ANJL vê avanço na regulação após queda no uso de crédito em apostas
Pesquisa do Datafolha aponta recuo de 15% para 10% no percentual de apostadores que usam cartão de crédito, modalidade proibida no mercado regulado brasileiro.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) avaliou positivamente os efeitos da regulamentação do setor de apostas no Brasil após a divulgação de uma pesquisa do Datafolha, publicada na quinta-feira (15). O levantamento mostrou que o percentual de apostadores que utilizam cartão de crédito para realizar apostas recuou de 15% para 10% — uma redução relevante, já que essa modalidade de pagamento é expressamente proibida no mercado regulado por representar riscos financeiros aos consumidores. Em nota publicada em seu perfil oficial no LinkedIn, a entidade afirmou que "a regulamentação está tornando o ambiente de apostas cada vez mais seguro para os brasileiros" e classificou a queda como "um avanço importante" na implementação das regras do setor.
Os dados do Datafolha vão além do uso do cartão de crédito e indicam uma mudança mais ampla no comportamento dos apostadores brasileiros. Em comparação com pesquisa equivalente realizada em 2024, diminuiu de 22% para 19% a parcela de entrevistados que afirmou ter usado dinheiro da poupança para apostar. O percentual dos que deixaram de comprar algo para destinar recursos às apostas caiu de 19% para 11%, enquanto os que pegaram dinheiro emprestado para jogar recuaram de 15% para 8%. Ainda mais expressiva foi a redução entre aqueles que deixaram de pagar contas para apostar: o índice passou de 13% para 6%. O estudo ouviu 1.970 pessoas em 139 municípios de todas as regiões do país, entre os dias 20 e 21 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Apesar dos avanços registrados, a ANJL alertou que o combate às plataformas ilegais precisa ser intensificado. Segundo a associação, "há a necessidade de intensificar o combate aos operadores ilegais, que continuam desrespeitando as regras estabelecidas pela regulamentação do Brasil". A entidade reforçou ainda seu papel no setor ao declarar que "atua diariamente para fortalecer o mercado regulado, promover o jogo responsável e apoiar iniciativas que garantam mais segurança, transparência e proteção aos apostadores". O mercado formal de apostas de quota fixa no Brasil opera sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, que desde 2025 passou a exigir licenciamento obrigatório dos operadores, impondo uma série de restrições — entre elas, justamente, a vedação ao uso de cartão de crédito.
O levantamento do Datafolha também traçou um perfil detalhado dos apostadores brasileiros. A maioria é do sexo masculino e pertence à faixa etária de 18 a 24 anos. A frequência de apostas mais declarada é a mensal, citada por 36% dos entrevistados, enquanto 20% afirmaram apostar todos os dias. Os gastos médios mensais relatados ficaram em torno de R$ 240 para apostas esportivas e R$ 230 para cassino online. A percepção de que jogos online viciam cresceu levemente, de 54% para 57%, e 30% dos ouvidos continuam vendo as apostas como uma perda de dinheiro — proporção estável em relação a 2024. A fatia da população adulta que declarou apostar se manteve em 7% nas duas edições da pesquisa.
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