Advogado defende bets regulamentadas e culpa Estado por crise de endividamento no Brasil
Em artigo publicado na Gazeta do Povo, o fundador da MYLaW Advogados argumenta que o endividamento das famílias brasileiras é anterior à regulação das apostas e tem raízes estruturais na política fiscal e no crédito caro.
Publicada em 13 de agosto de 2026, antes da MP 1.394, que proibiu as apostas de quota fixa em 25/09/2026. O cenário descrito pode ter mudado. Veja o que mudou
Imagem ilustrativa gerada por IA
O debate sobre a relação entre apostas esportivas e endividamento familiar ganhou mais um capítulo com um artigo de opinião publicado na Gazeta do Povo por Luiz Felipe Maia, sócio e fundador da MYLaW Advogados. No texto, o especialista em direito do setor de iGaming contesta a narrativa de que as empresas de apostas regulamentadas seriam as responsáveis pela deterioração das finanças das famílias brasileiras, classificando esse argumento como "politicamente conveniente, mas economicamente frágil".
Para sustentar sua tese, Maia recorreu a dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Segundo o advogado, em dezembro de 2024 — antes da entrada em vigor plena do mercado regulado de apostas — 76,7% das famílias brasileiras já se encontravam endividadas, e 29,3% possuíam dívidas em atraso. "A crise de endividamento não nasceu com as bets regulamentadas. Ela já estava instalada", afirmou. O mercado formal de apostas esportivas no Brasil passou a operar sob regulação a partir de janeiro de 2025, com licenças concedidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.
Na análise de Maia, os principais vetores do endividamento são de natureza macroeconômica e financeira. Ele aponta o Estado como primeiro responsável, citando anos de déficits públicos recorrentes e juros estruturalmente elevados que encarecem o crédito e comprimem a renda das famílias. Na sequência, critica o sistema financeiro: "O rotativo do cartão de crédito chegou a patamares próximos de 450% ao ano" em dezembro de 2024, segundo estatísticas do Banco Central citadas no artigo. O advogado também questiona a ampliação do crédito consignado para aposentados, pensionistas, servidores e trabalhadores sem o acompanhamento de educação financeira adequada e critérios prudenciais efetivos.
O artigo também aborda o risco de medidas restritivas ao setor regulado, como limitações à publicidade ou barreiras à operação das plataformas licenciadas. Para Maia, essas iniciativas não protegem o consumidor, mas produzem efeito contrário: "Se o mercado legal for enfraquecido, essa demanda não desaparecerá. Ela será deslocada para plataformas ilegais, que não recolhem tributos, não verificam a identidade dos usuários, não aplicam regras de jogo responsável, não observam políticas de prevenção à lavagem de dinheiro e não estão submetidas à fiscalização brasileira", escreveu. O argumento dialoga com uma preocupação recorrente do próprio regulador brasileiro: o mercado ilegal de apostas, que opera fora do alcance da SPA, representa um desafio paralelo ao processo de licenciamento em curso no país.
Por que isso importa
- O texto é uma opinião que posiciona as bets reguladas como vítimas de uma narrativa simplista: o endividamento brasileiro é estrutural (76,7% das famílias em dezembro de 2024) e anterior à regulamentação, resultado de juros altos, crédito caro e políticas públicas de facilitação de empréstimos.
- Para o autor, restringir o mercado regulado apenas desloca demanda para plataformas ilegais sem tributação, identidade verificada ou jogo responsável, enfraquecendo proteção real do consumidor.
- A peça argumenta que o Estado e o sistema financeiro (taxa de rotativo em 450% ao ano) são os principais responsáveis pela crise de endividamento, não as empresas de apostas.
Entenda os termos
- PEIC/CNC
- Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Câmara de Comércio, que mede o percentual de famílias brasileiras com dívidas e atrasos.
- Crédito consignado
- Empréstimo descontado diretamente em folha de pagamento do devedor, geralmente concedido a aposentados, pensionistas e servidores públicos.
- Jogo responsável
- Conjunto de práticas e políticas das operadoras para minimizar riscos de dependência e perdas excessivas por parte dos apostadores.
- Prevenção à lavagem de dinheiro
- Conjunto de controles e procedimentos que operadoras implementam para evitar que o serviço seja usado para ocultar origem de recursos ilícitos.
A apuração deste fato é de iGaming Brazil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



