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Regulação

MP das bets: Lula decide entre restringir publicidade, proibir cassino online ou vetar tudo

Com agendas oficiais revelando reuniões de acabamento jurídico no Planalto, o presidente tem três cenários sobre a mesa para uma medida provisória com forte peso eleitoral.

MP das bets: Lula decide entre restringir publicidade, proibir cassino online ou vetar tudo

Imagem ilustrativa gerada por IA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou de Nova York com a promessa de definir nesta quarta-feira (23) o conteúdo de uma medida provisória voltada ao mercado de apostas online. Na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, na véspera, declarou que a indústria das bets "transforma o vício em lucro" e que o Brasil não tolerará esse modelo de negócio. Apesar da contundência do discurso, o alcance exato da MP ainda não estava definido na manhã da decisão.

O que as agendas oficiais revelam

Os indícios mais concretos sobre o estágio da minuta vieram não de declarações, mas das agendas públicas do governo. Na terça-feira (22), enquanto Lula discursava na ONU, a secretária de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Daniele Correa Cardoso, participou de duas reuniões no Planalto sobre o tema. A primeira, das 11h02 às 11h42, reuniu no 4º andar do Palácio do Planalto a secretária-executiva da Casa Civil, Francisca Lucileide de Carvalho, e o secretário especial para Assuntos Jurídicos (SAJ), Marcelo Weick Pogliese. Do Ministério da Justiça participaram o secretário-executivo Ademar Borges e o secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes. A equipe técnica da SPA também esteve presente, com o subsecretário de Monitoramento e Fiscalização, Carlos Renato Xavier de Resende, e o coordenador-geral de Regulação, Leandro Lucchesi, além de uma procuradora da Fazenda. A segunda reunião, virtual, das 15h às 16h, foi mais ampla e incluiu a SAJ, a Secretaria de Análise Governamental (SAG), a Secretaria de Articulação e Monitoramento (SAM), a Secom, o MJSP, a SPA, a PGFN e a Advocacia-Geral da União. A presença da SAJ nas duas reuniões — órgão responsável pela revisão final da redação e da técnica legislativa dos atos normativos — indica que o texto já estava em fase de acabamento jurídico. A convocação da AGU e da PGFN, por sua vez, aponta para preocupações com a judicialização e com as consequências patrimoniais da medida, incluindo a eventual necessidade de devolver proporcionalmente as outorgas de R$ 30 milhões pagas por cada operadora.

As três opções em análise

Reportagens de O Globo e da jornalista Daniela Lima (UOL) convergem sobre os cenários em avaliação. O primeiro prevê apenas o endurecimento das restrições à publicidade das bets. O segundo combina restrições publicitárias com a proibição dos chamados cassinos online — modalidades como Tigrinho e Aviãozinho —, preservando as apostas esportivas. O terceiro é o veto total a qualquer forma de aposta digital no país. Segundo Daniela Lima, a tendência pessoal de Lula seria justamente essa opção mais radical. Não há, porém, consenso no Planalto: a ala de comunicação defende o banimento argumentando que apostadores de menor renda gastam proporcionalmente mais, enquanto a cúpula do PT teme o desgaste com clubes de futebol e veículos de comunicação dependentes da publicidade do setor. O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, resumiu o debate em entrevista a O Globo como a escolha entre "acabar totalmente com as bets" ou "fazer uma coisa mais para regulamentar". A maioria das apurações da semana — Estadão, Reuters, CNN Brasil e Brasil de Fato — apontava a segunda opção como a mais provável.

O peso fiscal e os riscos do banimento

A decisão envolve uma receita crescente e expressiva. Segundo a CNN Brasil, a arrecadação federal com jogos e apostas somou R$ 9,9 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, alta de 69% sobre o mesmo período do ano anterior. Mantido o ritmo, o setor pode gerar mais de R$ 14 bilhões no ano — patamar superior aos R$ 12 bilhões que o governo deixaria de arrecadar com uma proibição total, de acordo com estimativas citadas pela imprensa. Dados da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) mostram que 73,9% do volume movimentado pelo setor vem dos cassinos online, cabendo às apostas esportivas os 26,1% restantes. Para mitigar o impacto de uma proibição, o governo estuda, segundo o Estadão, uma cláusula de vigência de 180 dias que adiaria os efeitos da medida e um programa de parcelamento de dívidas para os clubes de futebol. Colunistas de grande imprensa, como Hélio Schwartsman e Elio Gaspari (ambos na Folha de S.Paulo e/ou O Globo), alertam para o risco de migração dos apostadores para o mercado paralelo em caso de proibição, tornando o país herdeiro do problema social sem a contrapartida da arrecadação. Vinicius Torres Freire (Folha de S.Paulo) estima que entre 30% e 40% das apostas já ocorrem ilegalmente. O próprio ministro Guimarães admitiu a O Globo que a fiscalização do governo "não foi suficiente" para conter o problema e que a tarefa de coibir o mercado ilegal caberá ao Ministério Público e à Polícia Federal. Embora produza efeitos imediatos a partir de sua publicação, a MP precisará ser votada pelo Congresso em até 120 dias — prazo que se esgotará após as eleições, diante de uma nova correlação de forças e sob pressão intensa de clubes, emissoras e operadoras do setor.

Análise BetNotícias

O que vem a seguir

  • O presidente Lula define nesta quarta-feira (23) qual será o escopo de uma medida provisória contra as bets: pode restringir apenas publicidade, proibir cassinos online mantendo apostas esportivas, ou vetar todas as apostas digitais.
  • A decisão carrega peso fiscal significativo — a arrecadação federal com apostas somou R$ 9,9 bilhões de janeiro a agosto de 2026 (alta de 69% ante 2025) — e terá consequências imediatas para operadoras licenciadas, clubes de futebol e emissoras que dependem do setor.
  • Qualquer vedação total ou parcial será provavelmente judicializada pelas operadoras, que argumentarão sobre direitos às outorgas já pagas, e enfrentará resistência no Congresso após a eleição, onde lobby de clubes e emissoras tem peso político.

Entenda os termos

Medida Provisória (MP)
Ato normativo do presidente da República que entra em vigor imediatamente, mas precisa ser votado pelo Congresso em até 120 dias para se tornar lei permanente.
Outorga
Autorização concedida pelo governo a uma empresa para explorar uma atividade regulada, neste caso a oferta de apostas online, geralmente mediante pagamento de taxa inicial.
Autoexclusão
Mecanismo que permite ao apostador solicitar voluntariamente o bloqueio temporário ou permanente de sua conta, impedindo novos acessos e apostas.
ECA Digital
Estatuto da Criança e do Adolescente em sua versão digital, que regula a proteção de menores no ambiente online.
Fonte original
Com informações de BNLData →

A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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