ABC-BET pede que governo fortaleça regulação e combata ilegais, não restrinja mercado autorizado
Em carta aberta, associação do setor alerta que medidas restritivas excessivas podem empurrar apostadores para plataformas clandestinas e pede diálogo baseado em dados antes de qualquer nova regulação.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Associação Brasileira de Conformidade, Boas Práticas, Ética e Transparência em Apostas (ABC-BET) divulgou uma carta aberta, assinada pelo seu presidente Vinicius Pinho, em resposta às discussões sobre possíveis novas restrições ao setor de apostas no Brasil. O documento foi publicado após o UOL noticiar, na noite do dia 16, que o governo Lula avalia proibir cassinos online e limitar as apostas esportivas, com a possibilidade de edição de uma nova medida provisória (MP).
A entidade reconhece que as preocupações com os impactos sociais das apostas são legítimas — como o superendividamento, o acesso de menores e a manipulação de resultados —, mas defende que a resposta adequada não passa pelo enfraquecimento do mercado regulado. Para a ABC-BET, a distinção central que deve orientar qualquer política pública é a diferença entre operadores autorizados pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) e empresas que atuam na ilegalidade. Na avaliação da associação, medidas que tornem o mercado autorizado excessivamente restritivo ou pouco competitivo tendem a deslocar consumidores para plataformas clandestinas, onde não existem mecanismos de proteção, fiscalização ou responsabilização.
A carta lista uma série de investimentos feitos pelas empresas autorizadas após aderirem ao ambiente regulado: tecnologia de compliance, prevenção à lavagem de dinheiro, proteção de dados, políticas de jogo responsável e ferramentas de autoexclusão, além do pagamento de outorgas e tributos e da contratação de profissionais para atender às exigências legais. A ABC-BET argumenta que esse esforço não pode ser equiparado à operação clandestina, e que a prioridade do poder público deveria ser "fortalecer o ambiente regulado e enfraquecer o mercado ilegal". Ao final do documento, a associação resume seu recado em uma frase direta ao governo: "Não enfraqueça a regulação. Fortaleça-a."
A entidade também cobra que eventuais mudanças regulatórias sejam construídas com base em dados confiáveis, metodologia transparente e amplo diálogo institucional — envolvendo reguladores, Poder Executivo, Congresso Nacional, órgãos de defesa do consumidor, autoridades de saúde, pesquisadores, sociedade civil e representantes do setor autorizado. O pedido se insere num momento sensível para o mercado brasileiro de apostas: a regulamentação das bets, estruturada a partir da Lei 14.790/2023 e operacionalizada pela SPA/MF, ainda está em fase de consolidação, com o processo de concessão de licenças definitivas em andamento e debates sobre aperfeiçoamentos normativos em curso em diversas frentes.
Além de se opor a restrições genéricas, a ABC-BET apresenta pedidos concretos ao governo: ampliar a cooperação com instituições financeiras, meios de pagamento e plataformas digitais para cortar a cadeia econômica da ilegalidade; aprimorar mecanismos de proteção ao consumidor; fortalecer políticas de prevenção e tratamento do jogo problemático; e sancionar operadores que descumpram as normas vigentes. A associação afirma que continuará contribuindo tecnicamente para o processo regulatório, defendendo que "aperfeiçoar não significa retroceder".
O que isso muda na regulação
- A ABC-BET alerta que restrições drásticas ao mercado regulado, como proibições ou limitações severas, podem empurrar apostadores para plataformas clandestinas onde desaparecem mecanismos de proteção ao consumidor — impactando a efetividade da regulação que o próprio governo construiu.
- A associação exige que qualquer nova decisão regulatória seja baseada em dados técnicos e diálogo institucional, não em reações a casos isolados, e defende intensificação do combate ao ilegal em vez de restrições ao autorizado.
Entenda os termos
- SPA/MF
- Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda; órgão responsável pela autorização, supervisão e fiscalização das operadoras de apostas reguladas no Brasil.
- Mercado regulado vs. mercado ilegal
- O mercado regulado é composto por empresas autorizadas pela SPA/MF, submetidas a controles, fiscalização e obrigações legais; o mercado ilegal funciona sem autorização estatal, sem garantias de pagamento e sem mecanismos de proteção ao consumidor.
- Jogo responsável
- Conjunto de políticas e mecanismos (como autoexclusão e limites de gastos) implementados por operadoras autorizadas para prevenir comportamentos problemáticos e proteger consumidores vulneráveis.
- Medida Provisória (MP)
- Instrumento legal expedido pelo Poder Executivo com força de lei imediata, mas que precisa ser apreciada pelo Congresso Nacional para ser convertida em lei permanente.
A apuração inicial deste fato é de SBC Notícias Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



