📅 Atualizado 3× ao dia · Mercado regulado pela SPA/MF
Leaderboard 728×90
Regulação

GloboNews reúne analistas que criticam possível proibição das bets por Lula

Debatedores do Estudio i foram unânimes ao questionar a proposta do governo federal de vedar as apostas esportivas, enquadrando a medida como cálculo eleitoral de última hora.

GloboNews reúne analistas que criticam possível proibição das bets por Lula

Imagem ilustrativa gerada por IA

O programa Estudio i, da GloboNews, dedicou parte de sua edição desta segunda-feira (21/9) ao debate sobre uma possível proibição das apostas esportivas pelo governo Lula — movimento que era aguardado para horas depois, com a eventual edição de uma medida provisória ao retorno do presidente da Assembleia Geral da ONU. Apresentado por Andréa Sadi, o bloco reuniu cinco analistas que, sem exceção, se posicionaram de forma crítica à ideia de banir o setor.

O repórter Pedro Figueiredo abriu a discussão com dados inéditos do Datafolha, mostrando que Lula é o único presidente desde a redemocratização que não conseguiu melhorar sua avaliação de governo às vésperas de uma eleição. Segundo o levantamento, a avaliação ruim/péssima subiu de 38% em julho para 42% em setembro, enquanto a ótima/boa avançou apenas de 32% para 34% no mesmo intervalo — variação dentro da margem de erro. Foi nesse quadro de desgaste eleitoral que a pauta das bets foi enquadrada pelos debatedores: não como decisão técnica, mas como resposta política.

O colunista Merval Pereira foi o mais contundente. Ele apontou incoerência no governo, que aprovou a tributação das bets por necessidade fiscal e agora cogita proibi-las por cálculo eleitoral: "A BET foi o governo que aprovou, porque precisava de dinheiro, e agora vai cortar. Então é muito confuso, é tudo pra tentar ganhar um apoio em determinados segmentos da sociedade, mas muito incoerente." Mais adiante, Merval foi ainda mais direto: "Agora, isso é escandaloso. Se ele fizer isso na última semana […] a Dilma dizia que a gente faz o diabo pra ganhar eleição, mas isso aí já não é mais fazer o diabo." O colunista fez questão de contextualizar que a regulamentação das apostas foi iniciada no governo Michel Temer e que, durante toda a gestão Bolsonaro, o setor operou sem cobrança de imposto — cabendo ao governo Lula apenas instituir a tributação.

O jornalista Valdo Cruz foi quem se posicionou de forma mais direta contra a proibição, defendendo regulação mais rígida no lugar do veto: "Você tem que estabelecer regras, sim. Você tem que apertar o cerco, sim, mas você vai simplesmente acabar com um setor do país de uma hora para outra? […] Eu acho que demonstra uma falta de segurança jurídica nessa questão, que o governo precisa entender como vai atuar." Cruz também questionou o momento da medida: "agora vai voltar para ter um ganho eleitoral nessa reta final. Como disse o Merval, vale tudo para ganhar uma eleição?"

Octavio Guedes trouxe uma explicação sobre como o tema chegou ao topo da agenda do Planalto: o monitoramento de redes sociais teria identificado que menções ao Bolsa Família vinham acompanhadas de pedidos de restrição às bets em volume similar. "Essa história das bets surgiu das redes sociais. Começaram a monitorar e viram que quando houve o aumento do Bolsa Família, a menção dessa história do Bolsa Família estava quase igual a um apelo para que houvesse um freio das bets", disse ele, descrevendo uma campanha guiada por captura de atenção em tempo real. Thomas Traumann, por sua vez, classificou o momento da candidatura de Lula como de desorientação, listando uma série de medidas de última hora — entre elas a possível proibição das bets — como sintoma de uma campanha sem mensagem clara: "Eu acho que ele está perdido, não só nas coisas que faz e volta atrás, como em que rumo quer." Miriam Leitão concentrou sua fala no custo de vida e na dificuldade de comunicar resultados econômicos, sem entrar diretamente no mérito da proibição. O episódio evidencia como o debate sobre apostas esportivas no Brasil já ultrapassou o campo regulatório e passou a ocupar o centro da disputa político-eleitoral.

Análise BetNotícias

O que isso muda na regulação

  • O fato não atinge diretamente apostadores ou operadoras com medida concreta; retrata debatedores criticando a estratégia de possível proibição como incoerente (após criar imposto sobre o setor) e motivada por cálculo eleitoral de última hora, não por política pública deliberada.
  • O episódio evidencia que a discussão sobre regulação de apostas migrou do debate técnico-regulatório para o centro da campanha política, deixando em aberto qual será o teor exato da medida provisória anunciada pelo governo.

Entenda os termos

Medida Provisória
Ato normativo expedido pelo Presidente da República com força de lei imediata, que precisa ser convertida em lei pelo Congresso Nacional em até 60 dias (prorrogáveis).
Segurança Jurídica
Garantia de que as regras que ordenam uma atividade econômica são estáveis, previsíveis e não mudam abruptamente, permitindo que empresas e investidores planejem suas operações.
Tributação do Setor
Cobrança de impostos sobre o faturamento ou o funcionamento das operadoras de apostas esportivas, como forma de gerar receita ao governo.
Fonte original
Com informações de BNLData →

A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

18+ Conteúdo informativo. Apostas são destinadas a maiores de 18 anos e envolvem risco financeiro. Jogue com responsabilidade. O BetNotícias não opera apostas nem faz indicação de casas.