Datafolha: impacto financeiro das apostas online cai, mas gasto médio sobe
Pesquisa realizada em maio de 2026 mostra redução em indicadores de comprometimento financeiro entre apostadores brasileiros, embora o valor médio mensal gasto nas plataformas tenha aumentado em relação a 2024.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Uma pesquisa do Datafolha divulgada em 2026 aponta que o percentual de brasileiros adultos que apostam atualmente em plataformas esportivas online ou jogam em cassinos digitais se manteve em 7% — o mesmo índice registrado no levantamento anterior, de novembro de 2024. O estudo foi realizado nos dias 20 e 21 de maio de 2026, com 2.004 eleitores com 18 anos ou mais, distribuídos por 139 municípios, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Comprometimento financeiro recua nove pontos
Apesar da estabilidade no número de apostadores, o levantamento identificou mudanças relevantes no comportamento financeiro desse público. A parcela que declarou já ter comprometido suas finanças pessoais por causa das apostas caiu de 44% para 35% — redução de nove pontos percentuais em relação a novembro de 2024. O estudo atual foi conduzido após a entrada em vigor, em janeiro de 2025, do mercado regulado de apostas de quota fixa no Brasil, supervisionado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. O ambiente regulatório trouxe exigências como identificação de usuários, políticas de prevenção à lavagem de dinheiro e obrigações relacionadas ao jogo responsável.
Queda nas formas de financiamento das apostas
O levantamento também mapeou as fontes de recursos utilizadas pelos apostadores para bancar suas apostas. Houve redução em praticamente todos os indicadores entre 2024 e 2026: o uso da poupança caiu de 22% para 19%; deixar de comprar algum produto, de 19% para 11%; uso de cartão de crédito, de 15% para 10%; dinheiro emprestado, de 15% para 8%; deixar de pagar contas, de 13% para 6%; e venda de bens, de 5% para 2%. O único indicador que não recuou foi o percentual de apostadores que ficaram inadimplentes, que se manteve em 5% nas duas edições da pesquisa.
Gasto médio sobe, e perfil dos apostadores é diversificado
Embora os comportamentos financeiros mais arriscados tenham diminuído, o desembolso médio mensal com apostas esportivas subiu de R$ 216 em novembro de 2024 para R$ 241 em maio de 2026 — valor ainda abaixo dos R$ 268 registrados em dezembro de 2023. Nos cassinos online, a tendência foi oposta: a média caiu de R$ 354 para R$ 232 no mesmo período. Em relação à frequência, 36% dos apostadores esportivos afirmaram apostar uma vez por semana, 21% diariamente e 19% uma vez por mês. O perfil demográfico revela que os homens apostam mais (9%) do que as mulheres (2%), e que os jovens de 18 a 24 anos lideram a participação, com 11%, contra apenas 1% entre pessoas com 60 anos ou mais.
Maioria da população ainda vê apostas como vício
A percepção da sociedade brasileira sobre as apostas segue predominantemente negativa. Segundo o Datafolha, 57% dos entrevistados acreditam que as apostas representam um vício — índice superior aos 54% registrados em 2024. Cerca de um terço considera a atividade principalmente uma perda de dinheiro, enquanto apenas 6% a enxergam como forma de diversão e somente 2% a classificam como investimento ou fonte de renda. Entre as mulheres, 61% associam as apostas ao vício, ante 54% entre os homens. Nos jovens de 18 a 24 anos, esse percentual chega a 64%. Os dados reforçam a importância das políticas de jogo responsável e educação financeira no contexto do mercado regulado brasileiro.
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