ANJL e Grupo Globo debatem desafios do mercado de bets no Brasil em seminário nesta sexta
Evento reúne lideranças do setor para discutir tributação, proteção ao consumidor e combate ao mercado ilegal, que ainda responde por cerca de 50% das apostas no país.
Publicada em 13 de agosto de 2026, antes da MP 1.394, que proibiu as apostas de quota fixa em 25/09/2026. O cenário descrito pode ter mudado. Veja o que mudou
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) realiza nesta sexta-feira (14) o seminário "Desafios pós-regulação do mercado de apostas", em parceria com a Editora Globo, integrante do maior grupo de mídia da América Latina. O encontro reúne especialistas e lideranças do setor para tratar de temas como carga tributária, novas tecnologias de proteção ao consumidor e jogo responsável. O Brasil chega a esse debate com um mercado regulado que conta com 86 empresas e 188 plataformas autorizadas — resultado de cerca de um ano e meio de regulamentação —, ocupando o quinto lugar no ranking internacional de bets, segundo a consultoria Regulus Partners.
Palestrantes e temas do evento
Entre os confirmados para o seminário estão Udo Seckelmann, head do Departamento de Gambling e Cripto do escritório Bichara e Motta Advogados; Eric Brasil, diretor da LCA Consultores; e Luís Otávio Veríssimo, presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol. O economista Guilherme Mendes Resende, da MR Consultoria Econômica e PhD pela London School of Economics and Political Science, apresentará um estudo encomendado pela ANJL sobre os fatores que contribuem para o endividamento das famílias brasileiras. Segundo o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, esse endividamento tem origem principalmente nos juros do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito. "O Brasil tem que reconhecer a diferença entre as bets reguladas, que praticam o jogo responsável, e as ilegais", afirmou Plínio.
Mercado ilegal e ferramentas de combate
O combate à operação clandestina permanece como o principal desafio apontado pelo setor. Pesquisa da H2 Gambling Capital, divulgada no início de 2026, estima que o mercado ilegal ainda responde por aproximadamente 50% das apostas realizadas no Brasil. Para enfrentar o problema, a ANJL firmou, no fim de 2024, um termo de cooperação com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda para financiar um laboratório dentro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A estrutura já está em funcionamento e envia relatórios à SPA sempre que identifica um operador irregular. Um segundo sistema, voltado ao Ministério da Justiça e à Polícia Federal — com capacidade de alimentar também as polícias civis estaduais —, deve entrar em operação no final de agosto.
Tributação e sustentabilidade do setor regulado
Além da ilegalidade, a carga tributária é apontada como ameaça à sustentabilidade das empresas licenciadas. Um estudo da LCA Consultores indica que a tributação sobre as bets pode passar dos atuais 32% para 42% até 2033, com algumas empresas já destinando cerca de 50% do faturamento ao pagamento de impostos. A ANJL defende que eventual aumento de arrecadação deveria vir da formalização de operadores que hoje atuam na clandestinidade, e não de uma taxação adicional sobre quem já opera dentro das regras. O presidente da associação também destacou que o reconhecimento facial — principal componente do conjunto de exigências conhecidas como Know Your Client (KYC) — é considerado referência global de proteção ao consumidor e tem impedido o acesso de menores de idade e de apostadores com exclusão legal às plataformas reguladas.
O debate ocorre em um momento sensível para o setor: a regulamentação do mercado de apostas esportivas no Brasil, conduzida pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, ainda está em fase de consolidação, com discussões em curso sobre publicidade, limites de depósito e medidas adicionais de proteção ao consumidor. Para a ANJL, distinguir as operadoras autorizadas das clandestinas é condição essencial para que o arcabouço regulatório cumpra seus objetivos de transparência e segurança.
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Tempo de regulamentação | 1 ano e meio |
| Empresas autorizadas | 86 |
| Plataformas autorizadas | 188 |
| Posição no ranking internacional (Regulus Partners) | 5º lugar |
| Participação do mercado ilegal (H2 Gambling Capital, 2026) | ~50% |
O que isso diz sobre o mercado
- O Brasil concentra 86 empresas e 188 plataformas reguladas, ocupando a 5ª posição global em mercado de apostas — uma estrutura que o presidente da ANJL reconhece como regulação melhor que 99% de outros países, mas que ainda enfrenta competição do mercado ilegal em pé de igualdade.
- A carga tributária sobre bets reguladas atingirá 42% até 2033 (contra os atuais 32%), risco que associações e operadoras alertam estar próximo de inviabilizar empresas, ainda que o setor já destine até 50% do faturamento ao pagamento de impostos.
- O seminário reúne o setor em torno de três frentes: combate ao mercado clandestino (que responde por ~50% das apostas no Brasil), aperfeiçoamento de mecanismos de proteção ao consumidor (reconhecimento facial, KYC) e sustentabilidade fiscal das operadoras reguladas.
Entenda os termos
- Know Your Client (KYC)
- Conjunto obrigatório de informações que a plataforma deve coletar do apostador para cadastro e acesso, incluindo reconhecimento facial, a fim de impedir menores e excluídos legais de criarem contas.
- Reconhecimento facial
- Tecnologia de identificação biométrica que valida a identidade do usuário e é considerada pelo setor como o principal mecanismo de proteção ao consumidor nas plataformas de apostas.
- Mercado ilegal (ou clandestino)
- Plataformas de apostas não autorizadas pelo governo, que não pagam impostos, aceitam menores de idade e carecem de mecanismos de proteção ao consumidor.
- Jogo responsável
- Conjunto de práticas e políticas adotadas por operadoras autorizadas para proteger a saúde mental e financeira do apostador, incluindo limites de aposta e autoexclusão.
A apuração deste fato é de iGaming Business Brasil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



