PF cria divisões especializadas para combater apostas ilegais e manipulação de resultados
A Polícia Federal encaminhou ao Ministério da Justiça proposta de reestruturação interna com 17 novas unidades administrativas, incluindo setores específicos para apostas ilegais e fraudes esportivas. O custo mensal estimado é de R$ 44,9 mil.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Polícia Federal está em processo de reorganização interna para criar estruturas dedicadas ao combate às apostas ilegais e à manipulação de resultados esportivos no Brasil. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, encaminhou um documento formal ao Ministério da Justiça e Segurança Pública na sexta-feira (25), mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Medida Provisória nº 1.394, que proibiu a exploração das apostas de quota fixa no país. Segundo integrantes do governo, Lula já autorizou as mudanças, e a proposta segue agora para avaliação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). O impacto financeiro mensal estimado com a criação das novas estruturas é de R$ 44,9 mil.
Como ficará o novo organograma
O plano prevê a criação da Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos (CGLA), vinculada à Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor) — estrutura que já concentra investigações como as do Banco Master e as fraudes no INSS. Dentro da CGLA, serão criadas uma Coordenação de Inteligência Financeira e Lavagem de Dinheiro — com serviço específico para crimes envolvendo ativos virtuais, como criptomoedas — e uma Coordenação de Recuperação de Ativos, responsável pela investigação patrimonial, gestão, alienação e destinação de bens ligados a crimes. Atualmente, essas áreas ocupam posições hierarquicamente inferiores na PF; com a aprovação da proposta, ganhariam status de coordenação. Ao todo, a reestruturação contempla 17 novas unidades administrativas, aproveitando três estruturas já existentes, hoje ligadas à Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro (CGRC).
Especificamente voltadas ao tema das apostas, o organograma inclui a Divisão de Repressão a Apostas Ilegais e a Divisão de Repressão à Manipulação de Resultados Esportivos. Embora com status hierárquico inferior ao das coordenações, as duas divisões atuarão diretamente nessas frentes de investigação. O documento também prevê uma Divisão de Doutrina e Capacitação, um setor de apoio administrativo e um núcleo de gestão estratégica. No documento enviado ao Ministério da Justiça, Andrei Rodrigues descreveu o objetivo central da medida: "Fortalecer a capacidade institucional da Polícia Federal para o enfrentamento econômico ao crime organizado, mediante a integração, em estrutura central especializada, da repressão à lavagem de dinheiro, da inteligência financeira, da investigação patrimonial e da recuperação de ativos, além do enfrentamento das apostas ilegais e da manipulação de resultados esportivos".
Três anos de investigações e bilhões em bloqueios
A reorganização interna se apoia em um histórico já robusto de atuação. Segundo o Ministério da Justiça, a PF investiga esquemas de apostas ilegais e manipulação de resultados esportivos há três anos. Entre março de 2023 e agosto de 2026, a corporação deflagrou 12 operações relacionadas a essas práticas, com pelo menos 73 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão cumpridos em estados como Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraíba e no Distrito Federal. No mesmo período, a PF solicitou à Justiça o sequestro de R$ 4,17 bilhões em bens e valores vinculados às investigações. Paralelamente, a corporação integra uma força-tarefa da Interpol contra a manipulação de resultados esportivos, o que permite o intercâmbio de informações e metodologias com organismos internacionais. Na terça-feira (29), o Ministério da Justiça informou ainda ter solicitado o bloqueio de 5.209 sites de apostas que passaram a operar ilegalmente após a edição da MP 1.394.
| Métrica | Quantidade |
|---|---|
| Operações deflagradas | 12 |
| Mandados de busca e apreensão | pelo menos 73 |
| Mandados de prisão | 15 |
| Valor em bens sequestrados (pedido à Justiça) | R$ 4,17 bilhões |
| Estados alcançados | 7 |
| Sites bloqueados (outubro de 2026) | 5.209 |
O que isso muda na regulação
- A Polícia Federal vai especializar suas estruturas internas para investigar apostas ilegais e manipulação de resultados, criando divisões dedicadas e elevando o status das áreas de lavagem de dinheiro — uma mudança institucional que reflete a prioridade do governo no combate após a MP 1.394 em setembro de 2026.
- A corporação já tem três anos de operações sobre o tema (12 operações, 73 buscas, 15 prisões e R$ 4,17 bi em sequestros até agosto de 2026), e a reestruturação busca integrar essas investigações sob uma direção única para rastrear ativos e recuperar bens desviados.
- O Ministério da Justiça já começou a bloquear sites ilegais (5.209 em outubro de 2026), e a nova estrutura da PF deve apoiar esse esforço com capacidade técnica ampliada para ativos virtuais, financeiros e crime organizado.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato normativo assinado pelo Presidente da República que tem força de lei imediata, mas precisa ser aprovada pelo Congresso dentro de 60 dias (prorrogáveis por mais 60) para continuar valendo.
- Apostas de quota fixa
- Apostas em que a casa pagadora oferece uma probabilidade fixa de retorno independente dos resultados posteriores, incluindo apostas esportivas e cassino online.
- Lavagem de dinheiro
- Crime de dissimular a origem ilícita de recursos, fazendo parecerem legítimos os valores obtidos de atividades criminosas.
- Dicor
- Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da Polícia Federal, responsável por investigações de crimes graves estruturados.
A apuração deste fato é de iGaming Brazil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



