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Jogo Responsável

Proibição das bets não elimina o problema do jogo compulsivo, alertam especialistas

Mesmo com o encerramento das plataformas autorizadas, pessoas com comportamento problemático podem continuar buscando formas de apostar, inclusive em ambientes ilegais sem qualquer mecanismo de proteção.

Proibição das bets não elimina o problema do jogo compulsivo, alertam especialistas

Imagem ilustrativa gerada por IA

O debate em torno da Medida Provisória nº 1.394, que em setembro de 2026 proibiu as apostas de quota fixa no Brasil, trouxe à tona uma questão que vai além dos impactos econômicos e regulatórios: o que acontece com as pessoas que já desenvolveram uma relação problemática com o jogo? Para Lucas Baraças, diretor de Saúde Digital da Galileu Saúde e cofundador do Vigilantes, regulação e saúde pública são dimensões conectadas, mas não intercambiáveis. O fechamento das plataformas autorizadas pode reduzir a exposição e o acesso, mas não faz desaparecer a compulsão de quem já a desenvolveu.

Um dado do próprio ambiente regulatório reforça essa preocupação. Auditoria divulgada pelo Tribunal de Contas da União em 2026 estimou que operadores ilegais respondem por entre 41% e 51% do volume total de apostas realizadas no país. Isso significa que uma fatia expressiva do mercado já funcionava à margem das regras e dos mecanismos de proteção exigidos das empresas autorizadas — e tende a continuar acessível a quem buscar alternativas para continuar apostando.

Baraças destaca que o comportamento problemático costuma se manifestar antes de qualquer diagnóstico formal de transtorno do jogo. Sinais como aumento na frequência das apostas, crescimento dos valores envolvidos, dificuldade para respeitar limites de tempo e dinheiro, desejo intenso de jogar e tentativas recorrentes de recuperar perdas já indicam uma trajetória de risco. Entre as ferramentas usadas internacionalmente para avaliar esse quadro está o Problem Gambling Severity Index (PGSI), complementado por indicadores como frequência, volume de gastos, períodos sem jogar e o chamado craving — o desejo intenso de apostar. Nenhum desses elementos, porém, deve ser interpretado isoladamente como diagnóstico.

No campo do tratamento, intervenções baseadas em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) acumulam evidências relevantes. Um estudo randomizado publicado na revista Behaviour Research and Therapy, conduzido por pesquisadores da Universidade Laval, avaliou tratamento cognitivo em grupo para pessoas que preenchiam os critérios de jogo patológico. Dos 34 participantes que concluíram a intervenção, 88% deixaram de preencher esses critérios ao fim do tratamento, contra apenas 20% no grupo de controle. O ambiente digital, por sua vez, adiciona complexidade ao cenário: com o celular, as apostas acompanham o indivíduo ao longo de todo o dia, o que torna o monitoramento contínuo — por meio de registros de frequência, gastos e gatilhos — um recurso de apoio relevante entre consultas, sem substituir a avaliação profissional.

A conclusão de Baraças é direta: a mudança no mercado regulado pode alterar o acesso, a publicidade e a exposição às apostas, mas não elimina o mercado ilegal nem encerra a necessidade de prevenir e tratar o jogo problemático. As regras mudam; o desafio de saúde pública permanece.

Análise BetNotícias

O que isso muda na regulação

  • A proibição das bets reguladas pelo Brasil (em vigor desde setembro de 2026) não elimina o jogo compulsivo: o mercado ilegal já responde por 41% a 51% do volume total de apostas, de modo que pessoas com comportamento problemático migram para canais sem proteção ao invés de deixarem de apostar.
  • Prevenção e tratamento continuam necessários independentemente do fechamento das plataformas — reconhecer sinais de risco (frequência crescente, dificuldade de limite, craving) e intervenções baseadas em Terapia Cognitivo-Comportamental (com eficácia de 88% em estudos) devem acompanhar qualquer mudança regulatória.
  • A dimensão digital das apostas (acesso via celular, contato contínuo) exige ferramentas de monitoramento contínuo entre consultas profissionais para identificar padrões de risco que não aparecem em avaliações pontuais.

Entenda os termos

Jogo patológico / ludopatia
Padrão persistente de comportamento de jogo descontrolado que causa dano significativo ao indivíduo, caracterizado por perda de controle, tentativas recorrentes de parar e continuação apesar das consequências negativas.
PGSI (Problem Gambling Severity Index)
Instrumento de avaliação internacional utilizado para medir a gravidade dos problemas relacionados ao jogo, ajudando a identificar e classificar comportamentos de risco em diferentes níveis.
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Abordagem terapêutica que trabalha a relação entre pensamentos, sentimentos e comportamentos, usada no tratamento de transtornos do jogo para identificar gatilhos, modificar crenças distorcidas e estabelecer limites.
Craving
Termo que descreve o desejo intenso e compulsivo de realizar uma atividade, no caso de apostas, o impulso forte de jogar independentemente do contexto ou consequências.
Fonte original
Com informações de BNLData →

A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.

18+ Conteúdo informativo. Desde 25/09/2026, as apostas de quota fixa estão proibidas no Brasil (MP 1.394). O BetNotícias não opera nem indica apostas. Se o jogo trouxe prejuízo, procure o CAPS mais próximo ou ligue 188 (CVV).