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Mercado & Negócios

BiS João Pessoa encerra 1ª edição com debates sobre sports bars, influenciadores e futebol regional

Os três painéis finais do evento discutiram experiências físicas de apostas, responsabilidade na publicidade digital e o papel econômico das bets no futebol estadual e regional.

BiS João Pessoa encerra 1ª edição com debates sobre sports bars, influenciadores e futebol regional

Foto: Ketut Subiyanto / Pexels

A primeira edição do BiS João Pessoa foi encerrada na quinta-feira (17) com a realização dos três últimos painéis do evento, realizado nos dias 16 e 17 de setembro no Resort Tauá, na capital paraibana. Ao longo da programação, representantes de diferentes segmentos do mercado regulado de iGaming se reuniram para tratar de temas como compliance, integridade, publicidade, experiência do consumidor e os impactos das mudanças regulatórias sobre o ecossistema de apostas no Brasil.

Sports bars: jogo como produto principal

O painel sobre sports bars reuniu Lucinéia Souzza, diretora jurídica e de compliance da Bethanus; Joberto Porto, chief legal officer da CDA Gaming; e Fábio Tibéria, vice-presidente da BetConstruct. Lucinéia, que acompanhou o desenvolvimento de um projeto de sports bar por mais de um ano, defendeu que iniciativas do tipo sejam construídas com planejamento e responsabilidade. "Não é algo simples, é complexo unir vários segmentos em um setor tão sensível. Nós não podemos romantizar o nosso setor. Existe uma sensibilidade, pois lidamos com pessoas, vidas", afirmou. Para ela, a viabilidade do setor depende de projetos estruturados com transparência e sustentabilidade. Joberto Porto reforçou que o conceito de sports bar não se confunde com um bar comum que oferece apostas. Na sua visão, o jogo é o produto central, e gastronomia, bebidas e transmissão esportiva funcionam como camadas complementares. "Não é um bar que tem jogo, é o contrário. É um ambiente de jogo que tem um entretenimento a mais", definiu. Fábio Tibéria traçou um paralelo com a trajetória italiana e destacou avanços tecnológicos desde que começou a operar no Brasil, em 2011. "O que mais mudou foi a tecnologia e os métodos de pagamento. Hoje, nós temos a IA e essa nova direção de gamificação, aumentando a interação com a plataforma, acelerando muitas coisas", pontuou. Tibéria também fez uma crítica ao enquadramento inicial das apostas de quota fixa no Brasil e comparou a discussão sobre restrições publicitárias ao que a Itália viveu a partir de 2018, quando passou a proibir a publicidade de casas de apostas, permitindo apenas a loteria nacional. "O Brasil está percorrendo a mesma trajetória que a Itália", avaliou.

Influenciadores digitais e os limites da publicidade

O segundo painel, moderado pela advogada Beatriz Carvalho, do escritório Evânio Moura Advogados, discutiu a responsabilidade de influenciadores digitais na promoção de apostas. Participaram Bárbara Teles, head de Legal e Compliance da Playtech Brasil; Leonardo Benites, CEO da Propane; e Natalia Nogues, CEO da Control F5. Bárbara Teles lembrou que, desde a legalização das apostas esportivas em 2018, o setor ficou mais de seis anos sem uma regulação efetiva, período em que as práticas variaram bastante entre os operadores. Ela defendeu que o mercado não pode depender apenas do bom senso de quem produz conteúdo. Natalia Nogues voltou sua crítica à atuação de microinfluenciadores e à responsabilidade das plataformas digitais. "A Meta tem que ter algoritmos, tem que estar constantemente bloqueando. Temos que ter responsabilidade, como pessoas da indústria, de exigir que esses meios bloqueiem e que os órgãos também punam esses influenciadores", cobrou. Leonardo Benites apontou a educação como o nó central do problema. "Qualquer problema da nossa indústria cai no ponto da educação. O brasileiro, graças ao banimento de quase um século, não tem quase nenhuma educação sobre o segmento de apostas, e isso também vale para o influenciador", declarou. O debate ocorre em um contexto em que regras federais — publicadas em julho de 2026 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, pelo Ministério da Fazenda e pela Secretaria de Comunicação Social — já estabelecem restrições de conteúdo, proteção de crianças e adolescentes e verificação de anunciantes autorizados para a publicidade de apostas de quota fixa.

Futebol regional e o risco de "abismo" regulatório

O painel de encerramento tratou do impacto das apostas sobre os campeonatos estaduais e regionais. Participaram Maurício Santos, CEO do Grupo MCS; Beetto Saad, apresentador e diretor da BandSport e da Agência BPS; Arthur Lobo, fundador da Confut; e Ricardo Cesar, advogado e auditor do TJD-SE. Beetto Saad descreveu o "Lado B" do futebol como os benefícios concretos que os investimentos da indústria de apostas trazem ao esporte brasileiro e alertou sobre os riscos de uma medida provisória em discussão. "Se a MP passar, o futebol brasileiro e a mídia vão cair num abismo absolutamente irreversível", afirmou. Arthur Lobo considerou que a incerteza regulatória já provoca efeitos negativos no mercado. "A incerteza dessa MP tem trazido um desespero ao nosso mercado", disse, defendendo que a busca por soluções seja feita de forma conjunta. Ricardo Cesar citou a Copa Lotese, em Sergipe, como exemplo prático da importância do financiamento por apostas e loterias estaduais para competições regionais. "Essa importância do dinheiro, do custeio do campeonato, é vital. Essa MP traz um cenário devastador", ressaltou. O advogado também destacou o papel cultural da Copa do Nordeste, que, segundo ele, gera pertencimento e identidade regional e estimula clubes menores a se organizarem em torno de um produto esportivo com potencial de audiência.

O BiS João Pessoa integra o circuito de eventos do setor de iGaming no Brasil, que ganhou relevância crescente desde o início do processo de regulamentação das apostas de quota fixa, formalizado com a Lei 14.790/2023 e operacionalizado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. O encontro na capital paraibana ampliou a discussão para além dos grandes centros, colocando em pauta as especificidades do mercado físico, da comunicação digital e do esporte regional — três frentes que seguirão diretamente vinculadas à evolução do ambiente regulatório brasileiro.

Análise BetNotícias

O que isso diz sobre o mercado

  • O evento consolidou o futebol estadual e regional como campo de investimento crítico para operadoras de apostas, com participantes defendendo que incerteza regulatória já produz efeitos negativos sobre financiamento de competições.
  • Operadoras, influenciadores digitais e plataformas de redes sociais têm responsabilidade compartilhada na publicidade de apostas, sendo insuficiente o bom senso individual; regulações de 2026 já estabelecem obrigações específicas.
  • Sports bars emergem como etapa de evolução do mercado físico brasileiro, exigindo estrutura, transparência e sustentabilidade para viabilizar convivência entre jogo, gastronomia e bebidas alcoólicas.

Entenda os termos

Sports bar
Estabelecimento de entretenimento cujo produto principal é o jogo de apostas, complementado por gastronomia, bebidas e transmissão de eventos esportivos.
Aposta de quota fixa
Modalidade de aposta em eventos esportivos na qual o jogador conhece antecipadamente o valor que receberá em caso de acerto, diferente de jogos de loteria.
Jogo responsável
Conjunto de práticas e controles implementados para mitigar riscos de dependência e proteger apostadores, incluindo avisos, limites de apostas e autoexclusão.
Compliance
Função de conformidade que garante que a operação de uma empresa respeita leis, regulações e normas internas do setor.
Fonte original
Com informações de ConexãoBet →

A apuração inicial deste fato é de ConexãoBet. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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