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Mercado & Negócios

Grêmio rejeita ofertas de bets e completa 7 meses sem patrocinador máster

Clube gaúcho recusou propostas entre R$ 20 mi e R$ 25 mi anuais e mira acordo próximo dos R$ 50 milhões — preferencialmente fora do setor de apostas.

Grêmio rejeita ofertas de bets e completa 7 meses sem patrocinador máster

Imagem ilustrativa gerada por IA

O Grêmio chega a mais de sete meses de gestão sem patrocinador máster estampado na camisa. O espaço ficou vago após a rescisão do contrato com a Alfa Bet — rompido pelo presidente Alberto Guerra já no primeiro ano de um vínculo previsto para três, depois de três parcelas atrasadas e do descumprimento de acordo judicial para quitar o débito. Uma ocupação pontual da EnergiaBet, que pagou pelo espaço por apenas duas partidas do Brasileirão, foi a única ocupação do slot desde então.

As negociações estiveram sob comando do CEO Alex Leitão nos primeiros seis meses do ano. Segundo reportagem do ge Globo, propostas recebidas no período foram recusadas por apresentarem valores entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões anuais, bem abaixo da meta do clube, que é se aproximar dos cerca de R$ 50 milhões que a Alfa Bet havia se comprometido a pagar. A direção descreve o atual cenário de negociações como "retraído": as casas de apostas, que dominam o mercado de patrocínio esportivo no Brasil, enfrentam nova legislação e aumento de tributação, o que reduziu a capacidade de investimento do setor em publicidade. O próprio processo de regulamentação das bets, conduzido pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda e que passou a exigir licenças e requisitos financeiros mais rígidos a partir de 2025, contribui para a cautela das empresas do ramo em assumir compromissos de longo prazo.

Além do fator financeiro, o Grêmio tem preferência por fechar negócio com empresas de outros setores, por avaliar que as casas de apostas não oferecem a estabilidade necessária para um contrato de quatro ou cinco anos — horizonte almejado pelo clube. A Copa do Mundo de 2026 aparece como mais um complicador: sem jogos de clubes durante o torneio, a marca do patrocinador ficaria sem exposição, o que afasta interessados em assinar antes da retomada das partidas. A diretoria afirma que as conversas prosseguem, inclusive para a venda dos naming rights da Arena do Grêmio, que pode ser combinada com o patrocínio máster em um pacote único. Internamente, a avaliação é de que a receita publicitária já está em patamar "confortável" sem a cota principal: o total fechado em publicidade no ano chegou a R$ 150 milhões, com 11 contratos assinados na gestão do presidente Odorico Roman — seis deles novos, com Ingresse, Unifique, Coral, Havan, Vitafor e Solides.

O quadro financeiro do clube, porém, não está isento de pressões. Os salários de junho, incluindo direitos de imagem, ficaram em aberto, com promessa de regularização em breve — os atletas foram avisados previamente sobre o atraso. Para equilibrar as contas, a diretoria adota corte de custos e ampliação de receitas: Arthur não teve contrato renovado, e a permanência de Amuzu, Carlos Vinicius e Pavon está condicionada ao respeito a um teto salarial. As contratações recentes — Wallace, Jovane Cabral, Matheus Nascimento e Diego Caito — seguiram o mesmo critério, com salários menores e baixo custo de aquisição. O acerto por Matheus Nascimento envolveu uma permuta por parte da dívida que o Botafogo tinha com o Grêmio pelas compras de Nathan Fernandes e Cuiabano. Wallace e Diego Caito somaram R$ 6 milhões em direitos econômicos, com mais R$ 2 milhões previstos para efetivar a compra de Wallace ao fim do empréstimo.

No campo das receitas, o clube vendeu o zagueiro Viery à Fiorentina por 15 milhões de euros fixos (equivalentes a R$ 88,5 milhões), com bônus de até 2 milhões de euros (R$ 11,8 milhões) por metas. O meia Gabriel Mec também deve deixar o clube: o Shakhtar Donetsk apresentou proposta de 12 milhões de euros (R$ 69,5 milhões) mais bonificações, valor aceito pelo Grêmio, mas a transferência ainda depende da concordância do jogador e de seu estafe. A Arena do Grêmio passou a contribuir de forma mais significativa para o caixa neste ano: o empresário Marcelo Marques comprou a gestão do estádio e a doou ao clube, evitando um gasto de R$ 12 milhões no primeiro semestre para garantir o acesso dos sócios às cadeiras. A venda de 37 camarotes gerou receita de R$ 9 milhões anuais, e a diretoria estima que a Arena rendeu R$ 50 milhões no primeiro semestre, contando a arrecadação com ingressos. Um anel de LED instalado e também doado por Marques deve acrescentar R$ 3 milhões por ano em receita publicitária.

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Com informações de BNLData →

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