Superbet lança canal gratuito 24h contra vício em apostas e destina R$ 60 mi à campanha
A "Superlinha" oferece atendimento por telefone e WhatsApp com encaminhamento a psicólogos, assistentes sociais e psiquiatras, com capacidade para 3.500 atendimentos mensais.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Superbet anunciou na última segunda-feira (31/8) o lançamento da "Superlinha", um serviço gratuito de atendimento ininterrupto — disponível por telefone e WhatsApp — voltado a pessoas com comportamento problemático em relação às apostas. A iniciativa é acompanhada por uma campanha publicitária avaliada em R$ 60 milhões, que estreou em comercial na TV Globo protagonizado pelo ex-jogador de futebol Cafu. Segundo o CEO da empresa, Alexandre Fonseca, trata-se do segundo maior investimento em mídia da história da Superbet, superado apenas pela campanha veiculada durante a Copa do Mundo.
Os usuários que entrarem em contato pela Superlinha serão direcionados ao IPJ (Instituto de Proteção ao Jogador), entidade criada por empresas do setor de apostas e que contará com aportes financeiros adicionais da Superbet. A unidade reúne assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras, com capacidade inicial para até 3.500 atendimentos por mês — número que a empresa diz estar disposta a ampliar conforme a procura. A divulgação da campanha também está prevista nas redes sociais e nos estádios patrocinados pela marca, incluindo o do São Paulo Futebol Clube. "Vamos utilizar todo o arsenal de mídia que nós temos aqui na Superbet", afirmou Fonseca. Cada inserção de 30 segundos no intervalo da novela das 19h da Globo custa cerca de R$ 600 mil, conforme tabela de preços da emissora.
Educação como resposta ao vício
Ao apresentar a iniciativa, Fonseca rejeitou a interpretação de que a campanha teria motivação comercial. "Não é uma campanha que vise adquirir usuários ou de alguma forma capitalizar para a empresa como marca", declarou. O executivo também se posicionou contra medidas mais restritivas ao setor, como tributação elevada ou proibição de publicidade, defendendo a educação do consumidor como caminho principal. Na avaliação dele, vedar a propaganda das casas regulamentadas — que pagaram R$ 30 milhões por licença e seguem normas de jogo responsável — equivaleria a colocá-las em desvantagem frente a operadores clandestinos. "A minha única diferenciação como casa de apostas regulamentada no Brasil é poder fazer publicidade ampla", disse o CEO. Sobre comparações com o modelo norueguês, em que a participação estatal e o banimento de publicidade privada contribuíram para reduzir a taxa de jogadores adoecidos de 1,4% para 0,6% entre 2019 e 2022, Fonseca argumentou que o contexto socioeconômico dos dois países é incomparável.
O cenário do vício no Brasil
Os números sobre o impacto do jogo na saúde pública ajudam a entender a urgência do debate. O Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, divulgado em 2025, estimou que cerca de 1,4 milhão de brasileiros — equivalente a 0,8% da população — apresentam quadros compatíveis com diagnóstico provável de Transtorno do Jogo (ludopatia). O psiquiatra Rodrigo Machado, do Hospital das Clínicas, alerta que a situação pode ser ainda mais grave: a taxa de jogadores em risco de adoecimento ultrapassa 7% no Brasil, enquanto em outros países o índice varia entre 1% e 3%. "O número de diagnósticos de ludopatia demora mais a subir e ainda deve crescer em vista da legalização recente no país", afirmou o especialista.
O mercado brasileiro de apostas online segue em expansão acelerada. Dados do Ministério da Fazenda de 2025 apontam que aproximadamente 10% da população do país aposta online — proporção que chega a 25% na Inglaterra. No mesmo ano, o Brasil figurou como o terceiro maior mercado gerador de receita para casas de apostas no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Inglaterra, com faturamento estimado entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões, somando operadores regulados e clandestinos. É nesse contexto que o jogo responsável se consolida como um dos principais eixos do debate regulatório conduzido pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, órgão responsável pela supervisão do setor desde a regulamentação das apostas esportivas de quota fixa, em vigor a partir de 2025.
O que muda para o apostador
- A Superbet amplia oferta gratuita de apoio especializado (24h) para apostadores com vício, aumentando acesso a tratamento psicológico e psiquiátrico em escala até 3.500 atendimentos/mês.
- O investimento de R$ 60 milhões em campanha de educação marca posição da operadora contra modelos restritivos (banimento de publicidade ou proibição total), argumentando que regulação com conscientização é mais efetiva que supressão.
Entenda os termos
- Transtorno do Jogo
- Quadro clínico caracterizado por padrão de comportamento de jogo prejudicial ou problemático, diagnosticável segundo critérios clínicos internacionais; no Brasil, estima-se que cerca de 0,8% da população apresenta diagnóstico provável.
- Ludopatia
- Sinônimo clínico para vício em jogos ou dependência patológica do jogo; condição que requer tratamento especializado.
- IPJ (Instituto de Proteção ao Jogador)
- Unidade criada por empresas de apostas para oferecer atendimento especializado a pessoas com problemas relacionados ao vício em apostas, com equipes de assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras.
A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



