Capelo: proibição de apostas não acabaria com futebol, mas agravaria calotes de clubes
Jornalista especializado em finanças esportivas avalia que banir as apostas online causaria impacto financeiro imediato nos times brasileiros, sem, porém, ameaçar a existência do futebol nacional.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O jornalista Rodrigo Capelo, sócio e diretor de Conteúdo do Sport Insider e colunista do Estadão especializado em finanças no esporte, publicou neste domingo, 21, uma análise sobre os possíveis efeitos de uma eventual proibição das apostas online no Brasil. Capelo discordou da narrativa adotada por clubes brasileiros na semana passada, segundo a qual tal medida representaria uma ameaça à própria sobrevivência do futebol nacional, mas reconheceu que as consequências financeiras seriam concretas e imediatas.
Na avaliação do jornalista, o principal efeito seria o aprofundamento de um problema já existente: a inadimplência dos clubes com prestadores de serviço e fornecedores. "Clubes vão dar calotes em prestadores de serviço e fornecedores, como já faz a maioria", escreveu Capelo em sua coluna. Além disso, ele apontou o risco de demissões em empresas de mídia dependentes das receitas do setor de apostas e a perda de contratos publicitários por influenciadores e personalidades ligadas ao segmento. Ainda assim, o colunista não considerou esses impactos suficientes para justificar a manutenção do modelo atual. "Os clubes vão se ajeitar para lidar com as dívidas novas, as empresas de mídia vão sobreviver, e o Neymar vai se contentar com os outros 30 patrocinadores dele. Se todo mundo tiver que se adequar em nome do bem comum, que assim seja", opinou.
Capelo defende que eventuais mudanças relevantes nas regras do setor sejam fundamentadas em critérios técnicos e incluam um período de transição para contratos firmados dentro do mercado regulamentado. Como referência, ele citou a Premier League inglesa, que decidiu eliminar patrocínios de casas de apostas da parte frontal das camisas dos clubes a partir desta temporada — decisão que foi precedida por um prazo de três anos para adaptação de clubes e empresas. O contexto brasileiro é ainda mais sensível: o mercado regulado de apostas esportivas foi oficialmente estruturado a partir de 2025, com a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) como órgão responsável pela concessão de licenças e fiscalização dos operadores autorizados.
A discussão ganha urgência diante de uma medida provisória (MP) em tramitação que, em sua versão mais restritiva, poderia chegar a proibir cassinos online e apostas esportivas no país. Segundo reportagem do próprio Estadão citada por Capelo, a SPA/MF não está participando das discussões em torno dessa MP — o que levanta questionamentos sobre a base técnica do processo. Em vez de uma proibição ampla, o jornalista disse preferir medidas de redução e moderação da publicidade, reforço da fiscalização sobre operadores autorizados e endurecimento das barreiras ao mercado ilegal. Ao encerrar o artigo, Capelo ressaltou sua posição de independência: "Mas isto sou eu falando, e não sou especialista no tema. Pelo menos, também não sou candidato a eleição nenhuma, nem sou financiado por casa de apostas."
O que isso diz sobre o mercado
- Uma proibição abrupta das apostas online impactaria a saúde financeira dos clubes brasileiros, que já enfrentam inadimplência crônica, agravando calotes a fornecedores e prestadores de serviço.
- Empresas de mídia dependentes de receitas do setor de apostas e profissionais ligados a influencers também sofreriam perdas de contratos e receitas publicitárias.
- O cenário demanda período de transição regulado, segundo especialista, não uma restrição instantânea — modelo similar ao da Premier League, que deu três anos de prazo para adequação.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato legislativo de caráter emergencial que o presidente da República pode editar, com força de lei, antes de ser apreciado pelo Congresso Nacional.
- Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF)
- Órgão do Ministério da Fazenda responsável pela regulação e fiscalização do mercado regulado de apostas esportivas e iGaming no Brasil.
A apuração inicial deste fato é de SBC Notícias Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



