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Jogo Responsável

Mulheres apostadoras precisam de proteção real, não de proibição

Pesquisa sobre apostas no universo feminino levanta pontos importantes, mas apresenta lacunas metodológicas que dificultam a criação de políticas públicas efetivas, segundo análise da cofundadora da Amig.

Mulheres apostadoras precisam de proteção real, não de proibição

Imagem ilustrativa gerada por IA

Uma pesquisa realizada pelo Estúdio Clarice, em parceria com a Estratégia Latina e o Instituto Ideia, trouxe à tona a relação das mulheres com as apostas online no Brasil, com destaque para casos de mães endividadas que recorrem às plataformas digitais em busca de renda extra. O levantamento aponta que grande parte das mulheres aposta motivada pelo desejo de realizar sonhos de pessoas próximas — e, na maioria das vezes, encerra a experiência no negativo. O estudo foi veiculado pela Folha de S.Paulo em agosto, mas gerou debate sobre a qualidade dos dados coletados e a adequação das conclusões à realidade regulatória atual.

Falhas metodológicas comprometem o diagnóstico

A advogada Bárbara Teles, cofundadora da Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (Amig), aponta que a pesquisa apresenta problemas que limitam sua utilidade para a formulação de políticas públicas. Entre as críticas, ela destaca que o estudo não diferencia apostadoras que simplesmente se divertiram daquelas que sofreram danos reais, inclui no grupo "problemático" todas as pessoas que pararam de apostar e não distingue quem foi prejudicado antes ou depois da regulamentação do mercado. Além disso, o levantamento não separa as bets legais — identificadas pelo domínio ".bet.br" — das ilegais, o que impede uma avaliação precisa dos efeitos da legalização sobre o problema. "Sem isso não dá para medir corretamente os efeitos da legalização e da regulamentação sobre o problema — e traçar as correções necessárias", afirma Teles.

Regulamentação em vigor impõe obrigações rígidas

O contexto regulatório brasileiro mudou significativamente em 2025. Com a entrada em vigor das novas normas estabelecidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, as operadoras licenciadas passaram a ser obrigadas a cumprir exigências que vão desde qualificação técnica até medidas de responsabilidade social e proteção de grupos vulneráveis. O descumprimento pode levar à perda da autorização de funcionamento, com responsabilização direta dos sócios em seus CPFs. Uma portaria governamental também determina que o retorno ao jogador (RTP) nas plataformas de cassino digital seja de no mínimo 85%, valor que deve ser certificado por laboratório terceirizado credenciado.

Proibição não é saída; fiscalização efetiva, sim

Para Teles, o caminho não passa pela proibição das apostas, mas pelo fortalecimento da regulamentação e da fiscalização sobre as operadoras licenciadas. Ela ressalta que apostar deve ser encarado como entretenimento — e não como estratégia de complementação de renda, prática que contraria as próprias diretrizes de jogo responsável. A advogada também lembra que as mulheres estão presentes não apenas entre as apostadoras, mas em todos os níveis hierárquicos das empresas do setor. A Amig, da qual ela é cofundadora e diretora, reúne milhares de profissionais que atuam pela construção de uma indústria, segundo ela, "íntegra, responsável e sustentável". A conclusão é que uma nova pesquisa, com metodologia mais robusta, seria necessária para embasar políticas públicas que protejam efetivamente tanto as apostadoras quanto as trabalhadoras do setor.

Análise BetNotícias

O que isso muda na regulação

  • O texto reforça que a falta de informação de qualidade causa danos reais às apostadoras, particularmente mulheres que usam apostas como tentativa de renda e saem com saldo negativo.
  • Aponta que pesquisas futuras precisam diferenciar apostadores ocasionais de problemáticos e separar impactos antes/depois da regulamentação para desenhar políticas públicas efetivas.
  • Defende que regulamentação forte com fiscalização protege melhor as mulheres apostadoras e trabalhadoras do setor do que proibição, que empurraria o mercado para a ilegalidade.

Entenda os termos

RTP (Return to Player)
Percentual mínimo de retorno ao jogador em jogos de azar; regulamentação determina mínimo de 85%, certificado por laboratório terceirizado credenciado.
Jogo responsável
Conjunto de diretrizes e políticas que visam proteger apostadores contra danos, incluindo informação de qualidade, limites de depósito e prevenção de uso compulsivo.
Bets licenciadas
Plataformas de apostas online autorizadas pelo governo a operar legalmente no Brasil, identificáveis pelo domínio '.bet.br'.
Conformidade
Cumprimento obrigatório de regras e exigências regulatórias estabelecidas para operadores licenciados de apostas online.
Fonte original
Com informações de BNLData →

A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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