de apostas online ao aumento da inadimplência e do endividamento das famílias brasileiras. Segundo informações publicadas pela coluna Radar Econômico da revista Veja, a entidade planeja apresentar o documento a representantes do governo federal.
O alvo central da contestação é uma pesquisa produzida pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), que atribui às bets responsabilidade por pioras em indicadores econômicos do país. A ANJL afirma que o levantamento apresenta falhas metodológicas relevantes. Entre os problemas apontados, está o uso de uma análise chamada "diferenças em diferenças" sem a inclusão de um grupo de controle — elemento considerado indispensável para esse tipo de estudo. Sem ele, segundo a associação, o resultado aponta apenas uma "coincidência temporal", sem comprovação de relação causal entre as apostas e o endividamento.
A entidade também argumenta que a pesquisa da CNC pode ter incorporado variáveis econômicas externas ao setor de apostas, como taxas de juros, inflação, oferta de crédito, níveis de emprego e políticas de transferência de renda, sem o devido isolamento desses fatores. Para a ANJL, a ausência desse controle compromete as conclusões do estudo. A posição não é nova: em outra ocasião, a associação já havia se manifestado sobre uma pesquisa do Datafolha, sustentando que os dados não apontavam as apostas como principal causa do endividamento das famílias.
O movimento da ANJL ocorre em um momento sensível para o setor. O mercado regulado de apostas esportivas no Brasil passou por um processo de licenciamento conduzido pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, com operações autorizadas a partir de janeiro de 2025. Desde então, o segmento tem enfrentado escrutínio crescente de órgãos públicos, entidades de defesa do consumidor e da mídia sobre seus possíveis impactos sociais e econômicos. A disputa em torno das evidências científicas que embasam — ou não — restrições ao setor tende a ganhar ainda mais relevância à medida que o debate regulatório avança no país.
Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



