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Regulação

Lula anuncia MP para proibir bets; setor estima indenizações de R$ 120 bi

O presidente deve assinar medida provisória nesta sexta (25) em São Paulo, proibindo cassinos online e apostas de quota fixa no Brasil, em meio à campanha eleitoral para o primeiro turno.

Lula anuncia MP para proibir bets; setor estima indenizações de R$ 120 bi

Imagem ilustrativa gerada por IA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quinta-feira (24) que anunciará, na tarde desta sexta (25), em São Paulo, uma medida provisória para proibir o funcionamento de empresas de apostas online no Brasil. O evento, agendado para as 17h no Edifício Matarazzo, foi divulgado pelo Palácio do Planalto como um conjunto de "novas medidas de proteção às famílias e à economia popular" e inclui também um pacote de combate ao endividamento das famílias, com a compra de dívidas antigas pelo governo. Segundo auxiliares de Lula, a decisão final abrange tanto os cassinos online quanto as apostas de quota fixa — modalidade em que os usuários apostam sobre eventos reais, como partidas de futebol. Em comício em São Gonçalo (RJ), Lula antecipou o teor da medida com a frase: "Minhas companheiras mulheres, eu vou acabar com as bets. Se preparem".

Ministros desconversam, mas reunião técnica no Planalto entrega a decisão

Enquanto o presidente falava abertamente sobre o fim das bets, integrantes da área econômica adotaram postura cautelosa em público. O ministro Dario Durigan, da Advocacia-Geral da União, afirmou que o tema ainda estava "em avaliação" e que o presidente trataria do assunto "nos próximos dias". O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que a equipe econômica aguardava a decisão para calcular o impacto nas receitas — cálculo que, segundo ele, só deve aparecer no relatório de novembro, já que "por enquanto não tem base legal nenhuma para discutir isso". Na prática, o governo se prepara para eliminar um setor inteiro sem ter divulgado qualquer estimativa de perda de arrecadação: só em 2025, segundo a Receita Federal, as empresas de apostas recolheram cerca de R$ 9,95 bilhões em tributos federais. A composição de uma reunião realizada na quinta no Palácio do Planalto, com representantes da Fazenda, da Casa Civil, do Ministério da Justiça, da Polícia Federal, da Anatel, do Banco Central e da AGU, confirmava os bastidores: eram justamente os órgãos responsáveis por bloquear sites, fiscalizar pagamentos, reprimir o jogo clandestino e defender a medida na Justiça.

Impacto no futebol, na TV e a resistência do setor

As consequências já alcançaram o futebol e a televisão antes mesmo do anúncio formal. A Superbet notificou São Paulo e Fluminense sobre possível rescisão de patrocínios, e a Esportes da Sorte fez o mesmo com o Corinthians. A Betano informou ao Flamengo que uma proibição geral levaria ao fim do contrato. Treze dos 20 clubes da Série A têm uma casa de apostas como patrocinadora máster, e os contratos somam mais de R$ 1 bilhão. No universo televisivo, Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte notificaram Globo, Band e RedeTV! sobre a possibilidade de rescisão de contratos publicitários. O setor é um dos maiores anunciantes da TV aberta: só em agosto, as bets investiram R$ 153 milhões em intervalos comerciais e cotas de patrocínio, segundo a empresa de monitoramento Tunad. O governo, por sua vez, estuda enviar ao Congresso projetos de lei que endurecem as penas para crimes ligados à promoção de jogos ilegais, reconhecendo o risco de migração dos apostadores para o mercado clandestino — argumento que o próprio setor regulado vinha levantando há meses.

MP precisa ser votada em 120 dias e setor já prepara resposta jurídica

A medida provisória tem efeito imediato, mas precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado em até 120 dias para não perder a validade — e é nessa janela que o setor deposita parte de suas esperanças. Entidades do mercado regulado já preparam emendas ao texto por meio de parlamentares aliados e avaliam que, passado o pleito, um eventual segundo mandato de Lula dificilmente abriria mão da arrecadação e da estrutura de fiscalização montada pela própria Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Há ainda a frente judicial: operadoras pagaram outorga de R$ 30 milhões por licença para atuar, e a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) estima, de forma preliminar, que as indenizações por uma proibição poderiam chegar a R$ 120 bilhões. O presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), Carlos Lima, lembrou que a regulação era recente e começava a apresentar resultados: estudo da LCA Consultoria indica que a fatia do mercado ilegal caiu de uma faixa de 41% a 51%, em maio de 2025, para 38% a 44% um ano depois. Para as entidades, proibir o mercado licenciado seria devolver esse espaço aos operadores clandestinos — precisamente o risco que a AGU tenta agora conter com penas mais severas.

Contexto eleitoral no centro da decisão

A guinada do governo em direção à proibição total ocorreu em menos de uma semana. Em 17 de setembro, Durigan afirmava que "não tem nenhuma decisão tomada"; ainda na quarta-feira (23), a hipótese mais provável, segundo fontes do governo ouvidas pela imprensa, era uma proibição parcial restrita aos cassinos online. A virada, segundo a Folha de S.Paulo, veio da avaliação dos estrategistas de campanha de que o veto total teria forte impacto eleitoral. Um auxiliar do presidente descreveu a medida ao jornal O Globo como a "última cartada eleitoral" de Lula, que está empatado nas pesquisas com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a nove dias do primeiro turno. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada na quarta mostrou 75% dos entrevistados favoráveis à proibição. A medida se soma a outros anúncios recentes, como o reajuste de cerca de 15% no Bolsa Família — com o valor mínimo passando de R$ 600 para R$ 691 —, a distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS e a decisão de que o voto valerá como prova de vida para aposentados e pensionistas do INSS.

Análise BetNotícias

O que está em jogo

  • Operadoras de apostas online recebem notificações de possível rescisão de contratos de patrocínio com 13 dos 20 clubes da Série A (R$ 1 bilhão em contratos) e com principais emissoras de TV aberta (R$ 153 milhões em investimentos publicitários apenas em agosto), criando risco imediato de perda de receita.
  • A MP precisa ser votada em até 120 dias para manter validade; entidades do setor preparam emendas parlamentares e estimam indenizações de até R$ 120 bilhões em caso de proibição, mas reconhecem que o mercado ilegal pode ocupar o espaço regulado.

Entenda os termos

Medida Provisória (MP)
Ato do Poder Executivo com força de lei que entra em vigor imediatamente, mas depende de votação no Congresso em até 120 dias para permanecer válida.
Apostas de quota fixa
Modalidade de apostas em que o apostador conhece previamente quanto ganhará se sua previsão se confirmar, como em partidas de futebol ou eventos esportivos.
Outorga
Pagamento devido por empresa privada ao governo para obter direito legal de operar um serviço regulado, como as apostas online no Brasil.
Mercado ilegal/clandestino
Operação de apostas sem autorização governamental, fora da regulação e fiscalização do Estado, realizada por sites e plataformas não licenciadas.
Fonte original
Com informações de BNLData →

A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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