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Regulação

Mercado regulado de apostas fortalece combate à lavagem de dinheiro, dizem especialistas

Evento BiS Brasília reuniu autoridades e especialistas que destacaram o papel do ambiente regulado na prevenção ao crime organizado e na transparência financeira do setor.

Mercado regulado de apostas fortalece combate à lavagem de dinheiro, dizem especialistas

Imagem ilustrativa gerada por IA

A regulamentação das apostas online no Brasil começa a gerar impactos que ultrapassam a arrecadação fiscal e a formalização do setor. Para especialistas, operadores e autoridades de controle financeiro, o novo ambiente regulado tem capacidade de ampliar a transparência das operações, reforçar mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e dificultar a infiltração do crime organizado. O tema esteve no centro das discussões do BiS Brasília (Brazilian iGaming Summit Brasília), realizado nos dias 2 e 3 de junho, com a presença de representantes da indústria, reguladores e autoridades públicas.

Coaf destaca qualidade das informações como chave para a inteligência financeira

No evento, o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Saadi, ressaltou a necessidade de cooperação entre os setores público e privado para garantir a integridade do mercado. "Todos nós queremos um setor íntegro, livre da infiltração do crime organizado", declarou. Saadi alertou que a eficácia da inteligência financeira do conselho depende diretamente da qualidade das comunicações enviadas pelas empresas autorizadas. "O Coaf funciona com base nas comunicações recebidas dos setores obrigados. Se a comunicação não tem qualidade, a análise também não terá", afirmou. As informações recebidas pelo órgão são analisadas e, quando pertinentes, repassadas a autoridades investigativas como a Polícia Federal e o Ministério Público. Diferentemente do mercado ilegal, operadores licenciados são obrigados a identificar usuários, monitorar movimentações financeiras, implementar controles de compliance e reportar atividades suspeitas.

Perfil dos apostadores: classe D predomina e fraudes ocorrem de madrugada

O account manager de iGaming da Legitimuz, Pedro Brisola, apresentou um panorama do apostador brasileiro com base em mais de 27 milhões de CPFs únicos e 4,4 bilhões de verificações processadas. A classe D aparece como predominante, representando cerca de 53% dos usuários cadastrados, com a faixa etária entre 35 e 44 anos respondendo por aproximadamente 24% da base. A empresa identificou três perfis principais: apostadores de renda mais baixa e forte dependência digital; usuários com maior estabilidade financeira e menor exposição a riscos; e jovens com renda variável, baixo histórico de crédito e maior necessidade de acompanhamento por políticas de jogo responsável. Os dados também revelaram que os maiores volumes de verificações se concentram entre 18h e 22h, coincidindo com os principais eventos esportivos, enquanto os picos de tentativas de fraude ocorrem entre 4h e 8h. Quanto à fidelização, 51% dos usuários têm cadastro em mais de duas operadoras e 32% estão presentes em três ou mais plataformas ao mesmo tempo.

Estudo aponta comportamento recreativo na maioria dos apostadores

A SafeFy apresentou uma análise baseada em mais de 1 milhão de jogadores e cerca de 7 milhões de sessões processadas a partir de dados do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap). Os resultados indicam que a maioria dos apostadores brasileiros tem perfil predominantemente recreativo: a mediana dos depósitos mensais foi de R$ 54, e a perda mediana ficou em aproximadamente R$ 20 por mês. No entanto, 75% das perdas registradas nas plataformas estão concentradas nos 5% dos jogadores que mais perdem. Para o CEO da SafeFy, Eduardo Franceschett, os riscos existem, mas estão restritos a uma parcela específica dos usuários, o que reforça a importância de ferramentas de monitoramento comportamental. Ele destacou que tecnologias de inteligência artificial, análise preditiva e mecanismos de jogo responsável permitem detectar sinais de fraude e comportamentos compulsivos antes que se agravem.

Entre 30% e 40% da atividade ainda ocorre em plataformas ilegais

Desde janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, podem oferecer apostas de quota fixa legalmente no Brasil. Ainda assim, estimativas debatidas no BiS Brasília indicam que entre 30% e 40% da atividade permanece em plataformas ilegais, que não monitoram usuários, não reportam operações suspeitas, não adotam políticas de jogo responsável e não recolhem tributos. Para Nuno Bispo, diretor de Marketing da BiS Sigma, o principal desafio do setor agora é combater esse mercado paralelo. "O inimigo a ser combatido é o mercado ilegal. É ele que não possui fiscalização, não segue regras e não oferece proteção ao consumidor", afirmou. Bispo também defendeu que as políticas públicas precisam se apoiar em dados concretos: "O que estamos vendo aqui são números reais do mercado sob diferentes perspectivas. Não estamos falando de pesquisas, estudos de percepção ou achismos. Estamos falando de informações construídas a partir de bases oficiais, operações reguladas e empresas que atuam diariamente nesse ecossistema".

Fonte original
Com informações de BNLData →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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