Pedidos para operar bets no Brasil caem 97% no 1º semestre de 2026
Apenas seis empresas solicitaram autorização para entrar no mercado de apostas esportivas no período, ante 227 pedidos registrados no auge do setor, em 2024.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O mercado brasileiro de apostas esportivas perdeu força de atração sobre novos entrantes. No primeiro semestre de 2026, o governo federal contabilizou apenas seis pedidos de autorização para operação de bets — uma retração de 97% frente ao pico histórico registrado no segundo semestre de 2024, quando o Ministério da Fazenda recebeu 227 solicitações em seis meses, segundo dados do BNLData.
A queda se mostra ainda mais acentuada quando analisada a série histórica recente. Logo após o boom do fim de 2024, o primeiro semestre de 2025 ainda acumulou 63 pedidos. O número recuou para 28 no segundo semestre daquele ano e despencou para o mínimo atual de seis nos primeiros seis meses de 2026. Do total de 428 solicitações desde o início do processo regulatório, apenas 85 empresas obtiveram autorização para operar. Outras dez seguem em análise pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão do Ministério da Fazenda responsável pela concessão das licenças.
Mercado concentrado e custos elevados afastam novos concorrentes
O cenário de desaceleração dos pedidos coincide com um movimento de fusões e aquisições entre as grandes operadoras já estabelecidas no país. Os altos custos operacionais e os valores cobrados pelas outorgas são apontados como fatores determinantes para tornar a entrada no setor pouco viável para novos competidores. A regulamentação do mercado, que passou a valer em janeiro de 2025, impôs uma série de exigências técnicas, financeiras e de conformidade às plataformas, o que eleva significativamente a barreira de acesso ao segmento.
Pressão política em ano eleitoral adiciona incerteza ao setor
O ambiente político de 2026 também contribui para o arrefecimento do interesse. Por ser ano eleitoral, as bets voltaram a figurar na agenda do Congresso Nacional, com discussões sobre elevação da carga tributária e possíveis restrições à publicidade das plataformas. Esse quadro de incerteza regulatória e fiscal tende a desestimular investimentos no setor, especialmente de empresas que ainda não possuem presença consolidada no mercado brasileiro.
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